RAYMUNDO DE LIMA

Formado em Psicologia, Mestre em Psicologia Escolar (UGF) e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente é professor do Depto. Fundamentos da Educação, na área de Metodologia da Pesquisa, da Universidade Estadual de Maringá (UEM)

 

 

Que é ser crítico?

(breve ensaio sobre a banalização da crítica)

por Raymundo de Lima*

 

"Eu escrevi o que entendo e os críticos escrevem o que eles entenderam. Eu, por princípio nunca faço comentários sobre as críticas”.

José Saramago

 

"O crítico não deve fazer ataques pessoais e sucumbir ao vedetismo”.

Daniel Piza

 

Espero que todos vocês sejam independentes, inovadores, pensadores críticos que farão exatamente o que eu digo

Há consenso entre professores que o ensino escolar deve desenvolver a capacidade crítica nos alunos. A nova A LDB 9394/96 estabelece que a educação média objetiva “...o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico...”(BRASIL. MEC, 1999,p. 20).

No período da ditadura militar professores podiam ser presos se ensinassem os alunos a serem cidadãos críticos ao regime político vigente, ao capitalismo selvagem etc. Na década de 1980, “a História era disciplina que se encarregava de fazer com que os alunos e professores exercessem o papel de sujeitos ativos na construção do seu conhecimento. Reconhecer e problematizar as experiências vividas pelos alunos e professores são atos imprescindíveis para a construção do conhecimento crítico”, observa Arthur Versiani Machado, do CEFET de Ouro Preto.  

Existe, porém, o problema sobre a compreensão do que é ser crítico. Noutros termos, há muita arbitrariedade no uso da palavra crítica, desde o julgamento popular de uma “situação crítica” até a conceituação originada na filosofia de: “espírito crítico”[1], “pensamento crítico”, “senso crítico”, “atitude crítica”, “postura crítica”, “postura crítica de análise”, “análise crítica”, “capacidade crítica”, “apreensão crítica da realidade”, “concepção crítica”, “sujeito crítico”, entre outras.

Existe uma associação indevida entre crítica com o ato de apontar defeitos ou de “descer-a-lenha” no outro ou na sua obra. Criticar uma obra de arte, uma teoria, os políticos, o governo, o técnico de futebol, o estilo do professor, os alunos, no fundo, consiste tão somente em apontar defeitos? Ou é imprescindível ao crítico investir numa argumentação consistente e fala respeitosa ou polida?

John Passmore (1979) observa que ser crítico não é simplesmente se posicionar contra, por exemplo, disparar contra uma obra ou autor “sua” opinião pessoal (ex.:“não gosto de Picasso”, “ópera é para aristocratas e burgueses”, “música x é chata”), ou usar argumentos estereotipados ou falaciosos sobre um determinado sistema de idéias que ele discorda.

Há professores cujo estilo vulgar de ser crítico levam os alunos reproduzirem o seu modo estereotipado de opinar sobre as coisas sem pensar autocriticamente. Segundo o autor acima, esse processo de pseudo ensino crítico chama-se doutrinação. Por exemplo, diante de uma pintura abstrata o aluno é levado a responder  automaticamente: “Isso é decadente”. Ou, ao assistir um curso cuja linha teórica lhe desconcerta, o aluno que foi doutrinado fica com cara de paisagem, isto é, reage com os mecanismos da indiferença e das respostas estereotipadas para si e para os outros. 

*          *          *

Curiosidade: o crítico contumaz, assim que chega ao poder (prefeito, diretor de escola, reitor, etc), tende a deixar de ser crítico. Agora ele faz discursos sobre suas realizações. O prefeito aproveita qualquer oportunidade da mídia para divulgar suas obras na cidade. O diretor da escola escreve panfletos para sua comunidade divulgando mudanças radicais em sua gestão na escola. O reitor se empenha em fazer bons discursos para mudanças cosméticas da  universidade. Assim, a crítica vale apenas para o outro, jamais deve se voltar para si próprio.

O exagero dos discursos das realizações zeradas de autocrítica leva-os a cair na vala do ridículo. Um diretor de escola – conhecido por bater no peito ser comunista  – revela seu lado ridículo ao fazer um discurso plagiando o estilo malufista, por exemplo, ao enumerar suas obras e mudanças radicais na escola. Um prefeito do PP ou DEM fica ridículo querendo se passar por “popular” ou “democrata”. 

Desse modo, a experiência demonstra que o crítico contumaz ao sistema político-econômico, uma vez no governo, se burocrática, passa a gozar de benefícios do poder, e também do auto-engano produzidos pelo cadáver de sua crítica. Se fosse evocado o fantasma desse cadáver talvez lhe dissesse: o mal são os outros que não abdicaram de seu espírito crítico.

