Por EVA PAULINO BUENO

Depois de quatro anos trabalhando em universidades no Japão, Eva Paulino Bueno leciona Espanhol e Português na St. Mary’s University em San Antonio, Texas. Ela é autora de Mazzaropi, o artista do povo (EDUEM 2000), Resisting Boundaries (Garland, 1995), Imagination Beyond Nation (University of Pittsburgh Press, 1999), Naming the Father (Lexington Books, 2001), e I Wouldn’t Want Anybody to Know: Native English Teaching in Japan (JPGS, 2003)

 

A carga da brigada mais ou menos ligeira, via México

 

Half a league, half a league,  

Half a league onward, 

All in the valley of Death 

Rode the six hundred. 

"Forward, the Light Brigade!

"Charge for the guns!" he said:

Into the valley of Death

Rode the six hundred.

 

“The Charge of the Light Brigade”   

by Alfred Lord Tennyson,

1870

Meia légua, meia légua,

Meia légua para adiante,

Todos no vale da Morte

Cavalgaram os seiscentos.

“Adiante, a Cavalaria Ligeira!

“Ataquem as armas!” ele disse:

Para dentro do vale da Morte

Cavalgaram os seiscentos

 

“A Carga da Brigada Ligeira”

por Alfred Lord Tennyson, 

1870

 (estrofe inicial)

*

“Eu quero uma Nossa Senhora de Guadalupe na bolinha,” disse a visitante do Brasil quando fomos ao mercado de produtos turísticos há duas semanas atrás aqui em San Antonio. Eu não sabia do que se tratava. Ela explicou: “ É como daquelas bolinhas que tem o boneco de neve dentro, e quando a gente vira de cabeça pra baixo uma porção de flocos brancos se movem e é como neve. Sabe qual?”  Sim, eu sei qual. Nunca tive um destes objetos, mas já os vi em vários lugares. Para nós, habitantes de um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, só nos falta um pouco de neve, e a do bonequinho na bolinha de vidro serve. Mas agora minha visitante quer uma Nossa Senhora de Guadalupe na bolinha, em lugar do boneco de neve. Não sei bem o que a padroeira do México tem a ver com o Brasil, mas de todo jeito vamos a várias lojas perguntando se viram tal objeto. Ninguém nunca viu. Uma lojista me sugere que procuremos em uma loja de antiguidades, na parte mais mexicana da cidade, “Mas mesmo lá,” ela insistiu, duvido que encontrem tal coisa. Quem iria pôr a Nossa Senhora de Guadalupe numa bola com água?”

Sim, de fato, quem iria fazer tal coisa? Perguntei à visitante, e ela me explicou que quer levar uma destas para uma amiga sua no Brasil que está assistindo uma novela da Globo em que uma personagem vai ao México e tem uma destas Guadalupes. Ela pediu uma destas de lembranças. Ahá! Eu devia ter imaginado tal coisa. Agora para nós brasileiros já não serve a tradicional Nossa Senhora Aparecida, tão negra e tão nossa, mas tem que ser a Guadalupe, que é a padroeira de um país que tem a felicidade ou infelicidade de fazer fronteira com os Estados Unidos? De acordo com a visitante, esta novela conta a história de uma jovem que vem do Brasil ao México e, de lá, vem aos Estados Unidos. Ela tem uma destas Guadalupes consigo durante a travessia. Sua amiga lá no Brasil, que assiste a tal novela todos os dias e não pretende vir ao México e entrar nos Estados Unidos como a heroína da história, quer pelo menos ter um objeto que a ligue à tal novela. A Guadalupe então virou ícone de cultura popular no Brasil. Melhor que isso seria mesmo se o Cantinflas substituísse o Mazzaropi.

