RAYMUNDO DE LIMA

Formado em Psicologia, Mestre em Psicologia Escolar (UGF) e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente é professor do Depto. Fundamentos da Educação, na área de Metodologia da Pesquisa, da Universidade Estadual de Maringá (UEM)

 

 

 

Revolução ou revolta? – Parte II –

(Um retorno a Albert Camus em sete pontos)

Raymundo de Lima

 

4. Um ex-revolucionário relembra um episódio. Trata-se do “professor Dennis”, personagem de “As invasões bárbaras”, que iluminado pela sabedoria de quem se encontra no estágio final de sua vida, diz ao seu amigo:

“Fim dos anos 70, [a linda chinesa], Guo Jin vem a Montreal em visita cultural (...). Querendo ser interessante digo: ‘É extraordinário o que acontece no seu país. Se soubesse como os invejamos. A Revolução Cultural de vocês é formidável!’’ Imediatamente vejo seus belos olhos negros se encherem d´água. E imagino, horrorizado, que ela pensa: ‘Ou esse cara é um agente da CIA ou é o maior cretino do ocidente’. Optou pela 2ª.hipótese. Ela havia limpado pocilgas por dois anos como reeducação pelo trabalho. Seu pai tinha sido assassinado e sua mãe se suicidado. E um imbecil franco-canadense, que tinha assistido aos filmes de Goddard e lido Philippe Solers achava a Revolução Cultural chinesa formidável! Não dá mais para ser cretino”

Quando o revolucionário é "privado do direito de dizer não, torna-se um escravo”, alerta Camus. O revolucionário que diz apenas “sim”, que não tem dúvidas quanto ao seu projeto político, já que o mundo pelo qual luta já está claramente definido numa teoria e na sua convicção, perdeu o juízo, literalmente. A revolução consiste no transplante da idéia para a experiência histórica. O revoltado camusiano é radicalmente cético. A revolta, induz um movimento que parte da experiência histórica à idéia, e desta ao ceticismo. A teoria da revolta vem depois da vivência de uma situação injusta, que lhe fornecerá os dados sobre os quais ela será construída (BARRETO, ibid, p.73).

Em O Homem Revoltado, Camus acentua as diferenças entre essas duas atitudes e suas conseqüências:

“Se se verificasse apenas uma revolução, a história acabaria. Haveria unidade feliz e morte satisfeita. Eis o motivo por que todos os revolucionários visam finalmente a unidade do mundo e agem como se acreditassem no fim da história. (...). Como o movimento de revolta desemboca no ‘tudo ou nada’, (...), o movimento revolucionário do século XX, tendo atingido as conseqüências mais claras da sua lógica, exige, de armas na mão, a totalidade histórica. A revolta é, nessa altura, intimada, sob pena de acusação de fútil ou de desactualizada, a tornar-se revolucionária. Já não se trata, para o revoltado, de se deificar a si próprio como Stirner, ou de se salvar individualmente pela atitude. Trata-se de divinizar a espécie, como Nietzsche, e de realizar o seu ideal de super-humanidade, a fim de assegurar a salvação de todos(...). A maior parte das revoluções adquire a sua forma e a sua originalidade por meio do crime. Todas ou quase todas foram homicidas. Mas algumas praticaram, além disso o regicídio e o deicídio. (...)". (grifo meu).

5. As revoluções buscam ideais absolutos (justiça, igualdade, liberdade), e se afastam das atitudes verdadeiramente críticas. Acontece que para conquistar o absoluto e ir ao encontro da aspiração coletiva os agentes da revolução precisarão sacrificar o indivíduo. Daí a revolta dos sujeitos pensantes-críticos e criativos. “A revolução fracassa na medida em que o seu dinamismo interno elimina a crítica e quebra, por seus atos, os laços de solidariedade. A revolução ao realizar-se historicamente, diz Camus, perde-se no silêncio ou na mentira” (BARRETO, ibid,73).

Ou seja, “a tragédia da revolução consiste na incapacidade de manter o vivo espírito revoltado” que existiu e deu impulso ao próprio movimento revolucionário. A história das revoluções contemporâneas nos ensina que após conquistarem o poder, os revolucionários foram incapazes de serem fiéis a sua própria pulsão mobilizadora e também de cumprir com os princípios supostamente éticos divulgados nos discursos, panfletos, slogans, etc.

