JOÃO DOS SANTOS FILHO

Professor da Universidade Estadual de Maringá. Autor do livro “Ontologia do turismo: estudo de suas causas primeiras”, EDUSC, Universidade de Caxias do Sul

 

 

 

Thomas Cook: Marco da Historiografia Dominante no Turismo – Parte I

Ensaio sociológico sobre o surgimento e preconceito ao fenômeno turístico na história

João dos Santos Filho*

 

“Aqui se consome Marx” 

Naturalmente, aqueles que aceitam tacitamente a ideologia dominante como a estrutura objetiva do discurso “racional” e do “erudito” rejeitam como ilegítimas todas as tentativas de identificar as suposições ocultas e os valores implícitos com que está comprometida a ordem dominante. Assim, em nome da “objetividade” e da “ciência”, têm de desqualificar o uso de algumas categorias essenciais do pensamento crítico. (István Mészáros. O poder da ideologia, p.14)

A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais. [...]

Impelida pela necessidade de mercados sempre novos, a burguesia invade todo o globo. Necessita estabelecer- se em toda parte, criar vínculos em toda parte.

[...]

Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos as países. (Manifesto Comunista. Marx, Engels, p. 12)

 

Primeiras indagações

O turismo constitui-se em um fenômeno social, sendo alvo de vários tipos de preconceitos dentro e fora da academia, considerado ainda uma temática que desperta pouco interesse para a pesquisa, tida de baixa relevância no campo das ciências humanas.[1] Apesar de já possuir no interior da academia o status de ciência, em razão dos esforços de vários centros de investigação nacionais e estrangeiros e ter a retaguarda das pós-graduações existentes no país. A pesquisa em turismo ainda é contestada por algumas corporações do ramo do saber que travam, por vezes, uma luta pouco profissional com os percussores do turismo nacional, tentando desqualificá-los e incorporar o turismo a outras ciências como algo inerente de uma essencialidade técnica.

 No cotidiano, a temática do turismo sofre o estereotipo de ser entendida como uma atividade destinada exclusivamente a viagens das classes sociais abastadas. O termo turismo padece de um processo de compreensão elitista, mascarando uma realidade social extremamente desigual que colabora para que o mesmo seja visto como inexpressivo no conjunto das políticas públicas formuladas pelo Estado brasileiro, e podemos dizer Latino Americano.

Em certo período de sua trajetória histórica, o turismo surge marcado por atos em que o “trabalho [aparece] como pena imposta pela justiça divina e por isso os filhos de Adão e Eva, isto é, a humanidade inteira, pecarão novamente se não se submeterem à obrigação de trabalhar.” (CHAUI. 1999 p.10). O trabalho reaparece como um instrumento de salvação dos homens no processo capitalista, e a preguiça ou o não-trabalho, como algo reservado aos vagabundos, vadios e ociosos.

A sociedade, que luta pelo trabalho como salvação para o homem, vai se internalizar no interior da primeira e segunda Revolução Industrial na Inglaterra como pólo irradiador para o mundo da organização das relações de produção e das forças produtivas capitalistas. É nesse momento que o trabalho e o lazer se caracterizam numa categoria mais completa e complexa, isto é, surge como mercadoria com valor de uso e valor de troca configurando-se como uma necessidade biológica/social que evolui posteriormente como um direito social e político do movimento de trabalhadores.

Na atualidade, o fenômeno do turismo ganha espaço na academia e consegue, aos poucos, se desvencilhar dos preconceitos sociais, políticos e econômicos. Esse último enraizado (em parte) na literatura existente de base funcionalista, cujo destaque de seu discurso resume-se ao empirismo, usando a quantificação para mistificar a realidade social e desenvolver um pensamento conformista e acrítico.

O turismo e lazer devem ser considerados como uma das primeiras necessidades básicas biológicas e sociais que influenciaram na luta pela subsistência do homem, na sua existência “de um lado, a produção de meios de existência, de produtos alimentícios, habitação, e instrumentos necessários para tudo isso; de outro lado, a produção do homem mesmo, a continuação da espécie”. (Engels, 1977: 2).