*

Em maio de 2003, um caminhão fechado, dirigido por Tyrone Williams, contendo aproximadamente 100 pessoas escondidas dentro da carroceria fechada de metal foi abandonado ao sul da cidade texana de Victoria. Quando a polícia rodoviária foi ver o que acontecia com o caminhão, ouviu os gritos das pessoas presas no compartimento de carga, e conseguiu abrir a porta, 18 pessoas estavam mortas. Uma outra pessoa morreu mais tarde, no hospital, elevando o número de mortos para 19. Este trágico número quebra o record anterior, de 1987, quando 18 imigrantes mexicanos ilegais morreram em condições parecidas em Sierra Blanca, a 60 milhas ao leste de El Paso, Texas. Entre os mortos no Texas em  2003 estava uma criança de 5 anos. Mais tarde, quando a história desta tragédia foi contada e recontada aqui no Texas, houve um rumor que as pessoas que estavam presas dentro do caminhão, em desespero ao verem que já alguns começavam a morrer de sede e calor, sugeriram arrancar pedaços do corpo da criança e jogar pelos pequenos buracos da carroceria, para ver se atraíam a atenção de alguém. Não sei se esta história é verdadeira. O que é verdadeiro é que esta tragédia aconteceu aqui, muito perto de San Antonio, e por umas duas semanas, os noticiários trouxeram imagens e depoimentos cobrindo a história. Depois, silêncio.

*

Lista final das vítimas

Jose Felicito Figueroa Gutierrrez, de Honduras

Catarino Gonzalez Merino, do México

Mateo Salgado Perez, do México

Hector Ramirez Robles, 34 anos, do México

Chelve Benitez Jaramillo, do México

Rogelio Dominguez Benitez, do México

Jorge Mauricio Torres Herrera, 15 anos,  de El Salvador

Roberto Rivera Gámez, 24 anos

• Juventino Rosas, do estado de Guanajuato, México

Serafín Rivera Gámez, 34 anos,

Elisendo Cabanas González, 27 anos

• Tulcingo del Valle, do estado de Puebla, México

Marco Antonio Villaseñor Acuña, 5 anos, da Cidade do México

José Antonio Villaseñor Leon, 31 anos, da Cidade do México

Edgar Gabriel Hernández Zúñiga, 17 anos

Juan Carlos Castillo Loredo, 20 anos,

• Cárdenas, do estado de San Luís Potosí, México

Ricardo González Mata, 24 anos, de Plan de Iguala, estado de San Luís Potosí, México

Oscar González Guerrero, 18 anos, de Plan de Iguala, estado de San Luís Potosí, México

José Luís Ramírez Bravo, 21 anos, de Ajuchitlán del Progreso, Guerrero, México

Juan José Morales, 24 anos, do estado de Nuevo Leon, México

Augusto Stanley Vargas, 31 anos, da República Dominicana

 

Fontes da informação: Ministério do Exterior do México  em, Houston;  Consulado Geral de Honduras, Consulado Geral da República Dominicana, Governos dos Estados Mexicanos.

*

As histórias dos “coyotes” que são contratados no México para trazer os imigrantes aos Estados Unidos são inúmeras. Alguns são parte de uma equipe que já conhece o ramo e as estradas muito bem. Alguns são exímios na arte de atravessar a região árida entre os dois países e até levam seu/sua “cliente” até a cidadezinha mais próxima. Mas alguns são criminosos em busca de dinheiro fácil: os que vêm em busca do seu trabalho têm algum dinheiro extra, além do que pagam pela travessia. Alguns são mesmo tarados em busca de dinheiro e vítimas fáceis. Muitos dos que querem atravessar acabam assassinados ou deixados perdidos no deserto, onde morrem de sede em pouco tempo.

