por JOÃO DOS SANTOS FILHO

Bacharel em Turismo pelo Centro Universitário Ibero-Americano de São Paulo (Unibero) e bacharel em Ciências Sociais pela PUC/SP. Mestre em Educação: História e Filosofia da Educação pela PUC/SP. Professor-convidado na Faculdad de Filosofia e Letras da Universidad Nacional de Heredia (UNA), em San José da Costa Rica. Professor concursado pela Universidade Estadual de Maringá. Autor do livro “Ontologia do turismo: estudo de suas causas primeiras” EDUSC, Universidade de Caxias do Sul. 

 

 

 

Mouro desmistificou a riqueza e deu (a)deus à miséria: a educação no interior da família Marx 

(I)

 

III – Saudação

(Ave Miséria)

Salve, Miséria, que esmagais e que domesticais o trabalhador, que rasgais as suas entranhas pela fome, torturadora infatigável, que o condenais a vender a sua liberdade e a sua vida por um bocado de pão; que quebrais o espírito de revolta, que infligis ao produtor, à sua mulher e aos seus filhos os trabalhos forçados das galés capitalistas, Salve, Miséria, cheia de graça.

Virgem santa, que gerais o lucro capitalista, deusa temível que nos entregais à classe envilecida dos assalariados, bendita sejas.

Mãe terna e fecunda do supertrabalho, geradora de rendimentos, velai por nós e pelos nossos.

Amém.

(Paul Lafargue. “O direito à preguiça e outros textos.” Editorial Estampa. Portugal, p. 192 e 193, 1977).

Todos los acontecimientos que tienen lugar por una necesidad natural traen su consuelo con ellos, a pesar de lo terribles que puedan ser. Así sucedió en este caso. La experiencia médica habría podido proporcionarle algunos años más de una existencia vegetativa, la vida de un ser indefenso que no moriría de repente – el triunfo del arte de la medicina -, sino pulgada a pulgada. Pero nuestro Marx jamás habría podido soportar eso. Haber seguido viviendo con todas sus obras sin concluir ante él, atormentado por el deseo de terminarlas y, sin embargo, incapaz de hacerlo, habría sido mil veces más amargo que la dulce muerte que le sobrevino.  

(Philip S. Foner. Cuando Carlos Marx murio.  Engels a Sorge em 15 março de 1883. Editorial de Ciencias Sociales. Habana,1984, p. 19. )

“Os filhos deviam educar os pais”

(frase atribuída a Karl Marx, segundo seu genro Paul Lafargue no livro de Erich Fromm. Conceito marxista do Homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1962, p. 210)

 

Resumen

El presente texto retrata la relación de Karl Marx en el interior de su espacio familiar, su convívio con esposa e hijos, bien como, los sentimientos que el mismo poseía para con la situación de miseria y pobreza de la población trabajadora.

Considerado como uno de los mayores pensadores contemporáneos de este siglo, consiguió estudiar científicamente las condiciones objetivas de la exploración del sistema económico y político capitalista. Demostrando históricamente como van se cristalizando las relaciones de trabajo para mujeres y niños. En ese contexto, Marx muestra extrema sensibilidad al relatar la vida cotidiana de esas personas, discurriendo sobre sus condiciones de exploración y la capacidad del capitalismo en transformar  todo en cosas (objetos), mera mercancía.

Aquel que llamó para si las iras del capital quedó siendo maldecido por los dogmas del capitalismo y clasificado como inmoral, rudo, autoritario, materialista demoníaco y dictador. Estos atributos han reproducidos una literatura y una percepción histórica donde Kart Marx es tenido como pernicioso, satánico y comunista.

Palabras clave: Karl Marx; Familia Marx; Capital; Método de la economía política; Relaciones familiares.

Resumo

O presente texto retrata a  relação de Karl Marx no interior de seu espaço familiar, seu convívio com esposa e filhos, bem como, os sentimentos que o mesmo possuía para com a situação de miséria e pobreza da população trabalhadora.

Considerado como um dos maiores pensadores contemporâneos deste século00 conseguiu estudar cientificamente as condições objetivas da exploração do sistema econômico e político capitalista. Demonstrando historicamente como vão se cristalizando as relações de trabalho para as mulheres e as crianças. Nesse caso, Marx demonstra extrema sensibilidade ao relatar  a vida cotidiana destas pessoas, discorrendo sobre suas condições de exploração e a capacidade do capitalismo em transformar tudo em coisa(objetos), mera mercadoria.