Criticar x Achincalhar: as vias do direito

Forma comum de perverter o sentido de crítica é o achincalhe. O Dicionário diz que: achincalhar é ridicularizar, humilhar, chacotear, debochar, escarnecer. Há achincalhe quando o alvo do ataque é a pessoa, não suas idéias. O achincalhador lança mão de todos os estratagemas que foram elencados minuciosamente por Schopenhauer em sua “Arte de ter razão”.

Segundo Ricardo Antônio L. Camargo, “também se configura o achincalhe quando se imputa a alguém fato depreciativo e inverídico ou quando se lhe diz algo gratuitamente ofensivo à dignidade e ao decoro...Quando o fato imputado constitui crime, estamos diante do tipo calúnia. Quando o fato é meramente ofensivo à reputação, estamos diante da difamação. E quando se ofende a dignidade e o decoro de alguém, sem lhe imputar fato, o que se faz é injuriá-lo”. Obs.: Se for configurado crime de calúnia, difamação, e injúria, a vítima pode processar o agressor na justiça.

Portanto, crítica digna deste nome se expressa por argumentos consistentes, fundamentados, e não em ataques pessoais ou achincalhes. Reforçando o já dito, a verdadeira crítica não visa à pessoa, mas o seu enunciado; há o objetivo de contribuir para desvelar o sentido de um discurso ou obra, bem como revelar as artimanhas e a técnica usada pelo autor.

O achincalhe “é sempre corrosivo, é sempre destrutivo, é sempre a base de todos os conflitos que extrapolem motivos puramente materiais. Estereótipos, preconceitos e mesmo ódios passam a ser considerados como o metro pelo qual se medirá a bondade ou a maldade das condutas ou mesmo das pessoas”, analisa Camargo.

Numa reunião, por exemplo, alguém pode criticar uma nova medida administrativa sustentando certos argumentos, outro, carente de argumentos ou querendo se passar como mais “crítico” ataca o primeiro na sua integridade pessoal ou moral, religiosa, sexual, política, ou visa atingir sua cor de pele. O primeiro caso há crítica verdadeira, porque confronta argumentos com (contra)argumentos. Mas o  segundo  não passa de falsa crítica, tanto porque falta-lhe argumentos verdadeiros, e, sobretudo, porque o suposto crítico “joga pra galera”, faz política baixa ou  politicagem com um discurso vazio visando agradar um determinado grupo.

Atacar o oponente com golpes baixos (retórica com falácias, gestos teatrais, lágrimas de crocodilo, se colocar como vítima), não visa a verdade, mas sim, tem a intenção de destruir a pessoa ou idéia. Portanto, é achincalhe quando o suposto crítico “joga pra galera” frases de efeito como:  “ele é de direita”, “você é comunista”, “fulano é neoliberal”.  Geralmente tais frases vêm acompanhadas do estilo debochado, visando despertar risinhos amarelos no grupo caído na rede dos objetos falseados do achincalhador.

Critica e falsa crítica no ambiente de ensino

Um palestrante pode tanto criticar a obra como achincalhar sua pessoa, ou usar de deboches e sarcasmos visando destruir sua obra ou sua imagem pessoal perante a audiência. Cabe aos ouvintes ficarem de prontidão genuinamente crítica tanto para resistir ser doutrinado como para denunciar as falácias e promover a “dialética do esclarecimento” junto ao público.

Na escola, está se tornando freqüente alunos e pais desrespeitarem a professora. Confrontados, eles argumentam que estão apenas criticando o seu trabalho. Ora, se há desrespeito, estão achincalhando-a. O desrespeito não faz parte da verdadeira crítica. Eles poderiam criticar – com polidez e usando argumentos –, sem ofender ou desrespeitar. A professora tem o direito de se defender, também com polidez, usando argumentos e observaando o regulamento da escola.

O estilo crítico-cricri adotado por alguns alunos supostamente politizados e ansiosos em questionar-por-questionar também podem trair o propósito de verdadeiramente criticar. O aluno cri-cri imagina que basta discordar, ou ser do contra, ou estigmatizar o professor disso ou daquilo em vez de apresentar os fundamentos de sua suposta crítica.

Alguns professores acham chato esse tipo de aluno crítico-cricri, porque atrapalha a aula com falas estereotipadas e recortes de um discurso ideológico geralmente  fora do contexto da discussão. Tais alunos costumam seguir uma idéia-guia ou teoria totalizante que para eles “explica tudo” e sabe como “resolver todos os problemas do mundo”. Provavelmente o estilo cri-cri se rendeu aos encantos de um mestre panfletário e se vê convicto de ter encontrado “a verdade toda”. De acordo com os quatro discursos propostos por Lacan, estamos tratando, aqui, do “discurso universitário”, que se autoriza a partir de textos e autores venerados para impor seu saber a outro (o aluno-estudante) e visa produzir nele um contestador com ou sem causa.