6. Contra a pregação messiânica dos revolucionários, Camus (sd.) alerta que “um homem é mais homem pelas coisas que cala do que pelas coisas que diz” (p. 106). Esta idéia está no Mito de Sísifo e também em A peste. Sartre chame esse ato de “silêncio viril”. Ao mesmo tempo que sustenta o sentimento de revolta o revoltado se recusa reproduzir slogans, palavras de ordens, participar de reuniões intermináveis com o propósito de fundar rupturas. Slogans e palavras de ordens[1] não estimulam o pensamento, mas sim, a ação automática, coletiva e submissa. Palavras, paixão e carisma de um líder compõem o teatro da revolução. Toda revolução é um movimento  sóciopsicodramatico. A revolta é um movimento subjetivo e moral de alguns indivíduos, que quando se expressam vivem a “vertigem da revolta” (MAIA, 2008). Principalmente os revolucionários burgueses se deixam ser  enfeitiçados pelas palavras, sobretudo os mais românticos e sem práxis. Pregar a revolução proletária junto aos alunos universitários e gozar uma vida burguesa, não configura práxis genuína. O revolucionário ideológico hoje se condena ao monólogo, que como tal se assemelha ao discurso da loucura. A luta proposta por Camus é da revolta não necessariamente verbalizada, mas permanente: “A revolta é o confronto perpétuo do homem e de sua prima a obscuridade...É a presença constante do homem em si próprio. ...era preciso lutar, desta ou daquela maneira, e não cair de joelhos” (1981).

7. No fundo, o ato de revolta parece ter origem inconsciente. Trata-se de um retorno do recalque que o sujeito não consegue administrar conscientemente, ainda que ele tente sustentá-la como um princípio moral. A revolta tende ser catártica, emotiva e até explosiva. “Um dia de fúria”, por exemplo, é um filme que retrata um sujeito revoltado. Em “O prisioneiro da 2ª.avenida”, o personagem torna-se um revoltado a partir do instante que perde o emprego, mas ele não tem consciência, nem autocontrole, apenas pulveriza sua revolta contra tudo e contra todos. No entanto, o sujeito escolhe se manter o estado de revolta, ainda que empregado, familiado, incluído, etc., ele se conduz segundo uma moral do homem revoltado. Para Camus, esta é a forma de aperfeiçoamento do homem, afastada da influência religiosa, da utopia ideológica, ambas messiânicas[2].

A psicanalista Julia Kristeva (1999) alerta que a revolta pode terminar num niilismo moral, sufocando assim tanto o ato criativo como o ato político. Para Barreto (ibid), se for incorporada à revolução ela termina justificando todos os tipos de crimes do “novo” sistema de valores. A revolta genuína – camusiana – comporta um grau pulsional mediado pelo logos-razão; indigna-se em protestos e mesmo em ações políticas (não  partidárias) organizadas contra: as ações de inspiração militar, o terrorismo fundamentalista, o narcotráfico, a violência urbana, a corrupção, as diversas injustiças, o cinismo, o orgulho da ignorância, enfim, é um ato de protesto contra todos os que não promovem o crescimento dos seres humanos ou engendram miséria e mortes. Torna-se imperativo em nossa época, ainda, denunciar aqueles que não defendem suficientemente a vida do ser humano, dos animais e do planeta, omitindo-se em nome de sua “causa” mítica ou de um “taticismo político” justificado ou não.

Desse modo, o espírito revoltado anima-se de uma atitude expressionista. No fundo, ele busca compartilhar sua revolta com os outros revoltados, num comprometimento ético em defesa da vida ex-sistente. Por isso mesmo, os revoltados camusianos se autorizam fundar algumas amizades verdadeiras e duradouras em vez das amizades instrumentais, guiadas por interesses políticos e ideológicos. Denegando o valor da amizade[3], os revolucionários buscam “militantes”, “companheiros”, “camaradas”, que servirão aos quadros do seu projeto de transformação radical da sociedade. No seu livro “Le Cathecisme du Revolutionaire”, Netchaiev[4] ensina que “Ele [o revolucionário] não deve ter relações pessoais nem coisas ou seres amados. Ele se deve despojar, inclusive, do seu nome. Tudo nele deve concentrar-se numa só paixão: ‘a revolução’ (BARRETO, ibid, 95).

