Por JOÃO DOS SANTOS FILHO

Bacharel em Ciências Sociais e em Turismo – Professor da Universidade Estadual de Maringá – UEM. Professor do curso de turismo do Centro Educacional Filadélfia de Londrina. Mestre em Filosofia e História da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Aluno especial do doutorado em ciência do turismo na ECA/USP. Fundador da Associação Brasileira de Bacharéis de Turismo de São Paulo - ABBTUR/SP e do Instituto de Análises sobre o desenvolvimento Econômico Social - IADES. Membro do conselho cientifico do Boletim de Estudos em Hotelaria e Turismo – BEHT das Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão.

 

Lutar Pela Regulamentação da Profissão de Turismólogo é Lutar Contra a Política Neoliberal

 

No existe ningún ejemplo de modelos de capitalistas de los que conocemos que crecieran a partir del neoliberalismo, ni en Alemania, ni en Japón, ni en Estados Unidos. La ideología del neoliberalismo es la ideología de las economías dominantes exportadoras a las inferiores y uno puede ver que los países que están en ascenso comienzan en el momento que suben y dominan a los demás, a hablar de neoliberalismo. 

(Petras, James. Realidades y Fantasias del proyecto Neoliberal. In Interrogantes de la Modernidad. pg 34)

O capitalismo em suas inerentes contradições macro-conjunturais possíveis de serem administráveis busca preservar e perpetuar sua existência explicitando-se em diferentes formas e tempos históricos com a intenção de fortalecer o capital e aprofundar a exploração da mais-valia. Para isto desenvolve políticas que passam a ser designadas de liberais e neoliberais com o objetivo de mundializar a lógica do capital e firmar sua base ideológica conhecida como a globalização.

A base do neoliberalismo é desenvolver uma política voltada para a condenação do “Estado do Bem Estar Social” que começa a apresentar sinais de esgotamento no Brasil a partir da década de 1980, para tanto, acelera-se o processo de privatização dos setores em que o Estado tinha ampla atuação com suas empresas públicas. A idéia consensual é que o Estado deva ser regulador das atividades econômicas e políticas e não atuar diretamente no mercado como concorrente das atividades privadas.

O Estado passa pelo processo “mágico” das privatizações dos bens estatais em que a iniciativa privada impõe seus interesses de classe de forma mais explicita. Manipulando para si por meio de caminhos duvidosos os processos de privatização, é nesse momento que o Estado apodera-se de fato da maquina pública procedendo a um verdadeiro saque aos bens públicos e a sociedade como um todo. 

A educação pública sobre um processo de encolhimento e sucateamento por parte do Estado, pois verbas que antes eram destinadas a essas instituições são carreadas para a iniciativa privada, seja liberando consideráveis financiamentos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social – BNDS, ou ainda pelo Programa Universidade para Todos – ProUni do governo Federal que em síntese propõe comprar as vagas ociosas das universidades particulares. Colaborando com destruição do ensino público em todos os níveis os salários dos professores da rede pública estão congelados, pois os reajustes são programados para não recuperar a sua capacidade de compra.

 As vagas dos professores que requereram a aposentadoria não são abertas para concurso, com isso cai à qualidade de ensino e vulgariza-se o aprendizado como reforço da visão tecnicista, surgindo durante o curso e liderado pelas atividades pedagógicas as palestras de auto-ajuda como propostas milagrosas no campo do turismo. O exemplo dessa visão inconseqüente, paliativa e reducionista de entender o fenômeno turístico esta dado pelo programa *EMPREENDETUR lançado pelo Ministério do Turismo nos quais 60% do mesmo se reduzem as palestras motivacionais.

 Cabe ressaltar que a iniciativa de preocupação com os egressos dos cursos de turismo deve ser desvendada como algo que mascara a realidade social para encobrir a lógica do mercado de trabalho. Que sofre um processo crônico de recessão em virtude da política seguida pelo governo federal o qual reza a cartilha da política neoliberal imposta pelo capital.  

