Por JOÃO DOS SANTOS FILHO

Bacharel em Ciências Sociais e turismólogo. Professor da Universidade Estadual de Maringá - UEM. Mestre em Filosofia e História da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Aluno especial do doutorado em ciência do turismo na ECA/USP. Fundador da Associação Brasileira de Bacharéis de Turismo de São Paulo - ABBTUR/SP e do Instituto de Análises sobre o desenvolvimento Econômico Social - IADES

 

Negação do Paraíso Celestial e a Luta pela Emancipação do Trabalho:

A Busca do Reino da Liberdade

Ensaio Sociológico Sobre o Fenômeno do Lazer em “Karl Marx e Paul Lafargue”

 

É por essa razão que afirmamos que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. Com efeito, nós o identificamos como o bem primeiro e inerente ao ser humano, em razão dele praticamos toda escolha e toda recusa, e a ele chegamos escolhendo todo bem de acordo com a distinção entre prazer e dor. (Epicuro, p.37. Carta sobre a felicidade ).

Na sociedade comunista, porém, onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo por isso uma esfera de atividade exclusiva, fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar de manhã, pescar à tarde, pastorear a noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico. (Karl Marx, p.41. A Ideologia Alemã ).

Mas para que tenha consciência de sua força, é preciso que o proletariado pisoteie os preconceitos da moral cristã, econômica e livre-pensadora: é preciso que volte a seus instintos naturais, que proclame os Direitos à preguiça, mil vezes mais nobres e mais sagrados que os tísicos Direitos do Homem, arquitetados pelos advogados metafísicos da revolução burguesa. É preciso que ele se obrigue a não trabalhar mais que três horas por dia, não fazendo mais nada, só festejando, pelo resto do dia e da noite. (Paul Lafargue. O Direito à Preguiça, p.84.).

 

ESCLARECIMENTO

A elaboração deste pequeno texto de reflexão, só foi possível em decorrência da existência do esforço constante e pioneiro de incansáveis professores, pesquisadores e estudiosos brasileiros, que se debruçaram durante anos em preocupações epistemológicas para compreender o fenômeno turístico. Realizando investigações e publicando trabalhos de cunho teórico qualitativo e quantitativo, que permitiram a formação de um arcabouço axiomático e técnico no interior das instituições de ensino e centros de pesquisa. A eles, os quais tivemos a oportunidade de conviver profissionalmente, alimentando brilhantes debates acadêmicos, em que o respeito à harmonia em saber aceitar posições diferentes, bem como, a sinceridade em apontar e aceitar limites mútuos, foram os marcos dessas discussões.

Os estudos produzidos no campo do turismo no Brasil apresentam um elevado grau de comprometimento com a realidade sócio-econômica, projetando nosso país no conjunto do continente Latino Americano, no campo do estudo do turismo. A esses pesquisadores devemos imensa gratidão, mesmo que muitas vezes, discordássemos teoricamente de suas interpretações ou reiniciássemos inúmeras discussões, suas contribuições foram fundamentais.

Gostaria de agradecer de modo especial ao meu eterno orientador e amigo professor Mário Carlos Beni, por iniciar-me no estudo do turismo no começo da década de 1970 e pelo respeito a mim depositado em todos esses anos, dando-me os ensinamentos básicos do mundo do turismo e conselhos referentes a minha formação. Autor de um clássico da ciência do turismo: "Análise Estrutural do Turismo", livro básico, mas complexo que demonstra a seriedade e capacidade da inteligência nacional no estudo do turismo no Brasil.

Ao meu amigo professor Luiz Gonzaga Godoi Trigo o qual tive mais tempo para varias discussões, em que as ponderações no campo da ciência e da organização sindical dos turismólogos, foram conversas assaz proveitosas.  Autor de vários livros de extrema seriedade temática que se tornaram fundamentais para o estudo do turismo no Brasil, dentre eles destaca-se em especial a obra "A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo”.  Exemplo de intelectual sério, cuja capacidade cognitiva, discursiva e literária na defesa de posições alimenta a prontidão de qualquer público.

A amiga e querida professora Marlene Matias, a qual convivi diretamente na luta pela regulamentação da profissão nos momentos de euforia e tristeza. Nas humilhações que tivemos de passar, quando os curiosos do turismo desconsideravam os estudantes e turismólogos. Foi à única de nosso grupo de militantes da ABBTUR/SP que escreveu um livro quase autobiográfico, chamado "Turismo: Formação e profissionalismo - 30 anos de história”. Por que autobiográfico? Porque, todos que o lêem (do grupo de fundadores da ABBTUR) sentem-se co-participantes daqueles fatos.

A minha mais que querida amiga Maria José Giaretta que sempre me auxiliou e soube com ética defender o turismólogo enquanto profissional competente. Por ser um ícone do turismo no Brasil se tornou referência no meio acadêmica e lutadora dos seus pares. Amiga exemplar sofremos juntos grandes derrotas e tivemos infindáveis alegrias, mas nunca deixamos de lutar em prol da categoria.

A cara amiga professora Mirian Rejowski, umas das primeiras pesquisadoras a realizar um estudo extremamente sério e de ponta tanto no campo da quantificação como na de qualificação da produção científica em turismo existente no Brasil. Seu livro insubstituível "Pesquisa acadêmica em turismo no Brasil (1975 - 1992): configuração e sistematização documental” surgem como, um livro obrigatório para aqueles que querem ingressar no campo da docência.

A professora Marília Gomes dos Reis Ansarah, que aprendi a admirar por sua produção acadêmica seria e extremamente útil na elaboração de projetos e cursos de turismo. Sua experiência como especialista do SeSu-MEC, tornou-a conhecida por sua qualidade técnica e profissional. Um de seus livros, segundo minha opinião de enorme contribuição para o turismo é "Formação e Capacitação do Profissional em Turismo e Hotelaria: Reflexões e Cadastro das Instituições Educacionais do Brasil”.

As minhas queridas amigas dos pampas gaúcho; Marutschka Martini Moesch e Norma Martini Moesch. A primeira, por ser a primeira hoje, no estudo epistemológico mais sério existente no país sobre o turismo, possui uma postura crítica diante do fenômeno turístico e trabalha com uma visão de globalidade e histórica para pensar uma política de turismo para o Brasil. A importância de seu livro “A Produção do Saber turístico”, se deve a explanação teórica que a autora faz no campo da corrente funcionalista, do existencialismo e do processo de bases marxista da ressignificação do fenômeno turístico. Deveria ser leitura obrigatória na graduação e nos cursos de mestrado e doutorado.