Aquele que chamou para si as iras do capital acabou sendo amaldiçoado pelos dogmas do capitalismo e classificado como imoral, rude, autoritário, materialista diabólico e ditador. Estes atributos acabaram reproduzindo uma literatura e uma percepção histórica na qual  Karl Marx é tido como pernicioso, satânico e comunista.

Palavras-chave: Karl Marx; Família Marx; Capital; método da economia política; relações familiares.

Família MarxA proposta deste artigo foi trazer à tona as discussões sobre as ações historicamente desenvolvidas pelo Estado liberal no combate à miséria e à pobreza. Para podermos assim proceder, sem sermos repetitivos e tidos como pouco criativos dentro da academia, optamos por trabalhar com os relatos feitos por Karl Marx sobre o sistema capitalismo, no que se refere às condições de vida da classe trabalhadora que era composta em parte por crianças, adolescentes e mulheres. Na seqüência, retrataremos as situações mais contemporâneas do trabalho que vêm ocorrendo no campo da tortura, repressão e assassinatos nos chamados crimes contra a humanidade.

Neste sentido, delimitamos nosso campo de investigação no interior da história contemporânea da América Latina, procurando entender as condições das crianças e adolescentes no interior dos Estados ditatoriais e o quanto isso veio se constituir em um instrumento facilitador para que  miséria e a pobreza se alastrassem pelo continente.

Na verdade foram os estudos desenvolvidos por Karl Marx sobre o capitalismo que marcaram expressivamente a forma de pensar do mundo contemporâneo, apresentando uma nova racionalidade capaz de desmistificar o real. É com a criação do Método da Economia Política, que o modo de pensar burguês existencialista cotidiano de expressão empirista da riqueza, se mostra como resultado do produto de um sistema econômico concentrador e desigual,  criador do seu contrário como alerta Marx no Manifesto do Partido Comunista, a burguesia produz seus próprios coveiros.

O conteúdo deste artigo permite-nos trabalhar com duas interpretações:

1 – Aquela que entende o Estado como omisso na solução da pobreza e miséria, pois delega à sociedade civil e às instituições de perfil religioso e filantrópico a função do atendimento assistencialista e caritativo, aliviando assim, as contradições imediatas do sistema econômico capitalista.

2 – Outra que entende o capitalismo como um estágio histórico a ser superado. E assim, menciona Marx, que se construirão as bases ontológicas “do reino da liberdade,” desmascarando o sistema capitalista e apontando sua superação através do socialismo, trazendo por conseqüência a emancipação humana e o fim da miséria e pobreza no mundo.

Tanto uma como a outra, demonstram que Marx por meio de suas idéias conseguiu apresentar uma trajetória nova para o pensamento filosófico mundial, demonstrando a fraqueza dos princípios do existencialismo econômico burguês que sustentam o sistema capitalista. Essa sua condição de critica ao existencialismo, nos afirma que, além de ter conseguido demonstrar que a riqueza e a pobreza produzidas no capitalismo são quantitativamente imensas, sua distribuição está inversamente colocada: poucos concentram a quase totalidade da riqueza e a maioria compartilha da pobreza em diversos níveis de miserabilidade.

No campo da injustiça e desigualdade, restam duas saídas: apelar para a providência divina, acreditando que a sabedoria religiosa pode responder às causas dos problemas sociais; como as campanhas da Fraternidade criadas pela igreja católica “Sem emprego, por quê”? ou tratar de explicar as determinações do objeto por meio do apriorismo empirista, fora da referência histórica. A outra saída é entender que Marx opera seu pensamento com base nas leis históricas que explicam a humanidade, demonstrando as contradições e sinalizando uma nova etapa de desenvolvimento (o socialismo).