*

Em San Antonio, onde moro, assim como em todo o sul do Texas, há muitas pessoas de origem mexicana e hispânica. Para um grande número destes, não é que eles vieram aos Estados Unidos, mas os Estados Unidos é que vieram a eles. São descendentes dos mexicanos que viviam neste território antes de 1836 — o ano da famosa queda do Álamo, em que as tropas mexicanas rodearam o forte de San Antonio de Vallejo e mataram todos os separatistas brancos (americanos, europeus, e um negro) que se haviam rebelado contra o México. Quando Texas se anexou (ou foi anexado) aos Estados Unidos em 1845 os separatistas do Álamo foram considerados heróis, e os residentes do território se transformaram em americanos. Logicamente, viraram “americanos de segunda classe,” e sua língua, cultura, religião, cor, foram motivo de discriminação e racismo. Para que tenhamos uma idéia, até 1966 era ilegal falar-se espanhol na escola pública no Texas. Os pais e avós de muitos de meus alunos foram castigados e humilhados na escola por falarem espanhol.

Mas, como já diziam no tempo do latim, “mutatis mudantis”: nestes últimos anos parece que o México está retomando o Texas e os demais estados do sudoeste americano que lhe foram tomados pelos Estados Unidos; a cada ano o contingente de imigrantes legais e ilegais to México aumenta mais. Eles vêm trabalhar, estudar, e são a mão de obra barata sem a qual muitos estabelecimentos comerciais não podem funcionar. Eles não têm seguro de saúde, ganham às vezes menos que o salário mínimo, são discriminados de todas as maneiras, mas continuam vindo. Não é muito difícil imaginar a reação de muitos americanos brancos racistas. E também de muitos mexicanos americanos, que vêem os recém chegados com receio e suspeita. Um dos sinais: no estado do Arizona um grupo de cidadãos formou o que se chama de “Minute Man Project.”  A página de um grupo que se intitula “Americans for Legal Immigration” — “Americanos Em Favor da Imigração Legal” — explica o propósito do “Projeto”:

The Minute Man Project launched last month. In thirty days, over 100 men and women--many U.S. military veterans from 20 states volunteered for this new mission to protect America from a Congress that does not and will not represent American citizens. The project expects over 2000 volunteers from every walk of life to serve 30 days spotting illegal aliens as they storm our nation’s borders - numbering 4,000 daily and three million annually.  http://www.alipac.us/article64.html (consultado em 2 de julho de 2005)

O Projeto Minute Man começou no mês passado. Em trinta dias, mais de 100 homens e mulheres — muitos dos quais são veteranos militares dos Estados Unidos, vindo de 20 estados, se ofereceram como voluntários para esta nova missão de proteger a América de um Congresso que não representa os cidadãos americanos. O projeto espera mais de 2000 voluntários de várias procedências para servir 30 dias identificando imigrantes ilegais quando eles tomam de assalto as fronteiras da nossa nação — e chegam a 4.000 diariamente e a três milhões anualmente.

E, de fato, o “Projeto” está atuando ativamente no Arizona. Estes veteranos militares, agora sem poder ir oficialmente a outra guerra, encontraram onde utilizar seus conhecimentos e técnicas, olhando através de binóculos na direção da fronteira e agarrando quem eles acham que são “alienígenas.” Chamo a atenção para o fato de que o “Minute Man Project” aceita gente de “várias procedências”: quem duvida que entre eles haja criminosos procurados pela polícia, ladrões, estupradores e outros sociopatas? Parece que o único requisito para que alguém participe do “Projeto” é que ele/a seja “americano/a” (leia-se: branco/s).  Note-se também que os participantes do tal “Projeto” se arrogam o direito de dizer que o Congresso (eleito pelo povo) não representa os cidadãos americanos. Mas quem são os americanos? Entenda-se: brancos.

