por JOÃO DOS SANTOS FILHO

Bacharel em Turismo pelo Centro Universitário Ibero-Americano (UNIBERO) e Bacharel em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Mestre em Educação: História e Filosofia da Educação pela PUC/SP. Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM

 

 

 

Os brasilinos voltam a atacar o povo brasileiro

 

Quem não se recorda da genial publicação “Um dia na vida de brasilino”, de Paulo Guilherme Martins, escrita em outubro de 1961, e que, de forma inteligente, sutil e de profundo sarcasmo político denunciava a exploração imperialista no Brasil. Censurada em 1964, era considerada pelos gorilas do golpe militar como “O manifesto comunista Tupiniquim”.

Brasilinos voltam à cena política. Agora mais refinada ainda, dizem nada saber, eunucos de profissão, cegos pela catarata da corrupção e surdos por problemas de genética política. Atuam nas esferas de poder sem qualquer embaraço e, com extrema intimidade com os compassos, estética e ritmos da máquina do Estado, verdadeiros ilusionistas no trato do dinheiro público e em defesa dos interesses privados.

Esse é o brasilino contemporâneo, que deixou de ser o inocente romântico da década de 1960, para ser um bandido profissional na década de 1980, que completa seus rendimentos graças às emendas parlamentares, aceita e cobra o recebimento de mimos, intermedia contatos, ou seja, pratica o tráfico de influências, foge do telefone como o Diabo da cruz e convive encastelado com o poder.

Não por é acaso, que a sociedade e o trade turístico presenciam acontecimentos hilariantes, tais como:

Emerson Palmieri – acusado de participar do mensalão: Foi diretor de Administração e Finanças da Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR) na gestão de Eduardo Sanovicz;

Cláudio Contijo – lobista da construtora Mendes Junior que intermediou a multiplicação dos recursos financeiros para pagar pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso a pedido do presidente do Congresso: Foi diretor de Marketing EMBRATUR em 1992.

Os órgãos oficiais do turismo não podem ficar manchados por respingos da marola da corrupção passada, e nem presente, principalmente no governo Lula. Nem a EMBRATUR, pelo corpo técnico competentíssimo que sempre esteve à frente do fato turístico. Historicamente foi objeto de uso maldoso e acabou obrigada a desenvolver funções estranhas por parte de curiosos que se apossaram da entidade.

Solicitamos à ministra do Turismo, companheira Marta Suplicy, que sempre teve uma conduta ética e moral inquestionável na vida pública, construída por meio de cargos eletivos e pelo seu acercamento a profissionais competentes, capazes de formatar políticas públicas de inclusão social: proceda levantamentos quanto :

1. A situação dos Escritórios Brasileiros de Turismo no Exterior:

a) Como foram contratados os funcionários, por concurso ou indicação?

b)  Na realidade qual é o fluxo de pessoas que procuram os escritórios?

c) Quais as funções dos mesmos? Elas não são paralelas às atividades da representação diplomática (embaixada e consulados) brasileira nos países as quais estão instaladas?

d)  De qual a rubrica do orçamento vem o dinheiro para o pagamento de salários e despesas gerais dos escritórios?

e) Existe algum grau de parentesco dos funcionários - antigos ou atuais - ocupantes de cargos de direção na EMBRATUR?

f)  Qual salário do responsável pelo escritório?

g)  Existe algum projeto de metas a serem atingidas pelos escritórios, que se propõe a quantificar seu fluxo de atendimento cruzado com a qualidade dos serviços?

h)  Há alguma forma de nepotismo nos quadros da EMBRATUR?

2. A situação do setor de Marketing: quanto à produção, quem produz, o que produz, pois estamos há tempo tentando conhecer O case “Gestão dos Escritórios Brasileiros de Turismo no Exterior” , com o qual a EMBRATUR conquistou um prêmio no concurso promovido pelo ENAP. Todavia, até hoje não conseguimos nenhum exemplar do material que obrigatoriamente tem que ter sido documentado. Perguntamos: por que tanto mistério com um documento público?

3. Promova uma análise técnica do destino das verbas para projetos turísticos, pois o que há, na verdade, é uma falta total de critérios, o que podemos deduzir que o atendimento político se sobrepõe aos interesses de uma Política Nacional de Turismo.

Na verdade, essas são algumas das questões que nos obrigam a cobrar transparência nos atos públicos para que possamos preservar aquilo que a EMBRATUR tem de melhor, bem como, a sua função de captação de eventos e a qualidade de seus funcionários, que sempre estiveram na luta pelo turismo e no combate aos brasilinos que, hoje ainda, rondam os poderes da República brasileira. 

Caso seja possível, gostaria de pedir a EMBRATUR as seguintes publicações:

a) O case “Gestão dos Escritórios Brasileiros de Turismo no Exterior”;

b) O livro da exposição dos 40 anos;

c)O Plano Nacional do Turismo: Viajando na inclusão 2007 a 2010.

 

por JOÃO DOS SANTOS FILHO

 

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