Hoje essa busca pelo aprimoramento do homem como capaz de exercer plenamente sua racionalidade, se configura no interior da luta de classe, onde o capital desenvolve todo um processo ideológico junto à temática  de defesa dos direitos em geral e das  crianças e adolescentes em específico. O qual faz parte do projeto  neoliberal de luta em “busca pela paz” via o desmonte dos movimentos guerrilheiros considerados delicados para o capital, seja no campo político, econômico ou social. Essa lógica se estende por toda latino-américa na desculpa de atuar em favor da paz identifica os grupos guerrilheiros da América como sendo sustentado pela produção do narcotráfico e propondo  ações de bélicas de combate aos guerrilheiros e não a droga.

A preocupação extremamente persistente dos Estados Unidos em querer ajudar  os países latino-americanos na busca da paz, facilitando aos mesmos recursos financeiros para o estabelecimento de acordos com as guerrilhas e do suposto combate ao narcotráfico. Vem demonstrando um desmonte aos grupos de oposição ao capital e tornando mais eficaz e penetrante a dominação do projeto neoliberal, como exemplo, a Guatemala, Peru e Colômbia.

A questão dos direitos humanos se configura em uma bandeira que o capital incorpora para desenvolver o seu projeto neoliberal, usando-a para justificar à necessidade do desarme político e beligerante de grupos que poderiam vir a se constituir em possíveis entraves para o pleno desenvolvimento do modo de produção capitalista.

Família Marx

Com essas referências iniciais, partimos para nossa primeira proposta; demonstrar o convívio da família Marx, procurando traçar seu cotidiano. Não podemos esquecer que Karl Marx nasceu  em um ambiente familiar de classe média, onde seu pai Heinrich Marx:

(...) era conselheiro da Alta Corte de Apelação de Trier, e também advogado (...) presidente da associação dos advogados da cidade e tinha uma posição respeitável na sociedade de Trier.

Para conservar seu cargo Heinrich Marx teve de renunciar ao judaísmo e converter-se ao protestantismo. Seria difícil encontrar alguém com uma ascendência mais judaica do que Karl Marx: quase todos os rabinos de Trier, desde o século XVI, estavam entre seus antepassados paternos; e sua mãe, que era holandesa, não estava menos ligada à tradição rabínica do que o marido.[1]

Viver em uma Alemanha em que se ouviam os ecos dos princípios de um liberalismo proveniente dos franceses do século XVIII, Rousseau e Voltaire, onde a razão hegeliana explicava o mundo. Aceleram-se os processos de luta pelas liberdades junto às ruas e praças, contra o absolutismo e posições antifrancesas e anti-semitas de Frederico Guilherme III.

A família Marx teve de se adaptar a essas circunstâncias políticas convertendo-se ao protestantismo entre 1818 a 1819 e cinco anos depois todos seus filhos receberam o batismo evangélico para desviar a atenção das autoridades prussianas como assim afirma Henri Lefebvre:

A primeira vítima desta reação em Trier foi um advogado de origem judaica, Hirschel Marx [ pai de karl Marx ]. De  judaico, Hirschel Marx apenas tinha a ascendência. Os seus amigos descreveram-no como um << verdadeiro francês do século XVIII, sabendo de cor Voltaire>>, e professando << como Newton, Locke e Leibniz>>, uma vaga crença num Deus longínquo. Foi-lhe portanto fácil converter-se no protestantismo, não por convicção mas para executar as ordens das autoridades prussianas que o perseguiam pelo seu liberalismo[2].  

Marx em sua infância conviveu nesse ambiente de luta pelas liberdades democráticas vindas da França e sentiu no interior de sua família a perseguição da polícia prussiana. De 1830 a 1835 permanece estudando no Liceu Friedrich-Wilhelm, escola secundária em Tréveris, com a fama de aluno de fácil relacionamento, porém considerado extremamente crítico para aqueles que eram seus inimigos não economizava brincadeiras com uma linguagem pontuada de versos satíricos e pasquins habilmente inseridos na retórica.

