por ANTONIO MENDES DA SILVA FILHO

Doutor em Ciência da Computação (UFPE)

 

Criatividade em ação: dados, determinação e desejo na tomada de decisão e solução de problemas

por Antonio Mendes da Silva Filho

 

“I think and think for months, for years; 99 times the conclusion is wrong, but the hundredth it is right.”

Albert Einstein

 

Tomar decisões e solucionar problemas faz parte do cotidiano das pessoas nos mais variados contextos como, por exemplo, no lar, no trabalho, e demais momentos da vida. Você pode encontrar-se num processo de seleção de candidatos e dispor de aproximadamente 10 minutos para entrevistar cada candidato, considerando que haja 50 candidatos a serem entrevistados num período de 8 horas num único dia. Note que em tal situação, você estaria selecionando uma pessoa com a qual você iria trabalhar durante os próximos 5 anos. Numa situação como essa, o avaliador tem em mãos um conjunto de informações contidas no currículo do candidato e de outros documentos exigidos de todos os candidatos. Entretanto, você dispõe de apenas 10 minutos para entrevistar cada candidato.  Tomar a decisão de qual candidato selecionar levará em conta todos os dados apresentados pelos candidatos, mas também contará com algo mais: a criatividade e intuição do entrevistador.

Similarmente, há outras situações do cotidiano como a decisão de uma aplicação financeira ou compra e/ou venda de lote de ações, decisão de casar-se, aquisição de bens ou, até mesmo, durante as compras em lojas dos mais variados segmentos. Cada uma dessas situações tem suas peculiaridades, exigindo decisões adequadas ao contexto. Considere a situação onde uma tomada de decisão de negócios é importante. Numa situação como essa, um diretor de empresa, ao tomar uma decisão, leva em conta informações sobre tendências, medidas de desempenho em um determinado segmento de mercado que esteja sendo considerado, além de resultados de análises. Embora todas essas informações possam estar disponíveis ao tomador de decisão, a informação sobre tendências em si não tomará a decisão para o diretor. As medidas de desempenho e análises podem impelir o tomador de decisão a levantar mais questões, desejando saber o que aconteceu em determinadas situações, mas essas informações não dirão a ele(a) o porquê dos dados. Perceba que essas informações oferecem suporte às decisões de negócios, mas não definem o ‘como’. Há, em tal situação, a necessidade de um plano que contemple os objetivos e prioridades, consideradas cruciais, em um negócio.

Em um outro contexto, um educador pode apresentar problemas a seus alunos, exigindo soluções padrões, rígidas e até ortodoxas. Tal atitude pode ser resultado de uma habilidade intelectual limitada do educador, o qual pode apenas conhecer aquela solução padrão (exigida por ele). Todavia, ao agir dessa maneira, o educador estaria penalizando àquelas pessoas criativas que, normalmente, exploram ou buscam informações adicionais, além daquelas fornecidas pelo educador, para solução de problemas. Uma atitude esperada seria o educador estimular seus estudantes a explorarem soluções criativas de problemas. Por exemplo, um educador pode apresentar problemas com informações incompletas a fim de forçar os estudantes a buscarem por informações adicionais necessárias. Em tal situação, eles seriam motivados a buscar a informações que necessitam. Outra alternativa é solicitar os alunos ensinarem um assunto novo que eles deveriam aprender. Eles irão buscar não apenas aprender o conteúdo para apresentar, mas também criar maneiras de ensinar esse novo assunto e nesse momento, eles estarão colocando a criatividade para trabalhar. O resultado é impressionante. Eles simplesmente adoram. É importante encorajar os estudantes a buscarem por soluções criativas ao invés de exigir soluções prosaicas. Note que atitude similar pode ser feita no âmbito de uma empresa junto aos funcionários. Experiências e relatos mostram o quanto eles querem participar, sentirem-se reconhecidos, além de ter a produtividade aumentada.

Tomar decisões quando existem dados é uma tarefa factível desde que haja disponibilidade de tempo. Mas, note que mesmo quando se dispõe de tempo, é ainda necessário e muito, haver vontade, desejo, bem como determinação para decidir. Caso contrário, uma tomada de decisão adequada não é possível. Nesse sentido, três elementos (dados, determinação e desejo) são essenciais ao intelecto humano no processo de tomada de decisão, bem como na solução de problemas. Todavia, há situações onde as pessoas se deparam com elevado grau de incerteza, onde não há precedentes, onde se lida com variáveis não controladas, onde há uma disponibilidade limitada de dados, onde há restrições de tempo e onde há uma ‘paralisia’ face à quase impossibilidade de ações. Neste segundo cenário, a criatividade aliada à intuição humana tem sido uma alternativa, freqüentemente, empregada na tomada de decisão e solução de problemas.  Vale destacar os variados contextos onde uma decisão criativa ou intuitiva pode ocorrer. Nesse sentido, há situações do cotidiano das pessoas e profissionais de diversas áreas, destacando os fatores determinantes de decisões e soluções de diversas naturezas. Considero que existe três pilares ou D’s (dados, determinação e desejo) da tomada de decisão e solução de problemas que atuam em conjunto com a criatividade nesse processo. A Figura 1 ilustra a dinâmica do processo criativo humano, o qual é composto de três etapas: análise, mapeamento e síntese.

Figura 1 – Dinâmica do processo criativo.

Perceba que o intelecto humano compreende vários fatores, sendo a criatividade um dos mais importantes. A criatividade é um ‘combustível’ essencial à tomada de decisão que requer três pilares ou D’s (como costumo expor), compreendendo dados, determinação e desejo, os quais podem ser igualmente empregados na solução de problemas. Perceba que eles se relacionam entre si e há a necessidade desses três pilares coexistirem. A inexistência de um deles significa uma decisão inadequada.

 

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