O aluno cri-cri incomoda, sem dúvida, mas, pior mesmo é o aluno que passou dessa condição para ser um fanático mudo, onde o juízo crítico lhe foi abolido. Nele, a passagem ao ato[2] é iminente. (ver nos “arquivos do autor” o artigo  “Miséria do discípulo).  Para desarmar o dogmatismo falante Sócrates recomendava humor e ironia. Em vez de irritá-lo, contradizendo seus argumentos no mesmo nível, o verdadeiro professor deve escutá-lo com paciência, tolerância, disposição para o diálogo e questionamentos pontuais que contribuem para abrir o seu pensamento. Todavia, ao fanático mudo, que se leva muito a sério, com suas certezas absolutas, Amós Oz recomenda apenas usarmos o humor.

Crítica na filosofia e na ciência

Ainda que o cientista, ao fazer ciência, sabe que não faz “a”ciência, mas tão somente ele faz um enfoque, um ponto de vista, uma interpretação de uma dada realidade construída por ele, a atividade científica mais importante é crítica constante desta produção (DEMO, 1981, p. 25 – negrito meu). 

Uma crítica apenas sustentada no argumento de autoridade é uma falsa crítica. Pode ser sustentada nos grandes nomes (Marx, Freud, Vigotsky, etc), mas o enunciado pretensamente teórico não passa de uma crendice nessas autoridades tomadas como infalíveis. Especialmente nas Ciências Humanas e Sociais tais “monstros sagrados” do pensamento são abusivamente evocados com uma espécie de cobertor curto para explicar toda ordem de problemas da realidade concreta. Para Demo (op.cit.), eles são substitutos modernos da justificação dogmática, típica da abordagem teológica.

Karl Popper considera o pensamento crítico como sendo não apenas um ideal básico da educação, mas a pedra fundamental da atividade intelectual consciente – especialmente da atividade científica. Na filosofia das ciências, Popper considera que “o ato de criticar e a discussão crítica são nossos únicos meios de aproximação da verdade”[3]. Para esse autor, a ciência se diferencia da pseudociência não por fornecer certezas, mas por sua abertura à crítica e a possíveis refutações. Assim, a atividade científica está sustentada na criticidade, mais exatamente no princípio de autocriticidade, que Popper denomina de “falseabilidade”[4].

Como já foi dito, a verdadeira crítica não se preocupa com apontar defeitos no autor, mas se preocupa em apresentar um saber e uma avaliação aberta do próprio crítico sobre uma obra ou opinião. Ou seja, ainda que use um tom avaliativo, a crítica deve evitar tanto a pretensão de uma objetividade sobre uma obra como se deixar levar pelos sentimentos de amor, ódio, inveja em relação ao seu autor. Trata-se de encontrar uma medida de ser critico, “aberto” tanto na análise como na disposição para o debate plural.

Enquanto a ideologia é a “lógica do silêncio, da ocultação, do camuflamento e da dominação” (CHAUI, 1982), a ciência valoriza a dúvida, suspeita do que é apresentado como verdade absoluta, e, ainda  procura fundamentar seu argumento “crítico” em algum pressuposto teórico e/ou práxis do sujeito crítico-e-autocrítico.

Para Eduardo Luft (2002, 2003) “quem critica (...) tem de carregar consigo alguns pressupostos, pois a crítica pela crítica, ancorada em um suposto vazio, é antes um tipo de ceticismo arbitrário, uma forma velada de dogmatismo”. Portanto, a verdadeira crítica não se preocupa em apontar as falhas que parecem naturais somente ao outro, mas sim, ela se ocupa com os pressupostos de sua fundamentação e de sua própria autocrítica. 

Concluindo.

A educação pode tanto ser direcionada para a doutrinação como para a libertação. Só uma educação voltada para a formação do pensamento crítico pode contribuir para a libertação e autonomia do sujeito.

Portanto, há que ser verdadeiramente crítico em relação a tudo, e nesse caso o crítico poderia até ser acusado de criticismo, lembrando a linha filosófica de Kant. Desde que a crítica se sustenta em argumentos, tem fundamento, é respeitosa, tudo bem. Entretanto, a pessoa crítica contumaz tende a ser desagradável, observações fora de lugar e hora. Ninguém suporta uma pessoa cricrizando tudo e todos, sempre.