*

Há alguns anos eu lecionei um curso sobre Cultura e Civilização da América Latina na Pensilvânia, em um campus da Penn State University. Naquele curso, alguns alunos já no primeiro dia de aula disseram que não existe tais coisas como “cultura” ou “civilização” da América Latina. Durante um penoso semestre em que a turma se revelou raivosamente racista e anti-tudo que não fosse americano branco de origem européia (salvo algumas preciosas exceções), aos poucos descobri que alguns de meus alunos pertenciam, ou eram simpatizantes, do grupo chamado Ku-Klux-Klan, que é responsável pelo linchamento de muitos negros e não-brancos nos Estados Unidos. Minha missão, no fim daquele curso, era dupla: não perder a paciência diante de tanta ignorância e arrogância, e fazer com que aqueles alunos entendessem que existem seres humanos fora das fronteiras políticas do país.

No ano passado, eu tive a oportunidade de lecionar o mesmo curso em San Antonio. Foi com alguma trepidação que escolhi a bibliografia e preparei o material. Por um lado, eu sabia que seria difícil lecionar tal curso sem me lembrar da experiência na Pennsilvânia. Por outro, eu estava curiosa para saber como reagiriam meus estudantes texanos ao assunto. Para meu alívio e minha alegria, esta turma era responsável, estudiosa, interessada no assunto, e, mesmo os que não eram obviamente de origem latino americana, queriam ler mais sobre as questões e refletir sobre os problemas que o material levantava.

Um dia, na classe, quando falávamos de padrões migratórios e da situação na fronteira, uma aluna levantou a mão e pediu para relatar uma experiência. Sua família pertence à categoria dos que sempre foram desta região — de origem espanhola, estavam aqui antes do Texas ser Texas — e eles têm terras na fronteira. Ela então contou à turma que, desde menina, tinha visto os ilegais passando pelas terras de seu pai, o qual deixava, em várias partes da propriedade, galões de água para socorrer aos viajantes. Eles procuram ficar invisíveis sempre que possível, para evitar confrontos com a polícia, e por isso nunca chegaram até a casa para pedir nada. Minha aluna disse que não entendia por que eles tinham tanto medo de serem vistos. “Agora,” ela disse, “eu entendo muito melhor. Espero poder fazer mais por eles.”

*

Temos um amigo em San Antonio que veio da Guatemala. Ele era engenheiro lá, e aqui ele é um “pau pra toda obra,” ou seja, um “handyman.” Ele conserta tudo, de aparelhos elétricos, a piso, a banheiro entupido, a goteira em telhado. Ele topa qualquer parada para sobreviver, já há 17 anos. Diz que não pode voltar ao seu país porque seria perseguido. Não tem documentos certos aqui, e vive como um ilegal, embora tenha conseguido juntar algum dinheiro, comprar uma casinha, ter seu próprio carro, suas ferramentas de trabalho. Mas tudo é conseguido na base do negócio feito nas sombras. Ele não diz exatamente como conseguiu abrir uma conta bancária, ou comprar as coisas que tem. Mas ele não tem problema algum em contar como chegou aos Estados Unidos: a nado.

Assim como muitos outros, ele chegou ao norte do México e contratou um coyotte, que o levou até as bordas do rio Grande, e, com duas câmaras de ar para impedir que afundassem, nadou a largura do rio e o depositou em solo americano. No outro lado, o nosso amigo se trocou, colocando roupas que tinha levado em uma sacola plástica, e caminhou até a estação de ônibus. Ele tinha alguns dólares, e não teve que falar mais que algumas palavras: comprou a passagem para San Antonio, e um jornal local. Entrou no ônibus e começou a fingir que estava lendo o jornal. Dentro de umas duas horas, o ônibus foi parado pela polícia da imigração, que entrou, pegou alguns dos passageiros para levá-los de volta à fronteira, de onde seriam “despachados” de volta ao México. “Eles não quiseram levar você?” eu perguntei. “Ora, eu sou branco e tenho os olhos azuis! E, além de tudo, eu estava usando um terno e lendo o jornal. Ninguém se incomodou de me perguntar nada, porque, se tivessem perguntado, teriam visto que eu não sabia mais que meia dúzia de palavras em inglês, e que meu passaporte não tinha carimbo nenhum indicando a minha entrada.”

