Por ANTÔNIO MENDES DA SILVA FILHO

Doutor em Ciência da Computação

 

O valor da criatividade no ambiente corporativo

 

 “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint ExupéryNeste artigo, meu intento é tratar sobre um tema que tem sido negligenciado por empresas em nosso país, o que considero um absurdo, se é que elas pretendem se tornar competitivas nesse mercado e ainda mais serem inovadoras. Algo essencial aos profissionais hoje em dia é a capacidade de abstração tratada em outro artigo (http://www.espacoacademico.com.br/012/12ct.htm). Combinada a ela, outra qualidade de suma importância é a criatividade que discuto a seguir. Mas, antes, tenha em mente que:

É possível haver diferentes abstrações da mesma realidade, onde cada uma delas fornece uma visão da realidade e serve a objetivos específicos. É imperativo, portanto, ter essa percepção e saber como explorar essa habilidade, inerente ao ser humano.

Na primeira página do primeiro capítulo do famoso livro “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint Exupéry, há um diálogo entre uma criança e um adulto, quando então uma figura é apresentada. Ambos são questionados sobre o significado da figura e o adulto diz que se trata simplesmente de “um chapéu” enquanto que a criança diz que é “um elefante dentro de uma cobra”. Pra quem ainda não leu o livro, trata-se de fato de um elefante dentro de uma serpente. Interessante observar, neste exemplo, a diferença de percepção dos dois personagens.

Considere, agora, o diálogo entre duas pessoas quando, num determinado instante, uma delas diz: ‘olhe aquilo!’ e o outro, relutantemente, responde: ‘olhar o que?’ É comum às pessoas terem níveis distintos de percepção, isto é, capacidade de perceber, visualizar e vislumbrar algo que outro que está do lado não consegue. Também, isto não implica a inaptidão de percepção do segundo, mas a dificuldade que esse tem em identificar algo que não está completamente apresentado. Note neste simples exemplo como se consegue diferenciar uma pessoa criativa de outra qualquer. A pessoa criativa, comumente, expressa aquilo que se pode qualificar de verdades parciais, que até certo ponto não são percebidas pelos demais, de modo enfático. Com a pessoa criativa, ocorre algo como uma transferência emocional para algum objeto (que parece inadequado à percepção dos demais) do ponto de vista da lógica. Trata-se da expressão de algo não percebido pelas demais pessoas. Pessoas criativas, em geral, são observadoras, além de valorizarem  a observação precisa.

Hoje em dia, encontra-se na sociedade aquilo que poderia ser denominado de ‘cultura de conformidade’, onde profissionais, estudantes e demais indivíduos são desencorajados a apresentarem soluções criativas. Cenários envolvendo esses protagonistas são encontrados, por exemplo, em empresas, escolas e universidades. Entretanto, ao invés de aceitar essa então denominada ‘cultura de conformidade’, mais predominante na massa da sociedade, é preciso contestar e porque não provocar o cultivo a ‘cultura de criatividade’. O primeiro passo é entender a criatividade.

Compreender a criatividade é essencial a fim de que possamos descobrir e saber como, quando e onde podemos fazer uso dela. Criatividade compreende a habilidade de produzir coisas e conhecimentos novos, diferenciando-se da inteligência que pode ser definida como a habilidade de raciocinar e aprender. A criatividade tem papel de suma importância nos dias atuais, principalmente, no ambiente corporativo. Você consegue descrever uma pessoa criativa?

Muitos costumam caracterizar uma pessoa criativa como aquela que usa em demasia a imaginação. Há um conjunto de traços de personalidade que caracterizam pessoas criativas. A personalidade humana não é, entretanto, estática, mas sim um elemento dinâmico. Ela evolui com as experiências e oportunidades que os indivíduos têm. Portanto, ao prover suporte a cultura de criatividade, a personalidade da pessoa tem chances de ter o lado criativo desenvolvido, o que lhe permite tirar proveito das oportunidades que surgem no dia-a-dia. Um conjunto de características da criatividade, sem a intenção de ser completo, compreende: percepção, sagacidade, diligência, amor ao trabalho, excentricidade, persistência, monotonia, agnosticismo. Além dessas características, os indivíduos bastante criativos costumam:

  • Apresentar soluções originais a problemas e situações com as quais se deparam.