Na história de qualquer sociedade humana, desenvolvem-se atividades rituais, religiosas de base lúdica que são expressas por meio do lazer, e, posteriormente do turismo. Independente do estágio de desenvolvimento das relações de produção, essa manifestação pode estar fundida às atividades de trabalho ou separada, apresentando estágios diferentes de sua manifestação.

Preliminares teóricos para uma reflexão sobre a História do Turismo

Em primeiro lugar, esclarecemos que o nascimento e desenvolvimento de uma ciência do turismo e seu respectivo arcabouço teórico-conceitual só podem ser considerados solidificados, quando permitimos que a movimento de reflexão e da dimensão crítica e dialética caminhe rumo ao questionamento de seus pressupostos e axiomas fundamentais. Portanto, o ato de repensar a historiografia universal existente no campo do turismo aparece como uma necessidade fundamental e decisiva dentro da ciência do conhecimento desse fenômeno.

O processo para delimitar o fenômeno turístico no interior da sociedade é possível com o auxílio da interdisciplinaridade com as outras ciências, bem como, o aparecimento de outras epistemologias para a leitura do fenômeno acabou aumentando a produção dos estudos científicos nesse campo, garantindo um embate acadêmico entre diferentes epistemes.

A contribuição teórica para o entendimento do turismo ganha dimensões cientificistas no campo das ciências humanas e favorece a multiplicação de estudos acadêmicos, enriquecendo o saber turístico, contrapondo-se à leitura hegemônica do turismo, que nega o movimento da história, permitindo o questionamento da historiografia. Esse procedimento abre espaço para que ressurjam as verdadeiras histórias autóctones, sem o perigo de adotarmos uma identidade aceita como universal alheia e estranha a nossa idiossincrasia.

A intenção de procedermos a uma leitura ontológica do fenômeno turístico exige o aporte de uma análise fora dos padrões hegemônicos existentes que ultrapasse as referencias fenomenológicas de base tecnicista. O procedimento para avançar na teoria do conhecimento é o respeito para com outros enfoques epistemológicos que fundamentam a existência de uma academia progressista, produtiva e democrática deve sempre resguardar a busca incansável da verdade cientifica com profundo grau de tolerância diante de outras epistemes, pois é esse procedimento que traz o conhecimento cientifico.

Acreditamos que todo conhecimento se encontra à mercê de interesses que ultrapassam muitas vezes os superiores saberes da ciência, pois é produto de objetivações procedentes do amalgama de questões econômicas, políticas e sociais que compõem o quadro das relações dominantes de um determinado período histórico. Cabe-nos a duvidar de verdades absolutas, aquelas que embarcam no mundo pela visão positivista, por isso há necessidade de buscarmos o entendimento dos fazeres da humanidade como resultado da ação dos homens, produto de sua práxis histórica e social, recolocando Thomas Cook em seu devido lugar na historiografia mundial.

Nesse caso, a história deve ser vista como passível de constantes questionamentos por parte dos pesquisadores, que necessitam exercer a prontidão histórica do novo:

A exigência de rigor científico, indispensável para proteger-se de mitos e fabulações, deve visar a “liberá-los” de tudo aquilo que os deforma e oculta: tornam-se mais precisos os conhecimentos, dá-se a eles uma substância sempre mais rica e objetiva. Tudo isso, longe de reclamar qualquer ”objetividade” da parte do historiador, só pode se realizar através das exigências da luta política. È preciso denunciar em suas raízes políticas as interpretações errôneas e as lacunas voluntárias: elas estão ligadas a práticas de opressão e alienação em benefício do poder e das classes dirigentes. (CHESNEAUX, 1995: 67)

Cabe aos estudiosos e pesquisadores do fenômeno turístico ousar a questionar as visões positivistas de base linear, subvertendo a lógica da historiografia fenomenológica existente, buscando recontar a verdadeira história do turismo e questionar o personagem Thomas Cook, que aparece como preso a uma literatura funcional e sempre descritiva com transcrições semelhantes das existentes em toda literatura de língua portuguesa sobre turismo.