Ele ri. Nós rimos. Sempre é bom a gente ver, na prática, como os racistas são estúpidos. Para nós, amigos e clientes deste guatemalteco, sua presença aqui nos Estados Unidos é crucial: ele é um homem educado, inteligente, cheio de recursos, que não recusa trabalho honesto. Assim são a maioria dos imigrantes ilegais aos Estados Unidos. Se todos eles saíssem do país hoje, levaria anos para que a população “americana” re-aprendesse a fazer tudo o que eles fazem, todos os dias, humildemente, com maus salários, e condições legais no mínimo periclitantes. Sem mencionar a perseguição constante. Sem mencionar aquela dor terrível que devem sentir ao saberem que não podem arriscar a voltar à sua terra, porque podem não conseguir voltar aos Estados Unidos. Não importa quantos anos eles vivam aqui ilegais, mesmo tendo uma vida digna e trabalho honesto, quando voltam aos seus países e querem retornar aqui, são ainda ilegais e vão sofrer todas as discriminações que sofrem os que vêm aqui pela primeira vez.

*

No dia 11 de março deste ano de 2005, no Colorado, a polícia rodoviária atendeu a uma ocorrência na Estrada 160, envolvendo uma pick-up Chevrolet que carregava 22 ilegais. Um deles morreu no local. Outro morreu no hospital. Os demais foram levados a hospitais da região. A pick-up era dirigida por Crispin-Diaz, também ilegal. Mais tarde os passageiros revelaram que tinham pago de $1.100 a $1.800 dólares para serem trazidos para dentro dos Estados Unidos. Estas histórias são tão comuns no sudoeste americano que em geral somente uma tragédia envolvendo muitas pessoas chega aos noticiários da televisão.

*

“Será possível que não vou achar a Nossa Senhora de Guadalupe na bolinha?”

*

Dia 10 de junho de 2005 a polícia local, estadual e federal passou o dia inteiro nas redondezas da cidade de Goliad, no sul do Texas (bem perto onde em 2003 as 19 pessoas morreram sufocadas em um caminhão), procurando por 80 imigrantes ilegais, entre os quais se encontravam crianças de 5 a 10 anos de idade. Todos haviam entrado nos Estados Unidos em pick-ups com a carroceria coberta. As pick-ups foram paradas pela polícia, e os ilegais saltaram da carroceria e começaram a correr. Usando cachorros treinados, cavalos, carros, e até helicópteros militares, a força policial no fim do dia já havia recolhido 24 dos fugitivos. Os policiais mesmo disseram que temem pela segurança destas pessoas, porque o lugar para onde fugiram correndo não tem água. Temem também pela segurança dos americanos que possam se defrontar com eles.

*

A questão da imigração ilegal de brasileiros aos Estados Unidos está se tornando em um assunto tão quente neste verão de 2005, que até o prestigioso New York Times tratou dele recentemente. Com a queda do valor do dólar, o jornal diz, agora os $10.500 dólares cobrados pelas gangues que prometem trazer os brasileiros até os Estados Unidos já não parecem tão caros. Mas ainda assim não dá pra entender. Como é possível que pessoas de bom senso joguem todas as suas economias (e às vezes a economia da família inteira) para virem em busca de trabalho em um país onde vão ser discriminados e sofrer perseguições?

Acho que precisamos considerar fatores que vão além da segurança pessoal destes “peregrinos do século XXI”: os que conseguem chegar aos Estados Unidos vivos, e não são postos em prisões e deportados, talvez consigam emprego, e talvez consigam, de alguma forma, realizar “o grande sonho americano.” O New York Times de 30 de junho de 2005, em artigo assinado por Larry Rohter, diz que o governo brasileiro estima que entre um milhão e meio e três milhões de brasileiros estão vivendo fora do país, a maioria nos Estados Unidos e no Japão. No ano de 2004, estes emigrantes enviaram ao Brasil cerca de 6 bilhões de dólares. Isto é o equivalente ao que o Brasil consegue com a exportação da soja.