   Os conceitos de globalização e pós-modernidade usados expressam uma forma ideológica de entender o fenômeno turístico como assim o faz Sergio Molina quando cria o termo pós-turismo. Desviando a compreensão verdadeiramente cientifica do fenômeno e reduzindo seu entendimento, pois o transforma em um conceito como possível em virtude das questões de domínio da tecnologia, negando que o mesmo para ser levado a categoria conceitual deve ter uma validade universal.

Neste sentido, o educador e sociólogo José Claudinei Lombardi nos esclarece que os conceitos que surgem pela categoria da pós-modernidade possuem a finalidade de reforçar a essência da sociedade capitalista na força doutrinaria de defesa do capital:

Sendo conceitos ideológicos, são usados não para elucidar o que está efetivamente ocorrendo no modo capitalista de produção, mas são destinados a mistificar e a eternizar as relações fundamentais desse modo de produção - e que possibilitam a reprodução ampliada do capital. [1]

É no interior do neoliberalismo que a sociedade capitalista endurece com a sociedade civil, desenvolvendo todo um discurso em favor dos direitos humanos como categoria individual e não coletiva, por isso desenvolve campanhas de ajuda aos excluídos de forma assistencialista (fome zero, bolsa escola e outros). Suscita a discussão da validade das competências profissionais universitárias, pondo em cheque há necessidade do diploma de graduação e opondo-se a regulamentação das profissões.

Esse processo de desregulamentação dos mercados e das categorias profissionais surge em virtude da essência do Estado neoliberal em querer favorecer os mecanismos de mercado que agilizam a proliferação de monopólios, oligopólios e trustes, isto é, a supressão da chamada livre-concorrência. Assim desenvolve-se um movimento em favor das privatizações e formula-se a oposição contra a regulamentação profissional, pois não se admite nenhuma oposição coletiva organizada, pois os problemas estão localizados na psique das pessoas, por isso o modismo das palestras de auto-ajuda, desconsidera a luta de classes para privilegiar o individualismo e a competência tecnicista.

Essa é a leitura que os neoliberais fazem da realidade, combatem a ação do Estado em favor das políticas públicas de turismo, como também:

  1. Defendem uma política elitista em prol de um turismo excludente, pois só se preocupam com o turismo receptivo numa leitura empirista do fenômeno em que a intenção é destacar números e metas atingidas. O exemplo do que afirmamos podem ser comprovados pela proposta contida no Plano Nacional de Turismo 2003 a 2007, bem como pela ação da Embratur que produz uma política voltada para a insanidade de vender o Brasil (fato discutido por mim em vários artigos publicados nos sites www.etur.com.br e www.espacoacademico.com.br );

  2. Condenam a reserva de mercado como se você um crime, pois acreditam que a competência individual basta para garantir o desempenho das atividades profissionais. Negam qualquer movimento político organizativo da categoria e aceita a certificação em substituição à organização sindical;

  3. Combatem de forma panfletária a leitura histórica do turismo, nos chamando de Stalinistas e autoritários, pois não admitem e desconhecem o quanto o Materialismo Histórico e Dialético auxilia no estudo do fenômeno Turístico;

  4. Enxergam a sociedade como capaz de ser gerenciada pelos imperativos do mercado que acreditam garantem os direitos iguais entre os cidadãos. Obviamente essa percepção infantil e linear garante à ideologia uma penetração no imaginário das pessoas que acabam pelo censo-comum condenando a regulamentação da profissão e propondo uma sociedade em que o eixo explicativo de sua existência localiza-se no individuo e não no sistema econômico.

Lutar pela regulamentação da profissão de turismólogo é acreditar que a sociedade se explica no bojo da luta de classes e não na mão mágica do mercado ou na “boa” vontade do empregador que quase sempre esta na busca da mão-de-obra mais barata e nem sempre a mais qualificada.

 

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* Um estudo mais aprofundado deste programa esta sendo realizado por sociólogos e turismólogos.

[1]LOMBARDI, José Claudinei. Prefácio da 2.ª edição. In Globalização, Pós-Modernidade e Educação: História, Filosofia e temas transversais.  José Claudinei Lombardi (organizador). Campinas: Autores Associados: HISTEDBR; Caçador: UNC, 2003, p.VIII.

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