por ANTONIO MENDES DA SILVA FILHO

Doutor em Ciência da Computação (UFPE)

 

Capital Humano: necessidade essencial às empresas e diferencial para competitividade

 

“... o centro de gravidade da força de trabalho está mudando do trabalho especializado para o trabalho do conhecimento. E o trabalho do conhecimento exige flexibilidade e a capacidade de continuar aprendendo.” 

Peter Drucker.

 

Nunca em todo o período da história houve demanda tão elevada por profissionais qualificados. Hoje em dia, os rumos da economia mundial já não é mais ditado pelos Estados Unidos nem por qualquer outro país. O domínio americano acabou. O século 21 é centrado na educação e este será o fator determinante do destino de nossa sociedade. Perceba que o poder não será mais unicamente determinado por governos e instituições multinacionais. A dependência futura não recai mais sobre os recursos físicos. O futuro e respectivo domínio dependerão, primariamente, do conhecimento e a inovação será o principal propulsor de crescimento econômico. Importante também observar que a mudança e evolução contínua estarão presentes no cerne da sociedade e, assim, tanto a educação quanto a capacitação serão exigidos durante toda a vida do indivíduo. Isso põe por terra o antigo paradigma baseado apenas na educação até idade adulta. O novo paradigma exigirá educação e capacitação ao longo de toda existência das pessoas.

A educação continuada constitui mais um novo valor econômico agregado. Entretanto, embora haja interesse e demanda por qualificação profissional de modo continuado, o Brasil continua ‘patinando’ e longe conseguir acompanhar o ‘bonde’. Segundo dados do MEC, o Brasil possui menos de 11% de estudantes (isto é aproximadamente 4 milhões de estudantes) na faixa etária de 18 a 24 anos no ensino superior. Há ainda a meta de que até 2011, pelos menos 30% de estudantes (ou seja, cerca de 11 milhões) dessa mesma faixa etária estejam nas universidades e que 40% desse total estejam nas universidades públicas. Isto é muito pouco se comparado com toda Europa que tem mais de 40% e, até mesmo, a América Latina com cerca de 30%.

Hoje o Brasil investe aproximadamente 5.5% de seu PIB em educação. Todavia, alcançar um cenário adequado de capacitação requer, de maneira estimada, 12 anos. Isto significa perder janela de oportunidade para alavancar o crescimento econômico do país. Embora o país possua cerca de 2.300 instituições de ensino superior e o sistema esteja em expansão numa taxa de 13% ao ano, isso ainda é pouco para suprir a demanda por capital humano qualificado. Num outro esforço para mitigar o déficit de capital humano, a pós-graduação brasileira, já reconhecida internacionalmente, tem crescido a uma taxa de 14% ao ano. Existem cerca de 130 mil pós-graduandos no país, sendo 2/3 mestrandos e 1/3 doutorandos.

Um outro dado importante é que nas universidades brasileiras, que possuem 32 mil docentes orientando 130 mil pós-graduandos, há apenas 20% do quadro docente com doutorado. Além disso, o ensino superior do país conta com mais 20 mil docentes atuando no ensino superior, mas nem todos se encontram em programas de pós-graduação. Uma ação da CAPES visa ampliar a formação de doutores para oferecer melhor suporte a formação de pessoal.

Agora, se somarmos esforços (no nível de graduação e pós-graduação) para qualificação de profissionais nas áreas de tecnologia e, especificamente, TI (tecnologia da Informação), tudo esse esforço é muito pouco. Para tanto, basta ver a dificuldade que empresas do setor de TI têm enfrentado para encontrar e contratar pessoal qualificado. Por outro lado, a Índia, um de nossos principais concorrentes na área de TI, é um país conhecido por formar capital humano de elevado nível profissional e tem suprido a demanda interna bem como exportado talentos para América do Norte e Europa. Isto constitui um tremendo diferencial o que tem levado a Índia a ser chamada de ‘celeiro de cérebros’.

Já a situação no Brasil não é nada animadora que conta hoje com um déficit estimado em quase 20 mil profissionais na área de TI. Isto ocorre porque o país mais uma vez não ‘fez o dever de casa’. Entretanto, observa-se aqui uma sinergia entre problema e solução. Há uma necessidade urgente do país em investir na capacitação de profissionais qualificados. Esse déficit de capital humano em TI (apenas para citar um dos segmentos) constitui um impeditivo para o crescimento econômico a exemplo de outros como a atual precária infra-estrutura de aeroportos, portos e estradas.

Vale ainda destacar que, conforme estimativas recentes, cerca de 50 a 60% de toda produção industrial é baseada na informação. Além disso, atualmente, o setor de serviços, o qual tem mostrado grande potencial para criar novas oportunidades de empregos e crescimento econômico na economia mundial, é essencialmente baseada no conhecimento. Perceba também que o crescimento vertiginoso do potencial de empregos no século 21 tem sido guiado, principalmente, pela rápida expansão de setores e serviços que fazem uso intensivo da tecnologia.

A educação é o processo pelo qual a sociedade passa o conhecimento e experiências acumuladas das gerações passadas às novas gerações de maneira sistemática e um determinante no progresso das nações desenvolvidas. Se ousarmos nos libertar dos currículos obsoletos e mecanismos inadequados de entrega e disponibilidade de informação, podemos aproveitar a oportunidade para superar o ‘gap’ educacional que nos separa das nações mais prósperas.

O conhecimento e habilidades da força de trabalho de um país é o principal determinante na taxa de crescimento econômico, bem como nos tipos e quantidade de postos de trabalho criados. Quanto maior é o nível de qualificação profissional, maior é a produtividade, melhor é a qualidade, e menor é o custo dos produtos e serviços gerados. Atualmente, as nações mais industrializadas têm de 60 a 80% de sua força de trabalho com qualificação profissional elevada, enquanto que o México detém aproximadamente 25%, e a Índia cerca de 5%.  Estima-se que no Brasil, esse percentual é de pouco mais de 1%, o que representa uma quantidade muito ínfima.

Essa crescente demanda por pessoas qualificadas exige um crescimento similar de formadores em instituições de ensino que podem ser as universidades tradicionais de tijolo e cimento, universidades virtuais (‘sem paredes’) ou ainda unidades de ensino a distância. Isto requer soluções criativas. Minha previsão é que no futuro não muito distante (i.e. num horizonte de 10 a 20 anos), as universidades não terão mais paredes. É importante observar que uma única instituição ou universidade não poderá prover todos os cursos demandados pela sociedade. A quantidade e tipos de cursos ofertados e demandados também determinarão mudanças na educação, tornando-a distribuída. Como conseqüência, veremos a formação de ‘consórcios’ gerando a necessidade adicional de mudanças na forma de gestão da educação. A educação vai cruzar fronteiras não apenas físicas, mas também de natureza cultural, tornando o educador num ‘facilitador’.

A formação de capital humano dever ter foco na capacitação profissional e educação continuada. As instituições devem buscar inovar nas formas de capacitar e/ou fomentar a capacitação de profissionais. Esse foco em capital humano qualificado resulta num diferencial competitivo às empresas gerando novos produtos e conquistando novos mercados. Temos que pensar grande, agir (pelo menos) a pequenos passos, mas rápido, temos de agir rápido, pois a velocidade é que faz a diferença.

 

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por ANTONIO MENDES DA SILVA FILHO

   

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