por ANTONIO MENDES DA SILVA FILHO

Doutor em Ciência da Computação (UFPE)

 

Gestão do conhecimento: diferencial de competitividade das empresas na era da supremacia da informação

 

“... o centro de gravidade da força de trabalho está mudando do trabalho especializado para o trabalho do conhecimento. E o trabalho do conhecimento exige flexibilidade e a capacidade de continuar aprendendo.” Peter Drucker.

 

Hoje vivemos na era onde ocorre a supremacia da informação. Isto implica na necessidade de prover, de modo contínuo, informação customizada em questões de minutos, bem como de assegurar acesso rápido e seguro a informação, além de oferecer diferentes níveis de informação em conformidade com as necessidades dos perfis dos usuários. Como lidar com essa situação?

O cenário descrito acima requer a gestão do conhecimento que visa oferecer uma abordagem sistemática para identificar, gerenciar e compartilhar artefatos de informação das organizações. Esses artefatos compreende as bases de dados, procedimentos e políticas de organizações, além do conhecimento do profissional da informação (ou seja, aquele profissional que trabalha com informações que são essenciais a operação da empresa).

Note que a capacidade de compartilhar uma ‘consciência organizacional’, criar conhecimento, e prover suporte a colaboração irá transformar a vantagem da disponibilidade da informação em vantagem operacional para as empresas. Portanto, as principais necessidades críticas das empresas compreendem:

  • Reusar artefatos de informação;

  • Fazer a junção de informações de múltiplas fontes gerando conhecimento;

  • Ter acesso ao status (baseado em conhecimento) de condições, planejamentos e execuções;

  • Gerenciar, compartilhar e compreender o extenso volume de informações relevantes;

  • Rapidamente (re)configurar aplicações (i.e. fazer um asset assignment em tempo real)

  • Prover interoperabilidade com sistemas legados;

  • Planejar e avaliar fazendo uso de informações aproximadas, incompletas e erradas;

  • Dispor de ferramentas automatizadas de suporte analítico para trabalhar com conjunto de fatos discrepantes e incompatíveis para chegar a soluções e/ou conclusões válidas.

Perceba que o conhecimento organizacional é, em sua grande maioria, tácito e resultante de serendipismo. Conhecimento não é algo estático, e sim dinâmico. Ele também é evolutivo em termos de qualidade e quantidade. Adicionalmente, a gestão de conhecimento deve considerar também a diversidade cultural e humana dos profissionais.

Dessa forma, as empresas necessitam tornar as tarefas mais produtivas. Isto visa eliminar duplicação de esforços e a automação do previsível, eliminando desperdício de tempo, economizando esforço e aumentando produtividade. Todavia, as tarefas do profissional da informação têm uma característica distinta: o seu produto ou resultado compreende idéias, dados, informações, documentos e conhecimento.

Em um estudo realizado por este autor, foi verificado que os profissionais de informação gastam cerca de 10 horas por semana realizando atividades tais como elaborar documentos, realizar busca de informações, editar ou revisar documentos, arquivar e organizar informações ou documentos, e leitura e resposta de correio eletrônico (emails). Considerando um salário bruto de um profissional de informação de R$ 4.000,00, esse tempo resulta, aproximadamente, num custo semanal de R$ 250,00 e anual R$ 12.000,00 para empresa. E, observe que este é o custo de um único profissional.

Abaixo, é apresentado um conjunto de metas que uma organização pode customizar visando começar um projeto piloto de um sistema de gestão do conhecimento:

  • Definição de um modelo de gestão de informação e conhecimento

  • Definição de mecanismos de gerenciamento

  • Definição de mecanismos de manipulação e unificação de múltiplas fontes de informação

  • Definição de mecanismos de busca por conteúdo e metadados

  • Definição de mecanismos de acesso e visibilidade de artefatos

  • Análise e projeto arquitetural do sistema

  • Implementação do protótipo do sistema

  • Implantação do sistema

Note que as etapas acima compreendem sugestões e, portanto, devem ser adaptadas a cada empresa. Além disso, um aspecto essencial e difundir a cultura da colaboração entre os profissionais da organização.

Cabe ainda salientar que a gestão do conhecimento permite tornar a informação coletiva e experiência dos profissionais disponíveis para diversos segmentos da organização de forma a melhorar o desempenho na execução de atividades. Além disso, a automação de atividades de coleta e categorização de informações e reuso de artefatos de informação visam também otimizar o desempenho operacional de uma organização. Entretanto, vale ressaltar que não se consegue instituir a gestão do conhecimento numa organização em um único passo. Trata-se de um processo evolutivo a fim de gradativamente criar a ‘cultura’ do compartilhar o conhecimento e colaborar.

Leitores interessados no tópico podem encontrar mais informações no sites:

Gestão do Conhecimento: Sobre a Importância da Extração da Informação

Os Três Pilares da  Gestão do Conhecimento

Inovação Orientada para o Desenvolvimento Humano: O ‘Negócio’ das Empresas no Brasil

Criatividade no Ambiente Corporativo

por ANTONIO MENDES DA SILVA FILHO

   

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