A segunda, sua progenitora, minha amiga primeira, perseguida pelo período da ditadura militar, brilhante oradora, conquistou a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo na década de 70, a qual o autor reencontrou depois de 30 anos.

A amiga professora Maria Ângela Marques Ambrizzi Bissoli, companheira dos encontros científicos promovidos pela USP e militante da ABBTUR/SP. Personalidade tranqüila e muito amiga que escreveu no campo do planejamento e coleta de dados um dos melhores livros dessa temática. "Planejamento turístico para municípios de pequeno porte baseado em sistemas de informação”.

As contribuições literárias trouxeram novos caminhos e instigaram o estudo de outros assuntos para a ampliação do estudo epistemológico do fenômeno turístico. Nesse sentido, procurei colaborar para que objeto do turismo fosse trabalhado também via o materialismo histórico dialético, pois me parece uma contribuição importante para completarmos o estudo do fenômeno em todas suas matrizes teóricas.

Além do que, acredito que somente a polêmica teórica e a defesa de outras matrizes epistemológicas, permitem a compreensão do objeto e o avanço da ciência. Em que a civilidade acadêmica deve ser a sinalização mais profunda de propiciar espaços para a convivência das diversas visões teóricas, no seu exercício de expressar-se, elevando o turismo para o patamar de uma compreensão ontológica.

Aos muitos outros amigos, pesquisadores e profissionais que não estão aqui relacionados esclareço que não foi esquecimento ou qualquer problema ideológico. Mas sim, optamos em comentar somente aqueles que possuem livros publicados, infelizmente esse se constituí um crivo extremamente injusto, pois os não mencionados possuem excelentes teses defendidas, mas não publicadas.

Quero deixar registrado, que isso me atormentou profundamente durante o trajeto deste trabalho, mas tive que optar por esse caminho, por ser o mais próximo da academia, na esperança de que o mesmo se torne objeto de estudo das várias ciências no interior das Universidades e centros de pesquisas.

Finalizo dedicando este texto a todos meus pares, que hoje estão lecionando, coordenando, pesquisando e atuando profissionalmente nas inúmeras áreas do turismo. Agradeço em particular a todos aqueles que discordam de minhas posições teóricas, mas que sempre souberam respeitá-las no plano das idéias, isso demonstra atitude intelectual madura no meio acadêmico e respeito total para com a ciência do turismo. È nessa perspectiva de discussão, entendimento e produção científica que as diferenças ideológicas devem conviver e produzir novos conhecimentos unindo cada vez mais todos aqueles que pensam seriamente o turismo.

Aviso aos meus amigos e companheiros de profissão turismólogos e sociólogos que resolvi me dedicar ao estudo do fenômeno turístico, por entender que há um a imensa lacuna deste assunto analisada via o materialismo histórico dialético.

Devo parte desta descoberta ao meu grato e estimado amigo, professor e pesquisador Luiz Gonzaga Godói Trigo, filósofo e turismólogo que deixou uma tradição de produção literária importante e sempre me instigou no embate acadêmico com respeito, dignidade e com sua preciosa capacidade intelectual de constantes ponderações.

Como sociólogo, não poderia deixar de agradecer a um outro grande amigo e respeitado cientista social Walter de Alencar Praxedes, companheiro também perseguido por ser marxista dentro da academia, que me incentivou a escrever sobre turismo. A ele devo horas de conselhos e de momentos difíceis que juntos enfrentamos com dignidade e ética profissional.

 

Comentários de Paul Lafargue e Karl Marx no Campo do Tempo Livre

Bases Teóricas Deste Estudo

Pode parecer a uma parte dos estudiosos do lazer e do turismo que a leitura das obras de Karl Marx e de Paul Lafargue não possuam nenhuma relação com o estudo do fenômeno turístico, constituindo-se em algo ainda distante e estranho para a maioria dos pesquisadores no campo das ciências sociais. Mas as mesmas em sua essência sinalizam uma antiga discussão sobre o mundo do trabalho e do não trabalho, temática discutida pelo movimento socialista mundial como sinônimo de tempo livre, ócio, preguiça e lazer.

A primeira preocupação de Marx foi destacar para o mundo as condições de exploração contidas no interior do modo de produção capitalista e a continuidade do desenvolvimento da história por meio da luta de classes, ou seja, uma sucessiva mudança nas relações econômicas e políticas, para a construção da dinâmica histórica da humanidade. Destacando a acelerada diminuição do tempo de não trabalho na qual o trabalhador está sujeito, entendendo que cada modo de produção destroem a si mesmo, segundo seu esgotamento histórico, pois nenhum sistema é eterno, apesar de sua imensa força material e ideológica.

A segunda preocupação de Marx, que não esta descolada da primeira, são suas idéias sobre a ciência, postura que se tornou elemento unificador do marxismo no mundo, permitindo o surgimento de críticas contundentes ao pensamento idealista, fenomenológico e existencialista. Que possibilitou para nós a construção de um novo patamar epistemológico sinalizando o fenômeno turístico como uma ciência que já incorpora uma sustentação de base axiológica.

O pensamento de Karl Marx em que a militância, ou seja, a luta de classe é tida como elemento composto de "formas moventes e movidas da própria matéria: formas do existir, determinações da existência" (LUKÁCS, 1978, p. 3) são modificadores da realidade, só podendo existir, quando o pensamento racional governa o descobrir do concreto. Essa é a práxis que movimenta a relação histórica sujeito e objeto, permitindo o desenvolvimento da análise ontológica do ser.

Com esse pensar, a contribuição de Karl Marx para o estudo do lazer, está distribuído em toda a sua obra de forma esparsa e não seqüencial, pois o autor não se debruçou diretamente nas questões do lazer e turismo. Porém, o estudo do modo de produção capitalista, desenvolvido por ele, continua atual e extremamente útil na busca das determinações que explicam o lazer e o turismo na sociedade contemporânea. Nesse caso destacaremos o estudo que estamos realizando das obras de Marx, buscando detectar em sua literatura possíveis referências que poderiam se aproximar do lazer e turismo. 