                                                            *

Há uns dois meses atrás, recebi um email de uma pessoa relacionada com o departamento de Estado americano, e que tinha conseguido meu endereço através da universidade de Pittsburgh, onde fiz meu doutorado. Ele estava buscando alguém que pudesse ajudá-lo com um problema que necessita intérprete. Entrei em contacto com esta pessoa, e ele me explicou a situação: uma mocinha brasileira de 18 anos se encontrava detida em Pittsburgh. Ela tinha sido apreendida pela segunda vez neste país, ilegalmente, e que estava muito deprimida na prisão, e ela chorava o tempo todo. “O que vai acontecer com ela?” perguntei na nossa conversa por telefone. “Ela vai ser fichada e deportada ao Brasil.” Eu quis saber o que mais ele sabia da moça, e ele me informou que ela tinha conseguido explicar, com seu pouco inglês, que não tem pai, e que estava tentando vir pra cá para trabalhar e mandar dinheiro de volta à mãe e aos irmãos.

Infelizmente, como o Texas fica muito longe da Pensilvânia, não pude ajudá-lo além de lhe indicar outros possíveis falantes de português e inglês naquela área que possam ser úteis nestes casos. No fim da nossa conversa, perguntei ao funcionário por que ele se havia interessado pelo caso desta mocinha. “Ela é só uma criança,” ele disse. “Fiquei com muita pena. Tenho uma filha da idade dela.”

                                                            *

“É. Acho que não tem nenhuma Nossa Senhora de Guadalupe na bolinha. Vou levar um boneco de neve mesmo.”

*

When can their glory fade?

O the wild charge they made!

All the world wondered. 

Honor the charge they made,

Honor the Light Brigade,

Noble six hundred

Quando a sua glória será esquecida?

Oh, que carga selvagem eles fizeram!

Todo o mundo ficou admirado.

 Honre a carga que eles fizeram.

Honre a Brigada Ligeira,

Os nobres seiscentos.

“A Carga da Brigada Ligeira”, Alfred Lord Tennyson, 1870 (estrofe final). 

 

The Charge of the Light Brigade

Alfred, Lord Tennyson

1.

Half a league, half a league,
Half a league onward,
All in the valley of Death
Rode the six hundred.
"Forward, the Light Brigade!
"Charge for the guns!" he said:
Into the valley of Death
Rode the six hundred.

2.

"Forward, the Light Brigade!"
Was there a man dismay'd?
Not tho' the soldier knew
Someone had blunder'd:
Their's not to make reply,
Their's not to reason why,
Their's but to do and die:
Into the valley of Death
Rode the six hundred.

3.

Cannon to right of them,
Cannon to left of them,
Cannon in front of them
Volley'd and thunder'd;
Storm'd at with shot and shell,
Boldly they rode and well,
Into the jaws of Death,
Into the mouth of Hell
Rode the six hundred.

4.

Flash'd all their sabres bare,
Flash'd as they turn'd in air,
Sabring the gunners there,
Charging an army, while
All the world wonder'd:
Plunged in the battery-smoke
Right thro' the line they broke;
Cossack and Russian
Reel'd from the sabre stroke
Shatter'd and sunder'd.
Then they rode back, but not
Not the six hundred.

5.

Cannon to right of them,
Cannon to left of them,
Cannon behind them
Volley'd and thunder'd;
Storm'd at with shot and shell,
While horse and hero fell,
They that had fought so well
Came thro' the jaws of Death
Back from the mouth of Hell,
All that was left of them,
Left of six hundred.

6.

When can their glory fade?
O the wild charge they made!
All the world wondered.
Honor the charge they made,
Honor the Light Brigade,
Noble six hundred.

Copied from Poems of Alfred Tennyson,
J. E. Tilton and Company, Boston, 1870

 

 
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