Os esforços são imensos, pois há setores da academia com dificuldades de elaborar questionamentos substanciais às bases históricas existentes do fenômeno turístico, sugerindo que impera um sentimento conformista de um relativismo universalista, em que a hegemonia do discurso busca resguardar a essencialidade positivista.

A historiografia inglesa, quando há interesse, revela a criação de um herói, mesmo que esse personagem tenha sido historicamente objeto de chacota, desconfiança, preconceito, concorrência ou ameaça às facções no interior da classe dominante e das próprias empresas transportadoras em determinado período da história. Além do que o papel desempenhado por tal personagem parece ter sido diminuído por sua atitude de querer popularizar o lazer para as classes de menor renda, pois essa era uma atividade exclusiva das classes abastadas.

Posteriormente, o personagem foi recuperado pelo Estado inglês por interesses estratégicos da ideologia imperialista capitalista. Nesse ponto, parece-nos que a contribuição do geógrafo e historiador Barbosa, aponta para tais questões:

Para Cook, o trem permitiria a realização de viagens para milhares de pessoas, acrescentando ainda que fosse uma forma de influenciar a convivência de diferentes tipos de classes sociais, pois podia transportar todo tipo de gente. Cook talvez tivesse sido o único a defender vantagens para a classe trabalhadora.

[...]

As viagens massificadas de Cook começaram a perder sua autenticidade, com grupos numerosos de pessoas – os turistas – visitando sempre os mesmos lugares, aglomerando-se por onde passavam, sendo muitas vezes alvo de críticas por parte das populações autóctones. Um cônsul britânico na Itália publicou um artigo na Blackwood Magazine, em 1865, no qual atacava virulentamente o turismo de grupo: Esse mal novo e crescente que consiste em conduzir 40 ou 50 pessoas, sem distinção de idade ou de sexo, de Londres a Nápoles ida e volta por empreitada (Urbain, 1993: 33) (BARBOSA, 2002: 55)

Evidentemente a idéia de Estados hegemônicos é uma realidade muito bem estudada pela “Ciência Política” que pode ser percebida na determinação do poder material e simbólico, nas quais as relações de produção mais desenvolvidas estão assentadas, mantendo  sobre as nações menos desenvolvidas estão assentadas, mantendo sobre as nações menos desenvolvidas um processo de subordinação, pois surge uma pressão concreta de impor a ideologia dominante como padrão do pensamento para a humanidade.

O desconhecimento da existência de diferentes realidades como produto de especificidades econômicas e culturais distintas e próprias leva os homens a acreditarem em um processo de padronização histórica, esquecendo-se que o mundo é produto de diferentes tipificações materiais que se explicam segundo o estágio de desenvolvimento das relações de produção e forças produtivas. Essa premissa substancia-se na lógica da dominação material que determinará valores espirituais universais para todas as classes sociais do mundo.

A história do turismo mundial foi escrita por meio de uma lógica determinada no interior das relações de produção que vão privilegiar o Estado Inglês que, nesse momento, invade o mundo com sua produção de mercadorias, por ser o mais emergente economicamente naquele período histórico e gerando um domínio imperialista do saber universal no campo do turismo. Transmitindo conhecimentos tidos como verdadeiros, segundo o desenvolvimento das relações de produção e das forças produtivas, que expressam o desenvolvimento econômico e social daquele país para o mundo.

O movimento da história entendido a partir da luta de classes vai construir modos de produção ao longo da existência da humanidade, facilitando o aparecimento de Estados hegemônicos que vão escrever uma história universal:

Assim, se em Inglaterra se inventar uma máquina que na Índia ou na China, tire o pão a milhares de trabalhadores e altere toda a forma de existência desses impérios, essa descoberta torna-se um facto da história universal. (MARX, 1976: 45)

A magnitude de um Estado, nas dimensões de seu poder econômico, político e cultural, só podem ser entendidos, por sua autonomia e força material perante os outros. Essa dimensão surge em virtude da produção e da circulação da mercadoria, como oportunamente afirma Marx:

Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material dominante numa dada sociedade é também a potência dominante espiritual. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos meios de produção intelectual; de tal modo que o pensamento daqueles a quem são recusados os meios de produção intelectual está submetido igualmente à classe dominante. (MARX, 1976: 55)

Com isso, em parte, podemos entender em parte o porquê Thomas Cook aparecer de forma hegemônica na literatura universal relativa ao turismo, como o pai dessa atividade organizada. Não negamos a importância de seus feitos, pois os mesmos expressam o poder econômico e político de uma Inglaterra em pleno desenvolvimento das suas forças capitalistas, como potencia industrial, agrícola, marítima e ferroviária, em que as bases do sistema começam a adquirir maturidade e se faz presente no dia-a-dia de uma população com grande possibilidade financeira, pois a burguesia, classe, media e uma parte do proletariado conquistaram certa mobilidade geográfica, podendo freqüentar uma rede hoteleira e gastronômica em expansão, e estalagens de todos os preços e tipos em espaços geográficos diferentes.

Em assim sendo, a Inglaterra estava na frente com, um turismo empreendedor*, pois esse país apresenta um desenvolvimento em todas as áreas, havendo uma população ávida para o consumo do lazer e do turismo, como podemos perceber na descrição dada pelo historiador David Landes:

Os visitantes maravilhavam-se com o alto padrão de vida do inglês: chalés de tijolo, telhados de telha, roupa de lã, sapatos de couro, pão branco (podem-se acompanhar as crescentes rendas da Europa em processo de industrialização pela fronteira do pão branco). Viram mulheres trajando vestidos de algodão estampado e usando chapéu; jovens criadas que se pareciam tanto com as suas patroas que a visita estrangeira ficava na dúvida sobre como dirigir-se à pessoa que vinha abrir-lhe a porta. Viram gente pobre, dizem-nos, mas não misérables; nada de pedintes famintos, de faces encovadas. (LANDES, 1998: 246)

Com isso, não negamos o valor contemporâneo de Thomas Cook, seu papel no desenvolvimento do turismo num determinado momento da história, o que rejeitamos é a tentativa da historiografia Inglesa, em conjunto com parte da historiografia nacional, de supervalorizar esse personagem, como se o fenômeno do turismo fosse natural da Inglaterra. Colocando a história nacional desprovida de qualquer sinalização deste fenômeno, na verdade, submetemo-nos a adotar e a fazer a leitura da história nacional segundo as idéias dominantes do colonizador.

A base desse processo de dominação, no campo das idéias, tem suas raízes na evolução do pensamento burguês que como mencionamos, não está descolado da realidade social, ou melhor, é produto da mesma, pois os interesses de uma classe são sempre colocados no plano da história mundial. Tal lógica atende aos interesses do Capital que esta sinalizando e monitorando seu percurso para acumulação de mais-valia.

Portanto, a história universal é produto de uma falsificação induzida por interesses que contribuem com a idéia de manter o status quo das classes que servem à manutenção do sistema econômico, político e social burguês. Com isso quero afirmar que:

Os pensadores desta época têm ao mesmo tempo um senso sutil e robusto da realidade, e seus próprios erros dependem da história mundial, porque são oriundos de ilusões heróicas que correspondem a necessidades históricas. (LUKÀCS, 1979: 32)

Essa preocupação em produzir uma história permissível, descritivo e acrítico, em que “o passado deve governar o presente”, atende ao pensamento positivista como elemento filosófico da explicação da realidade e acomoda os interesses do Capital no sentido que a dominação de classes que deve ser preservada pelo conjunto de idéias do passado. Esse processo apresenta um desprezo total pela luta de classes, pois a história para eles são os ensinamentos do passado e não resultado do trabalho vivo, como diria a historiadora Déa Ribeiro Fenelon: “A história é só a voz do passado e o museu das antiguidades”.