Cabe ressaltar que pensar o fenômeno do turismo via a visão marxista, alimenta uma outra linha de pesquisa e torna o objeto de estudo completo em sua dimensão teórica. Abrindo um campo novo na pesquisa nessa área, tornando o elemento turismo preocupação de ponta no estudo das ciências. Entretanto, produz também, de forma imediata uma rejeição contrária no interior da academia, pois os idealistas armam-se dos bastões da sabedoria do neoliberalismo. 

Escolher trabalhar o fenômeno do turismo nessa envergadura, oportuniza uma discussão em que a ciência e a militância se cruzam em uma práxis objetiva e subjetiva de um concreto pensado em favor de uma ontologia voltada ao estudo do indivíduo.

Com escritos inteligentes referentes a um cotidiano rico de realismo e dramaticidade e responsável pelo surgimento do socialismo francês, Paul Lafargue cubano nascido em Santiago de Cuba em 1842, foi para a cidade de Bordéus na França em 1851, onde ingressou na faculdade de medicina. Militante da Primeira Internacional escreveu sobre a sociedade burguesa, denunciando a exploração da classe trabalhadora com a arte de uma ironia extremamente realista e de fácil penetração entre os operários.

Lafargue estabelece como argumentos de denúncia para relatar as condições do trabalho no modo de produção capitalista, mostrando a força da ideologia do capital para com os operários, produzindo o trabalho alienado e a super exploração.

Nesse sentido, faremos um "detour" pelas principais obras de Karl Marx e aos escritos de Paul Lafargue, sinalizando as suas referências ao tempo livre e tempo de não trabalho. Consideramos esse feito extremamente difícil e inédito, porém, decidimos enfrentar esses desafios iniciais, esperando que outros pesquisadores continuem essa tarefa.

Preliminares

O desenvolvimento histórico da humanidade explica-se pelas mais diferentes formas de como os homens organizam-se para garantir a sobrevivência, sua relação planifica-se e recompõe-se no conjunto das atividades de "Homo Faber", em que o homem e o meio interagem na luta pela existência. Essa dialética da vida social explicita-se em atos teleológicos* iniciando toda e qualquer relação humana, desenvolvendo a racionalidade entre os homens conforme o desenvolvimento dos modos de produção, como reitera Marx:

A consciência é, pois um produto social e continuará a sê-lo enquanto houver homens. A consciência é, antes de tudo, a consciência do meio sensível imediato e de uma relação limitada com outras pessoas e outras coisas situadas fora do indivíduo que toma consciência;...[1]

Esse processo de "Homo Faber" sinaliza-o como elemento que só pode ser compreendido pelo mundo do trabalho, pois transforma o meio e recompõe o próprio ser humano no interior de sua práxis social cotidiana. Explicar a humanidade é objetivar a prática do trabalho como mediador da ação entre os homens, entendendo que a capacidade dada pela razão é o elemento que potencializa nossa direção para a construção do reino da liberdade**.

Segundo o pensador marxiano Georg Lukács um dos mais inteligentes e éticos pensadores das obras de Karl Marx, afirma:

Precisamente essa ligação do reino da liberdade com sua base sócio-material, com o reino econômico da necessidade, mostra como a liberdade do gênero humano seja o resultado de sua própria atividade. A liberdade, bem como, sua possibilidade, não é algo dado por natureza, não é um dom do "alto" e nem sequer uma parte integrante - de origem misteriosa - do ser humano.[2]

Explicar o mundo via o trabalho foi tarefa árdua de pensadores como Karl Marx e Paul Lafargue, pois a eles devemos essa ousadia numa época em que a lógica dada era baseada na visão do censo-comum em que a construção do real era puro fetichismo. A eles devemos as reflexões que levaram a sociedade a pensar e exigir o direito ao tempo livre, ócio e lazer como conquistas sociais universais dos trabalhadores.

A luta militante e teórica desses homens obrigou o mundo a auscultar os interesses da classe operária, pois as armas intelectuais a eles fornecidos por Karl Marx e Paul Lafargue mudaram os rumos da história da humanidade, trazendo a tona à reflexão crítica como lema da mudança.

O mundo em sua dinâmica motora alimentada por meio da luta de classes ganhará tonalidades científicas com esses pensadores, que colocaram a racionalidade como elemento direto do pensar, trabalhando o ser em sua plenitude antológica:

1.      O ser é visto como um processo histórico, em que formas moventes e movidas da própria matéria se baseiam em formas de existir e determinações da existência o homem modifica e é modificado pela sociedade;

2.      A consciência reflete a realidade o que lhe permite realizar ações para modificá-la e construir um mundo novo em que a exploração seja coisa do passado. A força da mudança é dada pelo homem em sua atitude de correspondência com a base da realidade.

Nesta perspectiva, o homem possui o poder de idealizar tudo aquilo que pretende realizar, pois é na consciência que ocorre o papel definitivo e decisivo de dar respostas à realidade e marcá-la com o timbre de humanidade por meio do trabalho. Assim, para entender o lazer e ócio temos que compreender em primeiro lugar o trabalho em sua dimensão plena de esforço físico e mental aliado à modificação histórica que o mesmo produz na humanidade.

Interpretando Karl Marx, para "fazer história" os homens devem satisfazer suas necessidades mais elementares ter água potável para beber, saneamento básico, conseguir via o trabalho alimento para saciar sua fome, possuir um teto ou um pedaço de terra para poder produzir seu sustento, vestir-se, ter direito à medicina à cultura, educação e lazer, na verdade ser cidadão do mundo. É justamente nesse momento que Marx e Engels, afirmam de forma brilhante:

O primeiro facto histórico é, pois a produção dos meios que permitem satisfazer essas necessidades, a produção da própria vida material: trata-se de um facto histórico, de umas condições fundamentais de toda a história, que é necessário, tanto hoje como há milhares de anos, executar dia a dia, hora a hora a fim de manter os homens vivos. [3]

Nota-se que o trabalho se constituí no elemento fundante que produz e reproduz a humanidade em sua dimensão ontológica, em que o ser é o elemento mais importante, porque pode ser dono de si e pensar pela razão como forma oposta ao pensamento místico e religioso. A recuperação da razão como sinalizador da práxis dos homens torna-o independente e movimentam a vida segundo os interesses nobres da luta política e ideológica em uma sociedade em que o trabalho liberte o homem e não o escravize.

Essa amplitude em que o homem seja o centro das atenções pode trazer-lhe as armas para que o mesmo descubra as vias possíveis de atuação que permitam esgotar ao máximo todas as relações de produção capitalistas no seu patamar de máximo desenvolvimento. Começando aí a sinalização das fissuras de sua decadência e aparecimento do verdadeiro socialismo que ainda não surgiu nem próximo ou longe, como assim afirmam certos setores da intelectualidade do nosso mundo acadêmico.