  • Procurar formas alternativas de ver e examinar fenômenos observados, bem como de formular problemas e questões.

  • Ter a habilidade de fazer associações incomuns entre idéias aparentemente não relacionadas.

  • Apresentar várias soluções a problemas com os quais se deparam.

  • Ter habilidade analítica de explorar problemas, procurando entender suas partes e o todo.

  • Ter habilidade de adaptar-se a novas situações, enxergar oportunidades e disposição de buscar soluções inovadoras.

  • Estar interessados em melhorar, adaptar e/ou modificar idéias e produtos já existentes.

  • Apresentar soluções que soam imprevisíveis, futurísticas e esquisitas.

  • Contra-argumentar soluções dadas ou apresentadas por professores ou profissionais especializados.

  • Exibir uma espécie de humor não compreendida pelos demais.

  • Reorganizar um conjunto de idéias de modo a apresentar uma idéia ou produto inovador.

  • Ter a facilidade de lidar com a complexidade, vislumbrando formas de conceituar idéias difíceis e produtos complexos.

  • Ter ousadia e disposição para assumir riscos em busca de soluções para problemas que tenha em mãos.

  • Ter curiosidade e apresentar comportamento investigativo, fazendo questões que possam ajudá-los saber mais sobre um problema ou produto.

  • Usar a imaginação de forma acentuada, sonhando, fantasiando, fazendo devaneios, vislumbrando e arquitetando novas idéias que possam gerar novas idéias ou produtos.

Perceba que, num ambiente corporativo, a criatividade ocorre em todos os departamentos de uma empresa. A criatividade é um dos maiores, quiçá o principal bem mais importante de um ambiente corporativo. Como podem as instituições fomentar a criatividade e estimular seu corpo de profissionais a usarem sua criatividade? Abaixo, um conjunto de sugestões:

  • Pergunte a seus funcionários o que eles necessitam para desempenhar melhor suas atividades.

  • Desenvolva um ambiente que estimule e ofereça suporte a idéias originais.

  • Permita que os profissionais tenham mais acesso às informações da instituição.

  • Faça uma chamada de propostas de idéias sobre como a instituição pode se tornar num ambiente de maior produtividade e mais inovação.

  • Promova a colaboração. Dê suporte a abordagens inovadoras de gestão em todas as áreas.

  • Demonstre respeito às individualidades dos profissionais e estimule ações ousadas e de desafio.

  • Estabeleça metas de criatividade e inovação para a instituição, bem como mecanismos para estimular e recompensar.

  • Desenvolva programa de capacitação orientada às metas institucionais.

  • E, mais importante, faça os profissionais da instituição se sentirem parte dela, pois caso contrário, aumenta-se o turnover, i.e. a rotatividade de profissionais, que resulta num custo elevado para toda instituição.

É essencial compreender a criatividade a fim de que possamos descobrir e saber como, quando e onde podemos fazer uso dela. Criatividade compreende a habilidade de produzir coisas e conhecimentos novos, diferenciando-se da inteligência que pode ser definida como a habilidade de raciocinar e aprender. O momento criativo ocorre enquanto o cérebro não está sob pressão. O instante criativo ocorre em situações nas quais o cérebro humano está descansando como, por exemplo, quando um indivíduo está dormindo, descansando, em momento de lazer e descontração. Em outras palavras, quando o cérebro não está trabalhando sobre pressão. Portanto, para obter um ambiente criativo e inovador, é fundamental que o cérebro esteja trabalhando num ambiente criativo, isto é, aquele ambiente que oferece suporte para que a criatividade floresça. Em outras palavras, isto requer uma gestão orientada à meta de obter um ambiente de elevada produtividade.

 

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