Concluindo: “Eu penso, logo me revolto”

Até a queda do muro de Berlin, pode-se afirmar que estava em alta uma cultura revolucionária, com suas idéias de progresso, igualdade, fraternidade. O taticismo pró revolução socialista fazia de conta que as execuções – expurgos – levadas a cabo pelos revolucionários no poder contra os supostos “inimigos do povo”, “burgueses”, e outros bodes expiatórios, eram atos de “justiça popular”. Nós que amávamos tanto a Revolução (com R maiúsculo) jamais poderíamos imaginar o revolucionário virando um genocida. Jamais poderíamos imaginar que a Revolução produzia ou acobertava personalidades perversas e criminosas. Defendíamos cegamente todos os atos justificados pela Revolução, em nome do amor à causa proletária ou do ódio de “ver o último capitalista enforcado nas tripas do último burocrata” traidor do socialismo. Passado o clima ideológico pró revolução, hoje, no mínimo, podemos reconhecer que, na prática, essa idéia tem se revelado totalitária e, por isso mesmo, barra o ânimo de revolta que inicialmente a engendrou.

Além de representar um estado de espírito necessário do sujeito frente a todos os sistemas políticos e ideologias, a revolta implica um plus em relação à revolução, tanto porque evita o totalitarismo como porque ela implica uma condição necessária (subjetiva) ao ato criativo. Evidentemente, existem diversos graus e tipos de revolta. A criação artística precisa de liberdade emanada do sistema político e pulsão anárquica do sujeito, sublimadas. Quanto mais for desvencilhada do interesse do Estado[5], mais genuína a obra será.

“A criação artística é a forma mais descomprometida da revolta, pois está fora da História. A arte recusa o mundo em virtude daquilo que lhe falta, e ás vezes, por causa daquilo que é. Os revolucionários sempre demonstram uma hostilidade acentuada em relação às manifestações artísticas. Platão exila da sua República os poetas; Rousseau considera a arte uma corrupção feita pela sociedade na natureza; Saint-Just entende ser melhor uma arte virtuosa do que bela; Pisarev dizia preferir ser um sapateiro do que um Rafael; Nekrasov, o poeta, trocaria toda a obra de Puchkine por um pedaço de queijo. Em Marx essa condenação é mais radical. A única arte revolucionária é aquela colocada a serviço da revolução. A razão para isto está no fato de que a arte sem compromisso político impedirá que a História transforme-se no absoluto. Marx na dúvida de sua afirmação, pergunta como a arte grega ainda pode ser bela para nós e responde que essa beleza nada mais é do que a expressão que essa beleza nada mais é do que a expressão da nostalgia de uma infância inocente, que perdemos no mundo adulto em que vivemos” (BARRETO, 1970, p.105).

Parece que o espírito de revolta se sustenta e se expressa melhor nas artes. Ela seria mais uma exigência estética do que ética. O artista revoltado pode reconstruir o mundo que o cerca, seja o mundo dos regimes totalitários ou o mundo da natureza. Uma literatura ficcionada como “A peste” de Camus expressa sua revolta sobre uma epidemia e a displicência divina para contê-la. “A cidade do sol”, do afegão Khaled Housseini, é uma revolta sublimada contra a opressão sobre as mulheres daquele país, e contribui para aproximar as mulheres dos homens. Um quadro como Guernica, que  Picasso, não expressa apenas a revolta de pintor, mas também causa-nos empatia com todos que denunciam os horrores da guerra. Por outro lado, o ato terrorista ultrapassa os limites da revolta metafísica, sendo uma produção de morte, indistinta, cruel. O terrorismo é o avesso tanto do dionisíaco como do apolíneo, elaborados por Nietzsche[6].  Porque é um ato de barbárie, que nada cria, só destrói. Por isso que o terrorismo não pode ser identificado com um simples ato de revolta, no sentido camusiano, mas sim, é um ato calculado, frio, investido somente de dor e morte.

A ficção camusiana é a tradução mais fiel no plano estético do espírito de revolta. A obra literária cria um mundo de imagens, amor, ódio, caminhando numa certa coerência proporciona aos leitores um meio de eles viverem outra situação de vida e mesmo comparar com a sua realidade concreta. Nesse sentido, a obra literária de estilo camusiano mais que inspira, eleva, e pode abrir um caminho para sermos sujeitos comprometidos em elaborar um pensamento e uma moral da revolta. Segundo Arendt, a tarefa fundamental de uma obra literária (ficção) ou “teórica” é descongelar as definições, é livrar o significado considerado como único tendo em vista a complexidade dos acontecimentos e as situações demasiadamente humanas. A revolta com consciência pode nos livrar da camisa-de-força dos conceitos e das teorias que nos obrigam soluções canônicas para assuntos complexos e emergenciais. Um pensamento da revolta, ainda que causado por uma ficção, tem o poder de dissolver doutrinas e regras aceitas, incondicionalmente, como também pode dar sentido a revolta emotiva ou explosiva. Por seu lado, a crítica revolucionária tende a condenar – ou menospreza – o romance, a  ficção, como sendo uma fuga, uma alienação do sujeito (ler notas 2 e 5). O revolucionário padrão leva muito a sério o seu projeto e, raramente, encontra espaço subjetivo para efetivamente “não perder a ternura”.