A categoria trabalho, quando entendida, permite que o pensamento científico desenvolva níveis de alta racionalidade, em que a unidade de decisão passa do censo - comum para o pensamento científico e as verdades se tornam às diretrizes do cidadão do mundo, capazes de modificar sua própria história.

Nesse sentido, partimos do pressuposto que todo o processo que ocorre entre os homens é produto de uma atividade que altera o meio social, que se configura pela atividade trabalho que se constitui no divisor entre o pensamento místico e histórico. Entender essa diferença significa pensar a produção da vida dentro dos moldes do "método da economia política", em que as relações econômicas e políticas explicam a dinâmica dos homens.   

A HISTÓRIA VISTA PELO MODO DE PRODUÇÃO

O marxista trata, portanto de <<leis>> da história e da sociedade – da sua transformação -, mas apenas se refere com prudência e reserva a um <<determinismo>> econômico ou histórico; sabe (e é um aspecto importante desta questão) que, indirectamente, está a fazer o elogio da <<passividade>> perante os factos; ora, a passividade é incompatível não só com a acção e a prática, mas também com o verdadeiro conhecimento! Embora tivessem querido por vezes atribuir essa atitude declaradamente <<determinista>> a Marx e aos marxistas, não existem na obra de Marx textos que justifiquem.

Esta interpretação.( Henri, Lefevbre, 1966, p.51)

Não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência. (A Ideologia Alemã. Karl, Marx. 1976 p.26 ).

A história da humanidade, entendida como sendo o conjunto de grupos e classes sociais que orquestram a história dos homens vivos com objetivo de satisfazer suas necessidades, só pode ser compreendida no interior desse processo, em que o cotidiano apresenta problemas de vida e morte. Soluções necessitam serem encontradas e planos organizacionais estabelecidos para que possamos entender o nascimento, crescimento e morte dos diferentes tipos de modo de produção.

Partindo do pressuposto que a história dos homens se concretiza no interior da luta de classes, só poderemos compreender a humanidade entendendo como os homens se organizam para suprir suas necessidades biológicas e sociais, ou seja “A primeira condição de toda a história humana é evidentemente a existência de seres vivos" [4]. O afastamento da fase biológica e o avanço no plano social, esse processo deve ser entendido no campo da racionalidade, em que os homens passam a acreditar em suas potencialidades plenas dadas pela razão.

Os homens começam a se distanciar dos outros animais quando iniciam a produção dos seus meios de subsistência configurando assim sua produção da vida material.

Não queremos aqui travar nenhuma polêmica sobre o a interpretação da história dada por Karl Marx, mas demonstrar a importância desse autor para o entendimento do Lazer e do turismo.

Em primeiro lugar, entendemos que Karl Marx não pode ser considerado culpado por aquilo que deixou de escrever, como é comum encontrar em algumas insinuações literárias existentes no interior da academia. Atribuem a Marx idéias e falas que não são de sua autoria, bem como, eliminam fatos e explicações do próprio autor, esse é o motivo de existirem vários marxismos que acabaram distorcendo a própria epistemologia.

A nós cabe compreender o fenômeno do lazer naquilo que Karl Marx deixou de legado, portanto começamos pelo entendimento da história como um processo de construção metodológica em conjunto com a crítica dentro dos moldes da economia política que ele magistralmente aplicou ao capitalismo. Essa dinâmica se movimenta por meio da luta de classes que vai demonstrando a superação das formações econômicas atrasadas pelas mais desenvolvidas. É aí que devemos buscar em sua formulação teórica o entendimento de lazer e tempo livre, em sua obra a "Ideologia Alemã", comenta:

A história não é mais do que a sucessão das diferentes gerações, cada uma delas explorando os materiais, os capitais e as forças produtivas que lhes foram transmitidas pelas gerações precedentes; por esse motivo, cada geração continua, por um lado, o modo de atividade que lhe foi transmitido, mas em circunstâncias radicalmente transformadoras e, por outro, modifica as antigas circunstâncias dedicando-se a uma actividade radicalmente diferente.[5]

Dentro dessa linha de pensamento Karl Marx afirma "apenas conhecemos uma ciência, a da história". Pois a história para ele é um processo que explica as condições do ser humano segundo o estágio das relações de produção que está sendo ativada pela luta de classes e segundo Florestan Fernandes:

A luta de classes não se dá no vácuo. É preciso determinar os componentes da conjuntura e, em especial aferir o potencial relativo de luta política de que a classe operária dispõe, em função das tarefas que lhe são possíveis nos confrontos econômicos, sociais e políticos com as classes burguesas. De outro lado, o referido potencial depende também de forças externas, ou seja, de alianças com outros setores das classes subalternas, como o "homem semilivre" do campo, da pequena burguesia e de setores radicais dos vários estratos das classes burguesas.[6]

Com esse entendimento, o homem produz suas vidas materiais, deixando a marca de um processo de vida ativo, onde em pontos diversos do planeta há a presença dele como transformador e que pode determinar os rumos de sua própria existência. Que só pode ser explicado pela categoria trabalho, pois esse é o aditivo transformador e revelador de seu domínio da natureza, como coloca a professora Gizlene Neder, quando afirma:

... Acreditamos que a demonstração de como Marx praticou, em seus diversos escritos, o método histórico calcado na concepção de luta de classes nos revela uma interpretação da história onde essas mesmas minudências do real são trabalhadas vivamente, a partir da sua articulação no modo de produção e não como fragmentos de fenômenos sociais, justapostos, como que por acaso...[7]

A base material permite pensar uma sociedade concreta em todas suas faces, na qual os homens produzem seus meios de subsistência e determinam sua consciência coletiva, segundo o interesse de classes sociais. Esse discernimento se explica na sociedade capitalista, onde os homens desenvolvem atividades individuais e criam a organização social para a produção, surgindo como resultado os diversos modos de produção que aparecem na história.

Com o desenvolvimento das forças matérias da produção, ou seja, os equipamentos em geral, ferramentas e tecnologia que se relacionam dialeticamente com as relações de produção, isto é, com os homens no interior do processo de produção como empregador e empregado, servo, escravo e assalariado.