Com o domínio da maestria do discurso e da retórica Marx vem armando seus escritos contra o governo Alemão e todas as formas de opressão. Convive com o abuso das autoridades germânicas que após descobrirem livros que estavam censurados prendem um colega de ginásio, Marx presencia esse fato. Nesse momento, para contrapor à repressão, desenvolve a idéia de felicidade para humanidade, começando a esboçar a noção da emancipação do homem, mesmo que nesse primeiro momento as mesmas estejam ainda no campo do humanismo existencialista. Esse esforço está demonstrado em seu trabalho apresentado para a disciplina da língua alemã, quando afirma:

La historia denomina grandes a los hombres que se han ennoblecido obrando por el bien común; la experiencia consagra como el más dichoso a quien más dicha forja para los demás (...) Habiendo elegido el destino por el cual más podemos beneficiar a la humanidad, no habrá carga que nos doblegue, pues en aras de todos serán los sacrificios; la nuestra no será entonces una satisfactión mezquina, limitada y egoísta, sino una felicidad compartida con milliones [3].

A amizade e o carinho paternalizado por seu vizinho amigo de seu pai o barão Ludwig von Westphalen, que vivia numa bela casa do lado à dos Marx o desperta para à leitura dos socialistas utópicos franceses como Fourier e Saint-Simon e como aluno do Liceu de Trier teve contato com fontes do materialismo e era amigo de Edgar filho mais novo do barão. Mas esse convívio com um de seus mais fortes admiradores o permitiu compartilhar da amizade com a filha do barão, que acabou se tornando sua esposa.

Saindo de Trier, pois havia concluído seu bacharelado, Marx despede-se de seus professores com exceção do professor de latim professor Loers por ser conhecido como delator e dedo duro da polícia prussiana no ginásio.

Dirige-se a Bonn para cursar direito segundo desejos de seu pai, começa estudar outras matérias de seu interesse como Filosofia, arte e literatura, ampliando seu campo de conhecimento e se distanciando  cada vez mais do campo jurídico.

Como estudante, participou também do mundo da boêmia de Bonn, foi membro dos treverinos, associação que agrupava estudantes dessa região, para conversar sobre política e organizar festas e reuniões de estudos. Marx, no começo aderiu a esses encantos de juventude e chegou a tomar vários pileques, segundo Leandro Konder:

Uma vez, tomou tamanho pileque e promoveu tal desordem que foi detido por 24 horas na prisão da universidade (junho de 1836). De outra feita, imbuído do mais ardente espírito romântico, bateu-se em duelo com um jovem aristocrata e saiu com um ligeiro ferimento logo abaixo do olho esquerdo (agosto de 1836 )[4].

Em outubro de 1836, por imposição de seu pai preocupado com sua vida de farras e bebedeiras, Marx abandona Bonn para continuar seus estudos agora na Universidade de Berlim, considerada mais seria pelas raízes deixadas pelo professor Georg Wilhelm Friedrich Hegel. É nesse período que fica noivo em segredo com Jenny amiga de infância quatro anos mais velha do que ele e resolve esquecer sua vida de estudante boêmio de Bonn. Imediatamente se integra ao conjunto dos hegelianos de esquerda por influencia de seu professor de direito criminal Eduardo Gans e ingressa:

No Doktorklub (clube dos Doutores), círculo de universitários e escritores hegelianos, faz amizade com os irmãos Bruno e Edgar Bauer, Karl Friedrich Koppen etc. Escreve versos e ensaia gêneros romântico e dramático.[5]

Em 10 de novembro de 1837, Marx escreve para seu pai informando sobre a vida que esta levando, comenta suas angústias intelectuais e já sinaliza os embates que vão caracterizar a trajetória do seu cotidiano junto a seus pares e no mundo da filosofia. Nessa carta, Marx começa afirmando que há necessidade de rever posições”... Hay momentos en la vida que son como jalones puestos a lo largo de la ruta recorrida, pero que indican a la vez una nueva derección y una nueva certidumbre (ARMAS FONSECA, Paquita. 1989, p.13). Continuando, declara-se apaixonado por sua Jenny comentando de forma plena seu amor capaz de aliviar sua angústia por estar longe de sua amada:

En el momento en que os he dejado, un mundo nuevo se levantaba para mí, el mundo del amor, y de un amor en sus comienzos, lleno de deseos, mas vacío de esperanzas. E incluso el viaje a Berlín que, en otras disposiciones, me hubiera encantado de manera suprema, e incitado a la contemplación de la naturaleza, inflamado de alegria de vivir, me dejó frío; más aún, me puso de un asombroso mal humor, porque las rocas que veía no eran más rudas, más altivas que los sentimientos de mi alma, ni las grandes ciudades más vivas que mi sangre, ni las mesas hospedaje más cargadas, más indigestas que los paquetes de ilusiones que llevaba, y el arte, en fin, no era tan bello como Jenny [6] .