Lembrando os mitos, Prometeu e Sísifo, a revolta atual precisa ser guiada por uma ética forjada pelo sujeito que vivencia um mundo onde somos cotidianamente devorados e condenados a um trabalho repetitivo, cujo sentido nos escapa e a esperança não se sustenta como caminho para ser feliz. Ainda que essa revolta supere os obstáculos de regramento, repetição, proibição[7], e ignorância[8], sua força e sua razão a faz encontrar caminhos de expressão no social. Porque a revolta é uma filosofia para enfrentarmos civilizadamente um mundo cada vez mais absurdo e sombrio.

Ainda que o escritor, pintor ou governante possam ter um certo poder de transformação, há que ele sustentar sua revolta. Lembrando Calígula, com todo o seu poder diz: “...E de que me serve ter as rédeas na mão, de que me serve o meu espantoso poder, se não posso alterar a ordem das coisas, se não posso fazer com que o sol se ponha ao nascente, com que o sofrimento diminua e os homens não morram?... (CAMUS, 1963, p. 33).

*          *          *

O problema que se coloca em nossa época “pós paixão revolucionária” não é mais da Revolução, mas sim, a atitude permanente de revolta, inquietação e indignação. Duas atitudes identificamos em nossa época. Por um lado, sobressai a apatia, o desinteresse pela política, a descrença na democracia, o consumismo, a rebeldia difusa, o mal-estar pós moderno, e, por outro, a revolta “apolítica”, que precisamos sistematizar, senão vira barbárie. Sistematizar a revolta não implica investigá-la numa tese de doutorado, mas sim, pensar uma forma de atualizá-la conforme a complexidade do mundo e o nosso mal-estar.

Superando a fórmula moderna cartesiana do “penso, logo existo”, Camus inspira a nova geração para: “Eu me revolto, logo existo, e penso que fazer”. O homem camusiano se libertou da ilusão de ser possível um paraíso na terra[9] e do encantamento do discurso e de um futuro tornado paraíso; cabe-lhes sentir os instantes da vida,  descrever, e fazer o que for possível para denunciar o absurdo da existência. 

O ser humano afirma-se melhor como ser-emancipado quando sabe o que dizer e quando sabe se calar. A revolta deve ser permanente, mas guiando-a com razoabilidade e sabedoria. O exercício pleno da liberdade está no espírito de revolta – sempre - e não na cultura revolucionária, diz a história. Lembrando a epígrafe do texto do historiador Hobsbawm: a revolução que valeu a pena ser vivida ocorreu na década de 1960, porque seu lema era “Paz e Amor”.

 

Referências

ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva, 1972.

BARRETO, Vicente. Camus: vida e obra. Rio de Janeiro: José Álvaro, 1970.

CAMUS, Albert. O mito de Sísifo: ensaio do absurdo. Brasil-Portugal: Livros do Brasil-Lisboa, sd.

CAMUS, A. A peste. Rio de Janeiro: Record, 1981.

CAMUS, A. Calígula. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1963.

CAMUS, A. O homem revoltado (ensaio).Lisboa: Livros do Brasil, sd. 

CARVALHO, J. M. Os bestializados. São Paulo: C. Letras, 1987.

CARVALHO, J. M. Razões que se opõem. Folha de S. Paulo-Cad.Mais! 07/11/2004.

CORREIA, Adriano. O pensamento pode evitar o mal? Rev. Educação Especial. São Paulo: Segmento, 2006, p. 46-55.

ENZENSBERGER, H. M. O prazer de dizer não. Folha de S. Paulo, 06/01/ 2008.

FREUD, S. “O futuro de uma ilusão” e “O mal-estar na civilização”. In: Edição Standard das Obras Completas de S. Freud. v. 21. Rio: Imago, 1974.

GABEIRA, Fernando. Era uma vez um guardinha vermelho. Folha de S. Paulo, 30/09/1999.  