Os homens potencializam a lutas de classes, segundo seus interesses, força material e ideológica que dispõem, uns para manter o status - quo, outros para transformar radicalmente a relação de poder. As forças produtivas determinam as modificações nas relações sociais estabelecidas, plasmando um tipo de vida social determinado.

Portanto, iniciamos nossa compreensão mais específica, entendendo que Karl Marx ao pensar a ciência da história, não o fez como curioso, mas sim, pensando-a como elemento fundante de sua práxis. Onde a história ganha significado e explicita-se como viva e rica, em múltiplas determinações, nesse caso a aridez idealista que ainda comanda nosso pensar hegeliano, acaba muitas vezes dificultando a apreensão do pensamento marxiano e do turismo.

O pensamento de Marx é o que tem de mais atual para compreender a realidade social, política e econômica de um país, para entendê-lo temos que nos apropriarmos das premissas que o mesmo especifica. Em primeiro lugar, para que os homens possam fazer história devemos conseguir satisfazer todas as nossas necessidades básicas; em segundo lugar o ato satisfeito ou não gerará novas necessidades sociais e lhe categoriza-o como mais racional e menos natural; em terceiro lugar a vida é resultado das relações sociais entre os homens esta em relação direta com as relações de produção social.

O homem é resultado de sua atividade concreta e não de interpretações idealistas ou morais, o ser é resultado de um ato de trabalho que modificou o meio e a si mesmo. Essa simbiose dá ao homem o titulo de rei da terra, quando não subjugado por outros homens, razão pela quais poucos sabem dizer qual a saída para a crise mundial que afeta a existência humana baseada na dignidade de si e do outro.

Uma coisa podemos afirmar, nada pode ser entendido se não sinalizarmos quais foram às formas organizadas que os homens criaram durante a sua história, para sobreviver. Nesse caso Karl Marx afirma com muita confiança que:

Os homens têm uma história pelo facto de serem obrigados a produzir a sua vida e de terem de o fazer de um determinado modo: esta necessidade é uma conseqüência da sua organização física; o mesmo acontece com a sua consciência.[8]

As diferentes divisões de trabalho que vão aparecendo na história marcam a passagem do ser humano em sua existência. Nesse recorrido o homem determina as relações entre seus pares, destruindo a igualdade natural e impondo uma relação de exploração que lhe garante a dominação econômica e política sobre o outro.

A desigualdade, portanto se constituí em um fato criado pelos homens em uma determinada etapa da humanidade, longos períodos marcaram a sociedade por sua diferenciada e extrema relação de exploração entre os homens. Saídas se apresenta em diversos momentos, via a revolução, da política, do reformista e do assistencialismo.

A luta pela igualdade, justiça, democracia, direitos humanos vão ser as bases de todas as políticas existentes, desde as dos países de terceiro a primeiro mundo. Em todos a lógica da diminuição da injustiça se faz presente nas plataformas dos partidos, porém as mesmas se explicitam segundo os interesses da classe dominante e dos costumes daquele povo.

Assim as atividades provenientes do não trabalho, vão aparecer sobe diversas e ricas relações culturais, em que os costumes marcam a força de cada população, segundo o desenvolvimento das relações de produção. A base das manifestações populares são expressões culturais que se apresentam formatadas em diferentes atividades de lazer e turismo.

Para Paul Lafargue, o trabalho é a fonte de todas as misérias do mundo é nesse campo que Karl Marx, também expõe sua angustia e aponta de forma racional a idéia política de ultrapassar o capitalismo, ou seja, nega uma forma de trabalho angustiante (o capitalismo) e sinaliza o socialismo. Esse é o caminho para que o homem possa criar um modo de vida em que ele seja livre e não escravo do trabalho.

A vida lúdica que contornava o estilo das sociedades "primitivas" se torna o elemento novamente básico para entender a sociedade socialista, o trabalho é colocado como beneficio coletivo e não individual. Ë nessa linha que o socialismo aparece como elemento capaz de tornar o trabalho prazeroso, pois o homem tem todos suas necessidades garantidas pelo trabalho coletivo e comunitário.

MODO DE PRODUÇÃO NA HISTÓRIA: TRABALHO E LAZER

Apenas conhecemos uma ciência, a da história. Esta pode ser examinada sob dois aspectos; podemos dividi-la em história da natureza e história dos homens. Porém, estes dois aspectos não são separáveis: enquanto existirem homens, a sua história e a da natureza condicionar-se-ão reciprocamente. A história da natureza, aquilo pelo contrário, é-nos necessário analisar em pormenor a história dos homens, pois, com efeito, quase toda a ideologia se reduz a uma falsa concepção dessa história ou ao puro e simples abstrair dela. A própria ideologia é somente um dos aspectos dessa história. (Karl Marx. A ideologia Alemã. P 18. )

A história se constituiu pelo desenvolvimento dos modos de produção e é dentro dela que surgem os diferentes estágios material e intelectual de cada sociedade, pois os homens são resultado da sua forma de inserção na economia:

O que são coincide, portanto com a sua produção, isto é, tanto com aquilo que produzem como com a forma como produzem. Aquilo que os indivíduos são depende, portanto das condições materiais da sua produção.[9]

A primeira forma de organização para o trabalho que aparece e na qual os homens se organizam economicamente, socialmente e culturalmente para poder produzir e reproduzir a vida é o modo de produção tribal. Os homens se agrupam em comunidades em que a necessidade do equilíbrio possuiu uma serie de mecanismos encarregados de manter o status-quo e garantir a funcionalidade do sistema segundo as regras e tradições do grupo.

Esse sistema está preparado para alimentar a perpetuação de suas tradições, valores e luta para garantir os princípios de solidariedade, cooperação e integração social. Valores que estão garantidos até o momento em que a produção de sua existência estiver restrita ao âmbito de seu espaço familiar, quando o trabalho estiver a serviço da subsistência do grupo social.

O característico desse sistema é resultante de um processo natural, onde os homens se alimentam da caça, pesca, coleta, agricultura rudimentar e criação de alguns animais. A terra vai se constituir em um elemento integrado ao homem, como um meio de produção que nasce junto do ser de forma inseparável, esse processo é possível, pois não há noção de propriedade e sim de posse. A posse se configura como um ato natural em que todos têm a apropriação coletiva da terra.