Na verdade o que ocorre é que o Estado mantém uma política de controle da realidade que lhe dá autonomia para exercer sua perpetuação no aparelho ideológico e repressor de Estado. E com o aparato instrumental que possui desenvolve uma prática de guardiões do poder do Capital, por meio do cerceamento do pensamento livre e crítico, pois:

O caráter oficial da seleção dos fatos, (nos livros didáticos) o sentido elitista do processo histórico, com o acento sobre a importância da liderança e a insignificância do povo, a total ausência de espírito crítico, a conformação incontestável ao processo histórico dos vencedores, ensina uma história conformista, com promissória, privilegiada, anti-reformista e conservadora. (FENELON, 1974: 5)

O caráter seletivo de nossa história produz a redução da memória nacional, levando a um processo de esquecimento e negação dos valores de nossa idiossincrasia, induzindo - nos de forma violenta a cultivar preceitos alheios à nossa cultura. Isso reduz nosso nível de politização, pois navegamos em uma história inventada segundo os interesses do Capital, produzindo um comportamento hegemônico de submissão não perceptível, mas presente no cotidiano.

Os interesses nacionais da nação acabam sendo submetidos aos desejos dos países hegemônicos que ditam que tipo de pesquisas devemos realizar e fazem o monitoramento de seus resultados. Esse processo de submissão é atenuado no chamado campo da cooperação econômica no qual o país esta inserido, porem segundo o sociólogo Octavio Ianni em um dos seus clássicos estudos sobre as ciências sociais, comenta o mesmo problema da dependência cientifica:

Conforme verificam todos os que estudam o pensamento Latino-Americano, este sempre esteve fortemente influenciado pelas correntes cientificas e filosóficas européias e norte-americanas. Da mesma maneira que no passado, na atualidade também a produção cientifica e filosófica dos países da América Latina continua a revelar influências acentuadas da produção intelectual norte-americana, francesa, alemã, inglesa etc. (IANNI, 1971: 41)

 

* Bacharel em Turismo, pelo Centro Universitário Ibero-Americano de São Paulo (Unibero) e Bacharel em Ciências Sociais, pela PUC/SP. Mestre em Educação: História e Filosofia da Educação, pela PUC/SP. Professor-convidado na Faculdad de Filosofia e Letras da Universidad Nacional de Heredia (UNA), em San José da Costa Rica. Professor concursado pela Universidade Estadual de Maringá. Autor do livro “Ontologia do turismo: estudo de suas causas primeiras” EDUSC, Universidade de Caxias do Sul.  E-mail  joaofilho@onda.com.br .

[1] Não poderíamos deixar de nos referir à produção literária que o Brasil acumulou desde a década de 70, quando começou a se debruçar cientificamente sobre o objeto do fenômeno turístico. Estudiosos e intelectuais de formação e de outras áreas colaboraram engrossaram neste projeto e indicaram as múltiplas convergências e complementações do fenômeno turístico. Hoje, na América Latina, o Brasil e México detêm parcela considerável da produção do ato de pensar o fenômeno e produzem uma literatura extremamente pertinente no campo da ciência, apesar do preconceito ainda existente em alguns campos do saber.

* Apesar do conceito de empreendedorismo ter se firmado com o neoliberalismo, seu emprego aqui é cabível e serve para podermos caracterizar o feito de Thomas Cook, considerado o ícone ou pai do turismo por diversos pesquisadores que acabam fazendo uma apologia de seus atos no turismo de forma equivocada dando ao mesmo uma categorização exagerada contribuindo para o cultivo de uma história padronizada universalmente que sufoca as histórias nacionais. Esse fato encobre a riqueza histórica dos povos e acaba criando uma história irreal que esta centrada nos interesses de classe dominante.

Entendemos que alerta a essa questão foi percebido pelo geógrafo Ycarim Melgaço Barbosa, quando afirma em seu livro: História das viagens e do turismo. “O que podemos perceber claramente é que, se por um lado Cook teve do ponto de vista empresarial, idéias inovadoras e autênticas [...] Portanto, sob a ótica do capital, Cook via nessa nova atividade, denominada turismo, uma forma de ganhos extraordinários; daí os resultados de seu empreendedorismo.” (Barbosa, p.53 e 54).

   

 

 

 

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