Bom senso, ética-moral, elegância no dizer, ter coragem de fazer autocrítica, devem ser imprescindíveis ao crítico genuíno. O bom senso orienta que, antes de atirarmos a primeira pedra crítica devemos nos colocar no lugar do criticado. Infelizmente, no mundo globalizado, parece estar desaparecendo essa qualidade – e arte[5]  –  de se colocar no lugar do outro, que a psicologia denomina empatia.

 

Referências

CHAUI, M. O que é ideologia. 9.ed. São Paulo: Brasiliense, 1982.

CHEMAMA, R. Dicionário de psicanálise. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

DEMO, P. Metodologia científica em Ciências Sociais. São Paulo: Atlas, 1981.

LENE, Hérica. Arte de se colocar no lugar do outro. Disponível em: <http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=407DAC001>. Acesso em: abril/2008.

LIMA, Raymundo de. Educação no Brasil: o pensamento e atuação de José Mário Pires Azanha. 2005. 296f. Tese de Doutorado em Educação. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

LUFT, Eduardo. Conhecimento e criticidade. In: Um paradigma para a Escola do Século XXI?...Dimensões Epistemológica. Revista de Educação AEC. Brasília: AEC, 2002.

PASSMORE, John. “Ensinando a ser crítico”. In: PETERS, R. S. The Concept of Education. [trad.: Nélio Parra]. Londres: Routledge & Kegan, 1979.

PIZA, Daniel. Jornalismo cultural. Editora Contexto: 2003.

POPPER, K. A lógica da Pesquisa científica. [trad. Leônidas Hegenberg e Octanny Silveira da Mota]. São Paulo: Cultrix, 1972.

SIEGEL, Harvey. Pensamento crítico como um ideal de educação. In: The Educational Fórum, v. XLV, n. 1, nov.1980, p. 7-23. [Trad. De Riva Roitman/ Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo - apostila].


 

[1] O Vocabulário da Filosofia de Lalande registra que: “espírito crítico” é não aceitar nenhuma afirmação sem se interrogar primeiro sobre em que pressuposto essa afirmação está assentada, tanto do ponto de vista do conteúdo (crítica interna) como do ponto de vista da origem (crítica externa).

[2] Na “passagem ao ato” é quando o sujeito se oferece ao Outro, “lugar vazio do significante, como se esse Outro se tivesse tornado, para ele, imaginariamente encarnado, e pudesse gozar com sua morte. (...) é jogo cego e negação de si mesmo; constitui a única possibilidade, pontual, para que um sujeito se inscreva simbolicamente no real desumanizante. É, com freqüência, a repulsa a uma escolha consciente e aceita, entre a castração e a morte. É uma revolta apaixonada contra a incontornável divisão do sujeito. É a vitória da pulsão de morte, o triunfo do ódio e do sadismo. Também é o preço muito caro, sempre pago para sustentar inconscientemente uma posição de domínio, na alienação mais radical, pois o sujeito está até mesmo prestes a pagá-la com sua vida”. (CHEMAMA, 1995, p. 8-10).

[3] Citado por Siegel, 1980.

[4] A falseabilidade ou falsificabilidade (in: Falsifiabilibty; al.: Fälschungsmöglichkeit), e não a verificabilidade – usada pelos positivistas – é o principal critério de demarcação entre a ciência e a pseudociência, segundo Popper. A falseabilidade é definida como a propriedade que um enunciado ou uma teoria têm de serem refutados pela experiência. Na filosofia da ciência de Popper, a falseabilidade é um grande mérito de uma teoria científica genuína, enquanto que as pseudociências (especialmente a psicanálise e o materialismo histórico) não são falsificáveis. Segundo Popper, uma teoria científica deve ser ousada e conjectural, e deve ir além dos dados empíricos disponíveis, desde que seja refutável. Se tudo o que pode acontecer for compatível com a teoria, então ela deixa de ser uma teoria científica e é, por exemplo, uma ideologia ou uma questão de fé”. (BLACKBURN, S. Dic. Oxforde de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997: 142-3). A exposição detalhada do critério da falseabilidade está no capitulo I de “A lógica da pesquisa científica”(POPPER, 1972), onde o autor registra: Não exigirei que um sistema científico seja suscetível de ser dado como válido, de uma vez por todas, em sentido positivo; exigirei, porém, que sua forma lógica seja tal que se torne possível validá-lo através de recurso a provas empíricas, em sentido negativo: deve ser possível refutar, pela experiência, um sistema científico empírico” (POPPER, Ibid.:  42). 

[5] Cf. artigo de Hérica LENE. Arte de se colocar no lugar do outro. Disponível em: <http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=407DAC001>.

   

 

 

 

 

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