Cada individuo se comporta como proprietário o poseedor sólo en tanto miembro, member, de esta comunidad. La apropiación real a través del proceso de trabajo ocurre bajo estos supuestos, los cuales no los ellos mismos producto del trabajo, sino que aparecen como los supuestos naturales o divinos de éste.[10]

A divisão do trabalho é ainda natural entre o homem e a mulher, isto é, permanece no interior da família, onde a ajuda é mutua e esta preocupada com a subsistência imediata. Sem a possibilidade de extrapolar o âmbito familiar, tudo gira em torno dessa dimensão, o limite esta dado pelas relações sociais que determinam o locus daquele modo de ser.

O cotidiano da vida, vai determinar a criação de entidades divinas, pois foi o homem que criou a religião e não a religião que criou o homem, completa brilhantemente Marx, afirmando:

O homem que tiver encontrado na realidade fantasmagórica do céu, onde procurava um super-homem, apenas o reflexo de si próprio, não se contentará mais com encontrar só a aparência de si próprio, o não-homem, quando procura e deve procurar necessariamente a sua verdadeira realidade.[11]

Com a vida pautada no que modernamente podemos chamar de sustentável, em que o desperdício e os interesses econômicos e políticos não estão presentes ainda, pois o seu raio de ação cobre os limites de sua vida familiar e comunitária. O trabalho só ocorre no campo do indivíduo junto dos meios de produção, não havendo separação entre produtor e produto.

A família é o núcleo que deve ser preservado e se mantém inalterado até o momento em que as necessidades externas não interfiram, a divisão do trabalho permanece no interior da referência sexual e as funções são lotadas para manter a unidade familiar.

Neste sentido, a vida gira em torno da família como unidade produtiva da comunidade, sendo dela que decorre todo o processo de história da humanidade. As relações estão delimitadas em decorrência desses espaços econômicos, sociais e político em que a sociabilidade esta subjugada aos seus limites.

A categoria trabalho* esta limitada à subsistência, sua função é abastecer as necessidades da unidade familiar, garantindo-lhe alimentação, abrigo, descanso, atividades lúdicas e o espaço social. Porém, não podemos esquecer que esta explica a humanidade, somente pela visão histórica é que permite entender a vida como produto dos homens, organizados segundo um determinado modo de produção.

O trabalho configura-se numa dimensão mais abrangente, sua essência é constituída de toda atividade humana, capaz de explicar de forma histórica o desenvolvimento material e racional da humanidade. Com isso, estamos afirmando que é possível realizar uma leitura do concreto em decorrência das atividades de trabalho, pois "... as categorias não são tidas como enunciados sobre algo que é ou que se torna, mas sim, como formas moventes e movidas da própria matéria:” formas do existir, determinações da existência “( Lukács. As bases ontológicas do pensamento e da atividade do homem. P.3 ).

Se o trabalho na configuração acima detalhada expressa o fundamento de toda a atividade social, o não trabalho também estará submetido a esse processo que poderá ser expresso por meio do lazer, do ócio e do turismo, segundo a visão do materialismo histórico e dialético. Assim o trabalho é produto humano e não divino nada surge que não seja resultado da ação teleológica dos homens organizados de formas diferentes na história da humanidade.

O que irá diferenciar o animal homem-social do animal é a capacidade que o mesmo tem de abstração, isto é, de planejar antecipadamente tudo que irá efetuar. Essa visão racional e teleológica é o que o distancia do mundo animal natural e aproxima-o da base civilizatória com alto grau de racionalidade.

Como ser produtor de riqueza material e intelectual, o mesmo permite que a história aconteça numa sucessão de fatos, resultado da luta de classe, em que ele implementa seus códigos. Esse desfilar processual e histórico apresenta-se por meio de vários sistemas econômico e político.

E cada sistema explicita padrões de sociabilidade diferentes, que vão retratar a forma de ser das pessoas, segundo sua integração com o mercado de trabalho, esse processo é denominado de cultura que se constituí na base de todo fenômeno turístico.

No "Modo de Produção" tribal as atividades de trabalho e lazer ocorrem juntas e estão indissociáveis as produções do lúdico e da subsistência constituem-se um único bloco. A inexistência do trabalho para o alheio não permite a produção da mercadoria para a troca, e, portanto, a separação do trabalho e lazer como categorias distintas não surge nesse período histórico, pois toda atividade é dirigida à subsistência do imediato.

O entendimento desse modo de produção nós auxilia para o estudo do turismo, pois é nesse período histórico que a noção de equilíbrio e sustentabilidade aparecem em sua plena dimensão. Porém o mesmo é transplantado para a atualidade na proposta de atender os interesses do Capital, desvirtuando seu uso e comprometendo sua natureza. 

A ação entre os homens só pode ser entendida no interior da história, pois é nesse momento que ele se mostra como esta encaixada dentro do modo de produção, sua ação é decorrente desse processo em que as leis da história administram a vida das pessoas, esse papel é próprio da luta de classes que ocorre no interior das sociedades, em que o mundo é comandado pela racionalidade.

O segundo "Modo de Produção" é o comunal em que a presença da mercadoria acaba sinalizando o inicio de um desequilíbrio aparente no interior daquela comunidade. A distribuição eqüitativa dos produtos começa a recorrer aos princípios da desigualdade, a troca reorganiza as relações sociais, culturais e cotidianas, novos valores aparecem apensados a mercadoria como o divisor entre as pessoas. Como diria Karl Marx:

Toda a estrutura social que nela se baseia, assim como o poder do povo, desagrega-se ulteriormente na esbata medida em que se desenvolve, principalmente, a propriedade privada imobiliária.[12]

Mesmo as grandes manifestações culturais e desportivas dos grandes impérios indígenas como os Maias, Incas, Astecas e Guarani se constituíam em atividades para agradecer aos Deuses pela boa caça, coleta, agricultura e pela troca de mercadoria. O mundo do trabalho, não existe sem o mundo do não trabalho, isto é, trabalho e lazer são resultado do movimento da história e ocorrem simultaneamente. Portanto, a diferença e a desigualdade estão presentes na futura separação entre trabalho e lazer, pois é a mercadoria que alimenta e aprofunda a desigualdade.

O terceiro "Modo de Produção" o Feudal de base européia em que os servos da gleba se constituem na classe verdadeiramente produtora e que alimentam por séculos essa organização social, em que o pequeno capital acelera a industria artesanal e aprofunda a oposição entre cidade - campo.