HOBSBAWN, E. Tempos interessantes: uma vida no século XX. São Paulo: C. Letras, 2002.

HRYNIEWICZ, S. Para filosofar hoje. Rio de Janeiro: (edição do autor), 2001.

JAPIASSÚ, Hinton. & MARCONDES, D. Dicionário básico de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 1991.

KONDER, Leandro. A audácia para rever Lênin. Resenha sobre o livro de Slavoj Zikek “As portas da revolução – Os escritos de Lênin de 1917”. Rio de Janeiro: Boitempo, 2005

KRISTEVA, J. O espírito de revolta. Que revolta hoje? In: Margem, n. 9, jun/1999, p. 99-108.

LOWY, M. Messianismo e revolução. In: A crise da revolução. São Paulo: C. Letras, 1996, p. 395-407. HRYNIEWICZ, S. Para filosofar. 5.ed. Rio de Janeiro: Edição do Autor, 2001.

MAIA, Isabel. O homem revoltado. Disponível em: <http://www.consciencia.org/camusisabel2.shtml>    Acesso em:  30/07/2008.

ROMANO, Roberto. “Terrorismo, um crime imperdoável”. p.38-40. Revista Cult, especial, ano 9, São Paulo, mar/2006. (Para um estudo aprofundado sobre o terrorismo, ver: ROMANO, R. “A razão terrorista”. In: O desafio do Islã e outros desafios. São Paulo: Perspectiva, 2004. Tb: FACES DO FANATISMO. Organizado por Jaime Pinsky e Carla Basssanezi Pinsky. São Paulo: Contexto, 2004).

MONDAINI, Marco. Radicalismo e violência no comunismo chinês. In: FACES DO FANATISMO. São Paulo: Contexto, 2004, p. 206-226.

NIETZSCHE, F. W. A genealogia da moral. São Paulo: Moraes, 1985.

 

ESCRITOS SOBRE A OBRA E BIOGRAFIA DE ALBERT CAMUS NA INTERNET (alguns):

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PRAXEDES, Rosângela. Disponível em: http://www.espacoacademico.com.br/013/13cpraxedes.htm

GUIMARÃES DA SILVA, N.  “A Peste” de Albert Camus: a revolta como ação coletiva e solidária. Disponível em: http://www.fbpf.org.br/cd2/liste_des_auteurs/s/nilson_adauto_guimaraes_silva.pdf

 

[1] Cf.: REBOUL, O. O slogan. São Paulo: Cultrix, 1984. Tb. nosso ensaio: LIMA, R. O poder hipnótico do slogan. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.br/029/29ray.htm>

[2] Para entender o messianismo revolucionário, sugiro ler o ensaio-conferência “Messianismo e revolução”, de Lowy (1996).

[3] Ver meu artigo “A amizade em tempos sombrios”. Disponível em: www.espacoacademico.com.br/056/56rea.htm

[4] Netchaiev teria criado uma moral dos líderes revolucionários do século XX, que em nome da revolução se autorizavam matar os seus camaradas, denunciar pais e professores, sempre justificando sua suposta traição. Segundo Barretto (op,cit.) a grande originalidade de Netchaiev foi a de ter trazido para as atividades revolucionárias a lei da submissão dos revolucionários ao detentor do poder, e nele permanecer o defensor da verdade revolucionária. 

[5] Não confundimos “público” com o “estatal”.

[6] Nietzsche observa que, originalmente, a arte grega era centrada no espírito dionisíaco. No entanto, particularmente com Eurípedes, foi invadida ou envenenada pelo espírito apolíneo. Isto aconteceu quando Eurípedes retirou a importância do coro dos sátiros e bacantes da tragédia. Na tragédia antiga – de Sófocles ou de Ésquilo, por exemplo -, Dioniso era o verdadeiro herói e seus sentimentos eram cantados pelo coro. É o caso de Édipo, de Sófocles, ou do Prometeu, de Ésquilo. Ainda que de forma mascarada, estes heróis personificam o deus Sátiro. Seus dramas, que encerravam a essência da natureza, transportavam os espectadores para um mundo de ‘irrealidade sobrenatural’” (apud HRYNIEWICZ, S. 2001, p. 462). Seria fácil afirmar: contra o espírito apolíneo da revolução, o espírito dionisíaco da revolta. Creio que o diálogo entre revolta e revolução ainda são necessários para os novos tempos.

