por ANTONIO OZAÍ DA SILVA

Docente na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP)

 

Por que escrever um blog?

 

Em outubro do ano passado, superei minhas resistências aos blogs e decidi criar o blog do ozaí. Decidi manter um blog restrito, isto é, com login e senha para acesso. Fui questionado e houve até quem afirmasse que não o visitaria enquanto fosse mantida esta restrição. Argumentei que é uma possibilidade oferecida pelo servidor que mantém os blogs e que o objetivo é evitar o envio de SPAM, já que informo os leitores cadastrados sobre os novos textos incluídos no blog. Pretendo, ainda, consolidar uma comunidade de leitores interessados em interagir com o blog. E, afinal, numa época em que “logamos” e usamos senhas o tempo todo, e os computadores têm recursos para “memorizar” estes dados, não é tão difícil enviar um email solicitando o cadastramento e usar login e senha. Este esforço indica interesse e permite maior interatividade através do blog.

Mas, pensando bem, as críticas procedem. Escreve-se para ser lido, e se quero que leiam o que escrevo não é cabível criar dificuldades. Porém, não tenho ilusões de me tornar um blogger “campeão de audiência”. A quantidade nem sempre é mais importante que a qualidade. Considero mais apropriado estimular a interação com os leitores interessados em manter este diálogo, ainda que sejam poucos.

Há blogs cujo objetivo é apresentar conteúdos e reflexões sobre os mais diversos temas. E há blogs, chamados de roteadores, que reproduzem notícias, informações e textos em geral encontrados na internet. Priorizo o primeiro tipo e não almejo reproduzir o que já está disponível em outros blogs e sites. Meu blog é um espaço voltado à reflexão interativa com os leitores. É trabalhoso, mas também é prazeroso! Faz-se necessário ter amor à escrita, estar sempre disposto a aprender e alargar o domínio vocabular. É preciso cuidar bem das palavras, ser inteligível e dar conta do tema proposto na dimensão do blog.

Admiro os colunistas pela capacidade de síntese, por conseguirem passar o recado em poucas palavras e, ainda assim, não serem superficiais e nem maltratarem o vernáculo. Muitos de nós, vinculados às Ciências Humanas, tendemos à prolixidade. Em certos casos, parece até uma espécie de vício que mal esconde a egolatria. Não é fácil ser claro e simples e, muitas vezes, o ininteligível parece pomposo.

Escrever para o blog tem sido uma excelente experiência. Mas também a interação e leitura dos comentários dos leitores é muito instrutivo e gratificante. É um aprendizado que contribui para repensar as certezas e estimula a atitude tolerante com o pensamento divergente.

Um blog não tem pretensões científicas. Mas pode ir além da reprodução de notícias, do contar historinhas ou ser mero espaço para a fofocagem acadêmica e/ou política. Por outro lado, é trabalhoso romper tais limites. Quem em alguns minutos lê um texto, que corresponde a cerca de uma página ou 3.100 caracteres, talvez não imagine o tempo de maturação da idéia e a árdua tarefa de encontrar as palavras certas que expressem claramente o tema proposto. Para que se chegue a este objetivo, o texto passa por cortes e revisões, até que fique o essencial.

O resultado pode ser avaliado pelos textos postados no blog [ver relação abaixo] e, em especial, pela reação dos leitores através dos comentários. Aliás, a interatividade é uma das principais vantagens do blog. Escrevo na REA há cerca de seis anos e vez ou outra recebi comentários dos leitores. Alguns textos postados no blog tiveram mais retorno dos leitores do que todos os artigos publicados na REA.

O blog é concebido como um diário. Os entendidos sugerem que seja postado pelo menos um texto por dia. Mas não é possível. Teria que dedicar o tempo que não tenho. São várias as atividades que desenvolvo e as horas, ainda que se trabalhe de segunda a segunda e durma pouco, não podem ser alongadas segundo a nossa vontade. Dessa forma, me comprometi a postar pelo menos um texto por semana.

Outra decisão que tomei ao criar o blog foi explicar aos leitores – na verdade, mais a mim mesmo – o porque do blog. Considero este texto essencial para compreender a minha motivação. Por isso, reproduzo a seguir.

29 de outubro de 2006

 

Por que um blog?

“Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio...” (Dostoiévski).

Por que escrever? Para registrar experiências cotidianas? Para revigorar um dos passatempos mais antigos da humanidade: o falar de si mesmo e dos outros? Seria a necessidade do ego, também tão antiga quanto o mito de narciso? Por que, enfim, se expor? O costume humano a lutar contra o esquecimento é uma tradição que remonta à oralidade. A tecnologia contribui para isto.

Escrever é conversar consigo mesmo e com os outros; é organizar idéias e abrir a mente ao diálogo como o "feito", o "falado" e aquilo que os olhos e os ouvidos nos transmitem. Devemos estar abertos a aprender com a própria experiência e, escrever sobre o que lemos, ouvimos e vivemos, é também uma forma de aprofundar este aprendizado. Esta disposição ao diálogo, a aprender com o mundo e os que vivem no mundo, é fundamental a quem se propõe a ensinar. O educador precisa ser educado e este processo é permanente.

Escrever é lutar contra a natureza, isto é, contra a potencial perda de memória que avança com o passar dos anos. Escrever é, simplesmente, uma necessidade - em especial quanto a mente parece enredada num turbilhão de idéias.

Eis o que espero ao utilizar este recurso. Que este espaço seja mais uma possibilidade para aprender-ensinar, dialogar, compartilhar idéias; que seja um espaço de reflexão, crítica e autocrítica permanente da prática docente.

Estou aberto às críticas, sugestões e contribuições,

Ozaí

 

Ps.: Sobre os motivos que nos impulsionam a escrever, sugiro a reflexão: Política e Literatura - George Orwell: Por que escrevo?, publicado na Revista Espaço Acadêmico, nº 63, agosto de 2006.

 

Convido os leitores da REA a se somarem aos que acompanham e interagem com o blog. Basta enviar um email para antoniozai@gmail.com ou clicar aqui. De qualquer forma, estou aberto às críticas e sugestões. Ainda que você não acompanhe o blog, sua mensagem poderá ser publicada no Espaço dos Leitores e compartilhada com os demais leitores da REA. Esta interação é fundamental.

 

[cadastre-se para acessar o blog]

Relação dos textos postados no blog

31.01.07

Turistas e Patriotas

28.01.07

Impostos e cidadania

22.01.07

Uma formatura especial

19.01.07

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago (final)

18.01.07

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago (II)

17.01.07

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago (I)

16.01.07

Política, políticos e politicagem

13.01.07

Os nossos demônios

09.01.07

Feliz Ano Velho... e Novo!

23.12.06

O Espírito do Natal

20.12.06

Deputados e eleitores

12.12.06

A morte de um ditador!

10.12.06

(In)Justiça e Poder Burocrático

04.12.06

Aids e Política

26.11.06

A tentação totalitária da ciência

17.11.06

A sacralização da política

13.11.06

Linguagem e Política

10.11.06

“O Amante”, de Marguerite Duras

09.11.06

A educação é realmente importante?

02.11.06

Morte e esquecimento!

01.11.06

A culpa é dos pobres! (2)

30.10.06

A culpa é dos pobres!

29.10.06

Por que um blog?

 

por ANTONIO OZAÍ DA SILVA

   

 

Clique e cadastre-se para receber os informes mensais da Revista Espaço Acadêmico

clique e acesse todos os artigos publicados...  

http://www.espacoacademico.com.br - Copyright © 2001-2007 - Todos os direitos reservados