A figura do monarca atende a uma classe dominante inconclusa e aristocrata que aprofunda sua visão de mundo religiosa e a utiliza para impor seu estilo de vida, onde a extensão territorial é necessária para manter a estrutura política e social, que apesar de parte da historiografia mundial afirmar que esse largo período histórico foi nefasto e retardatário o historiador e economista Jurgen Kuczinski afirma que:

"... cearia inconcebible que un sistema económico como el feudal, que durante un largo período no señaló ningún gran progreso técnico com respecto al mundo antiguo, haya podido conservarse, si no hubiera aportado inmediatamente un progreso muy grande a la liberdad del hombre y por ende al desarrollo de la liberdad del hombre y por ende al desarrollo de la iniciativa tendiente al crecimiento de la producción". [13]

Uma produção cinematográfica que reproduz de forma magistral a contradição do "Modo de Produção" Feudal e o filme “ O nome da rosa” em que a miséria intelectual e material processa um movimento histórico extremamente difícil para entender aquele momento de séculos em que a entidade religiosa e a representação Papal mantêm o comando político, econômico e social da sociedade medieval. Esse período é retratado de forma fiel nesse filme que mostra a necessidade da humanidade em manter as descobertas científicas, bem como, a necessidade de escondê-las para proteger os verdadeiros interesses do mundo religioso.

Esse é um período em que o misticismo e a razão científica conduzem a sociedade medieval, que quando ameaçada em sua orientação espiritual, desenvolve os famosos padrões inquisicionais, o sofrimento deve guiar a sociedade e servir de salvação para o espírito crítico que questiona as explicações religiosas do mundo. Esse processo vai se estender às colônias e chega ao Brasil para punir aqueles que se enriqueceram.

Essa sociedade é extremamente desigual e a expressão do trabalho e não trabalho está nitidamente separado em pólos diferentes. A aristocracia em sua vida de gastos imensos graças à exploração dos servos. É nesse momento que a sociedade revela as contradições profundas entre a riqueza e a pobreza e que o trabalho e lazer é resultado da sociedade de classes.

O TRABALHO COMO DETERMINAÇÃO ONTOLÓGICA E O FENÔMENO DO LAZER E DO TURISMO

La naturaleza no construye máquinas, ni locomotoras, ferrocarriles, electric telegraphs, selfacting mules, etc. éstos son productos de la industria humana, materiales naturales transformados en órganos de la voluntad humana sobre la naturaleza o para realizarse en ella. Son órganos del cerebro humano creados por la mano del hombre, la potencia objetivada del saber. (Marx. Grundrisse 1857 - 1858. P.115)

Em primeiro lugar não podemos entender o fenômeno do turismo e do lazer se não compreendermos o desenvolvimento do trabalho humano, esse foi o motivo que nos levou a fazer toda uma preliminar tentando caracterizar a importância da categoria trabalho, que para George Lukács;

Em primeiro lugar, há uma tendência constante no sentido de diminuir o tempo de trabalho socialmente necessário à reprodução dos homens. Trata-se de uma tendência geral, que hoje já ninguém contesta.

Em segundo lugar, esse processo de reprodução tornou-se cada vez mais nitidamente social. ...

Em terceiro lugar, o desenvolvimento econômico cria ligações quantitativas e qualitativas cada vez mais intensas entre as sociedades singulares originariamente pequenas e autônomas, as quais no início - de modo objetivo e real - compunham o gênero humano.[14]

O trabalho vai determinar a necessidade do não trabalho e conseqüentemente será tipificado em diferentes atividades de lazer e turismo segundo o desenvolvimento das relações de produção. O mundo do trabalho acelera o processo de sua própria negação, onde seu tempo começa a sofrer pressão para que as horas destinadas a ele comecem a ser diminuída.

O trabalho deixa de ser visto como castigo e passa a ser cultuado como virtude e necessidade oriunda do mundo moderno, suas raízes originais voltadas para a criação espetacular de riqueza, permite pressionar que a mesma tanto no sistema capitalista como o chamado socialismo, busquem a diminuição das horas de trabalho. Essa reivindicação autoriza que a classe trabalhadora seja distribuída em diferentes extratos dentro da hierarquia, organizando e lutando pelo direito ao lazer via o turismo.

Essa dialética para entender o lazer e o turismo, como elemento interligado da atividade de trabalho, traz a tona uma dinâmica histórica única capaz de entender o objeto em sua forma ontológica. Nesse sentido;

...A consciência reflete a realidade e, sobre essa base, torna possível intervir nessa realidade para modificá-la, quer-se dizer que a consciência tem um real poder no plano do ser e não – como se supõe a partir das supracitadas visões irrealistas - que ela é carente de força.[15]

Todas as bases da consciência existentes se constituem em produto da materialidade, portanto, resultado do pensamento e das atividades dos homens, que buscam dar respostas para satisfazer suas necessidade, sejam estas básicas ou secundárias ajuntam- se na sinalização para o "reino da liberdade", iniciando os homens a adquirirem condições históricas para poder lutar contra a exploração e afastá-los da falsa consciência.

Lutar para que ócio fosse um direito de todos e não um privilégio de alguns, foi à primeira afronta direta contra a apologia do trabalho dada à sociedade burguesa. Questionar a salvação pelo trabalho, como moral burguesa, foi uma provocação à religião do trabalho, feita diretamente e de forma profunda por Paul Lafargue, que como genro de Karl Marx compartilhava das idéias do pai de sua mulher.

Quanto ao pensador Karl Marx a humanidade deve favores, pois foi ele que avançou a leitura do capitalismo, apontando as bases de sua superação, discutindo a noção do não trabalho.

Na verdade foram esses autores que pensaram o direito do não trabalho e que nos permitiu discutir e aprofundar a necessidade de entender o lazer e turismo na sociedade contemporânea. Apesar do preconceito que ainda existe no interior dos centros de estudo sobre o trabalho, nada se torna tão desagradável do que constatar que certos setores da academia ainda possuem profundas divergências para assimilar a "economia do tempo" produzido no interior da economia.

Considerando que a idéia de trabalho e lazer surgem historicamente unidas, pois o ato de sobrevivência aparece acoplado pelo lúdico, e que as manifestações pela sobrevivência vão se fixar inicialmente nos interesses meramente familiares de subsistência. O trabalho e lazer se fundem nas atividades culturais e ocultam as possíveis diferenças sociais que podem existir de forma latente naquele grupo social.