[7] A história registrou dois exemplos emblemáticos de regramento oficial das expressões humanas: O Código Hays, nos EUA, e o "jdanovismo". (a) O Código Hays (também conhecido como Código de Produção) foi implantado em 1930 e limitou drasticamente a liberdade de expressão dos filmes produzidos nos Estados Unidos. O código consistia em uma série de restrições de caráter moralista impostas aos filmes de Hollywood e foi implantado por uma comissão de censura presidida na época pelo diretor da Motion Picture Producers and Distributors of América (MPPDA), Will H. Hays. A desobediência ao código gerava a perda automática dos canais de distribuição do filme e uma multa de 25 mil dólares (uma fortuna para a época). Com a implantação do Código Hays não era permitido, entre outras coisas, que os filmes exibissem cenas evocadoras de sensualidade: nudez total ou parcial, o beijo “profundo”, as carícias sugestivas, o estupro, as relações inter-raciais, as ligações extraconjugais, a homossexualidade. Eram proibidos os diálogos que contivesse palavrões ou xingamentos e os filmes que mostrassem temas como o aborto, a eutanásia e os viciados em drogas. Não era permitida a apologia ao gangsterismo e ao terrorismo revolucionário. O crime sempre tinha que ser castigado e o final feliz deveria ser moralista. Os artigos do código permaneceram inalterados por cerca de 17 anos, mas, sob a pressão de alguns criadores corajosos, a censura começou a cair a partir dos anos 50. Diante da concorrência da TV e da necessidade dos estúdios de Hollywood trazerem de volta o público aos cinemas americanos, vários artigos foram reformulados em 1955 e depois uma última vez em 1963, antes de ser extinto em 1968 (cf.:http://www.somese.com.br/site/revista/101/P20_cinema.pdf).    (b) O jdanovismo (criado por Andrei Aleksandrovich Jdanov, 1896-1948) se constituía num rígido código ideológico, contribuindo para a implantação do chamado “realismo socialista” cujo propósito era a “educação dos trabalhadores para a formação do espírito socialista entre as massas a pintura exaltava as virtudes do novo regime, e a força do proletário russo, os heróis dos romances eram paradigmas do conformismo, as manifestações culturais dos povos não-russos eliminados como expressões de chauvinismo nacionalista e as correntes de vanguarda das ciências combatidas como ideologias burguesas (entre elas, a biologia de Morgan, a mecânica ondulatória, a física nuclear, a cibernética e a psicanálise).  Jdanov também foi o promotor da ‘genética proletária’ de Lyssenko. Os artistas e cientistas que não se enquadravam na linha ideológica codificada foram depurados.  Os reflexos do jvadovismo foram sentidos no PCF, PCB, entre outros. Reagindo, o escritor Jorge Amado declarou:  "Atrevo-me a dizer que as ditaduras de esquerda são piores, pois contra as de direita pode-se lutar de peito aberto: quem o fizer contra  as de esquerdas acaba acusado[queimado]”  (Cf.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Andrei_Jdanov).

[8] Exemplo de revolta movida pela ignorância da massa, foi a revolta popular contra a vacinação obrigatória antivariólica, ocorrida no Rio de Janeiro em novembro de 1904. Na análise de José Murilo de Carvalho (1987; 2004), seu aspecto mais interessante é que não teve um lado errado e um lado certo, bons e maus. Os dois lados estavam certos, ou os dois estavam errados, dependendo do ponto de vista. "[...] paralelepípedos revolvidos, que serviam de projéteis para essas depredações, coalhavam a via pública; em todos os pontos destroços de bondes quebrados e incendiados, portas arrancadas, colchões, latas, montes de pedras, mostravam os vestígios das barricadas feitas pela multidão agitada". A "multidão agitada" combatia a polícia atirando, jogando pedras, ou o que tivesse à mão, atacava delegacias, quartéis, casas de armas, postos de saúde, destruía bondes e postes de iluminação. Assustado, o governo convocou batalhões sediados em Niterói, Lorena e São João del Rei (CARVALHO, J. M. Razões que se opõem). Ver cap. 4 “Cidadãos ativos: a revolta da vacina”. In: CARVALHO, J. M. Os bestializados. São Paulo: C. Letras, 1987.

[9] Mais precisamente em “O homem revoltado”, Camus declara que: “o socialismo é um empreendimento de divinização do homem e adquiriu certas características das religiões tradicionais (...). “O marxismo pode ser entendido como uma espécie de religião que anuncia um amanhã longínquo”.

   

 

 

 

 

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