Confessa a seu pai, sua seriedade com os procedimentos de estudo, quando se refere ao resumo que faz de todos os livros que lê, bem com, suas descobertas no campo da filosofia, quando afirma que” ... escribí un nuevo sistema metafísico ...”

Relata que os esforços nos estudos acabaram trazendo complicações medicas, pois a mudança de visão de mundo lhe obrigou o descortinar novas concepções. O Marx de Berlim é um outro homem, apaixonado e extremamente reflexivo em suas idéias, com um instrumental filosófico ainda misturado por um existencialismo ingênuo, comanda o inicio das polêmicas, que irão torna-lo  conhecido perante  a sociedade mundial. Marx quer a companhia de Jenny e Jenny a companhia de Marx  os dois sofrem por amor.

Marx começa a desvendar o sistema capitalista em sua essência, para tanto, aprofunda seus estudos filosóficos e convence-se que o mundo não pode ser explicado pelo idealismo subjetivo de Hegel. Mergulha no estudo da história da filosofia com sua tese de doutorado “Diferença da filosofia da Natureza de Demócrito e de Epicuro”, demonstrando seu ateísmo militante e alimentando-se para trilhar o caminho para o materialismo histórico. Esse procedimento possibilita uma crítica à propagada riqueza do sistema burguês que por sua ação inicial revolucionária demonstra imensa superioridade quantitativa na produção das mercadorias e imensa concentração da riqueza.

O motivo exclusivo da descoberta de Marx e que suas conclusões, se cristalizaram marcando e questionando as posições dos pensadores burgueses, durante o processo histórico, desmistificando a tão falada riqueza da humanidade. 

O processo de construção mental de Karl Marx se solidifica quando este realiza aquilo que mais desejava, casar com Jenny:

O casamento foi realizado na igreja protestante e no juizado de paz de Kreuznach, a 19 de junho de 1843. O registro oficial descreve o casal como ”Herr karl Marx, doutor em filosofia, residente em Colônia, e Fraulein Johanna Bertha Julie Jenny von Westphalen, sem ocupação, residente em Kreuznach”. Marx e Jenny partiram imediatamente para uma lua-de-mel de várias semanas. Foram primeiro à Suíça para ver as Quedas do Reno, perto de Schaffhausen, e, em seguida – percorrendo a província de Baden – demoraram-se na viagem de volta a Kreuznach.[7]

Depois de sete anos de noivado, finalmente Marx começa a construir uma família, que viria ser objeto de especulação maldosa por parte de seus inimigos declarados e em potencial. Independente das condições dadas por aquele período histórico, em que a vida era difícil os seus adversários menores, atuaram sempre nos bastidores de suas descobertas procurando atingir sua personalidade e a honra de sua família. Não faltaram insinuações com referência a sua pessoa tentando classifica-lo como bruxo, satânico, ditador, repressor, autoritário, machista e promiscuo na relação conjugal. Tudo era valido para combater as idéias anti-capitalistas de um socialismo que começava deixar de ser utópico, para vir a ser científico e viável historicamente.

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por JOÃO DOS SANTOS FILHO

 

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[1] MCLELLAN, David. Marx: um século de pensamento político 1883 – 1983. Rio de Janeiro: Zahar, 1983, p.10.

[2] LEFEBVRE, Henri. Para compreender o pensamento de Karl Marx. Lisboa: Martins Fontes, 1966,  p.84.

[3] GEMKOW, Heinrich. Sus Vidas. Habana: Editorial de Ciencias Sociales. 1989, p. 4.

[4] KONDER, Leandro. Marx – vida e obra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981. P.22 e 23.

[5] RUBEL, Maximilien. Crônica de Marx. São Paulo: Ensaio, 1991, p.17.

[6] ARMAS FONSECA, Paquita. Moro: el gran aguafiestas. Habana: Pablo de la Torriente, 1989. 14 e 15.

[7] MCLELLAN, David. Marx: um século de pensamento político 1883 – 1983. Rio de Janeiro: Zahar , 1983, p.15.

 

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