ÓCIO

A palavra ócio tem um significado de oposição à vida de ação, pois deve estar livre da necessidade de estar ocupado. " El ocio no puede estar relacionado com ninguna ocupación", (De Grazia, p.40). Para Aristóteles a capacidade e o uso do ócio é à base de toda a vida do homem libre. Neste homem, localiza-se toda a potencialidade de uma vida capaz de estar liberta de toda a ingerência de qualquer grupo social e ser prazerosa pela liberdade e igualdade que a mesma navega diante do outro.

A SAGRADA FAMÍLIA

A primeira obra elaborada em comum entre Marx e Engels para os jovens Hegelianos de Berlim, como base para criticar a filosofia especulativa. Esse escrito tem imenso valor para o materialismo histórico e dialético, pois permite marcar as bases ontológicas que delimitam o pensamento materialista. E para nós turismólogos é de fundamental relevância, pois é daí que os autores oferecem ao mundo científico os axiomas do materialismo, possíveis de permitir uma análise oposta à historiografia oficial.

Entendendo que a lógica do pensamento histórico materialista tem como categoria explicativa da existência o ser humano como elemento que atua, modifica, retifica, destrói e constrói a realidade e a si mesmo. Por meio da categoria trabalho, entendemos que a noção de não trabalho (tempo livre) surja de forma concomitante, portanto, a leitura do ócio, lazer e turismo adquirem uma dimensão impar dentro da visão materialista, pois contrapõe integralmente os agora velhos e limitados paradigmas que explicam o surgimento do turismo.

A luta é contra o idealismo metafísico que construiu um mundo em que a realidade é puro fetiche e somente a abstração fundada na materialidade é capaz de ter na razão o elemento intermediário para se chegar ao concreto, que permitiria entender o fenômeno do lazer e turismo em outra base epistemológica.

Como sabiamente coloca Marx e Engels no prefácio do livro em questão:

Na Alemanha, o humanismo real tem como seu inimigo o espiritualismo ou o idealismo especulativo que substitui o homem individual real pela << Consciência em si >> ou pelo <<Espírito>> e que afirma, à semelhança do Evangelista: << É o espírito que vivifica, a carne a nada monta.>> Escusado será dizer que este Espírito desencarnado apenas é espírito imaginário.[16]

Marx esta pontuando sua crítica a Hegel, principalmente na concepção de história que o mesmo desenvolve, em que a materialidade inexiste como base concreta, pois o que prevalece é a noção de espírito absoluto, onde se nega toda a substância e abolição da natureza.

Essa concepção de mundo sustenta a maioria dos estudos sobre o fenômeno do turismo, em que prevalece a análise reducionista do fenômeno, quando fazemos uma leitura, por exemplo, econômica do turismo, como explicitado de forma brilhante no texto de Karl Marx; "O método da economia política" e trabalhado de forma avançada pela pesquisadora Marutschka Martini Moesch em sua obra "A produção do saber turístico", quando comenta:

O turismo passa a ser um valor de troca.

Se as informações estatísticas e os estudos de tendências realizados pela Organização Mundial do turismo e demais agências continuam a mostrar a aparência do turismo, corroborando a vertente pragmática, que o apresenta como uma atividade de forte apelo econômico, reduzir sua compreensão a ela é desconhecer a essência de um fenômeno que exerce uma pressão crescente sobre a produção da subjetividade social, o ecossistema, o modo estético e a herança cultural das localidades visitadas. Superar tal compreensão reducionista só será possível por meio de uma teorização mais complexa, em que a categoria econômica seja articulada às demais categorias...[17]

Os destaques que podemos apontar como relevantes na relevância total desta obra no campo do fenômeno do turismo estão explicitas na descrição que os autores fazem da situação concreta dos trabalhadores nas fabricas inglesas:

A crítica decreta que, nas fábricas inglesas, se trabalha dezasseis horas, se bem que as legislações inglesas, ingênuas e sem espírito crítico, tenha disposto que não se trabalhe mais do que doze horas diárias. Decreta que a Inglaterra deverá tornar-se numa imensa oficina mundial, se bem que, massivos e sem qualquer espírito crítico, os americanos, os alemães e os belgas estejam a arruinar, pouco a pouco, pela concorrência, todos os mercados ingleses [18]

O importante dessa obra é que seus autores fazem no plano empírico uma descrição detalhada das condições de vida dos trabalhadores, junto a uma reflexão epistemológica em que as bases são o combate persistente ao idealismo. Isso fortalece as visões materialistas, históricas e dialéticas, desmistificado o real e aprimorando a visão de totalidade, capaz de entender o objeto em sua dimensão histórica de verdade científica.

Ao descrever as condições de trabalho Marx e Engels estão na verdade sinalizando que as condições para o não trabalho e tempo livre vão se tornando objeto de luta dos movimentos sindicais e socialistas que movimentaram o mundo do trabalho. Nesse processo, o ócio, lazer e o turismo aparecem concomitante com a categoria trabalho, na luta contra a opressão e o tipo de trabalho escravo que a população no século XVIII e XIX estão submetidas.

IDEOLOGIA ALEMÃ

Obra de Marx e Engels, "A Ideologia Alemã“, redigida em 1847, expõe de forma sistemática os princípios do materialismo histórico e do socialismo científico, faz uma crítica geral à filosofia especulativa, porém, só foi publicada em 1932 na União Soviética”.

Alguns fragmentos importantes existentes na obra poderão sinalizar novos campos de pesquisa, para o turismo e o lazer, pois o importante é aprofundar estudos dentro de outros patamares teóricos, que tragam para o interior da academia a discussão e o debate sobre o fenômeno turístico.

A obra "A Ideologia Alemã”, por ela expressar como os homens criam os meios necessários para a criação de novos instrumentos de produção e como conseqüência buscam diminuir a jornada de trabalho na busca do descanso, via o ócio, lazer ou turismo.

...A existência de um primeiro pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a história, a saber, que os homens devem estar em condições de poder viver a fim de <<fazer história>>. Mas, para viver, é necessário antes de mais beber, comer, ter um tecto onde se abrigar, vestir-se, etc. O primeiro facto histórico é, pois a produção dos meios que permitem satisfazer essas necessidades, a produção da própria vida material; trata-se de um facto histórico, de umas condições fundamentais de toda história, que é necessário, tanto hoje como há milhares de anos, executar dia a dia, hora a hora, a fim de manter os homens vivos [19].

Para os homens se manterem vivos, necessitam satisfazer as necessidades primárias e secundárias e dentre elas necessariamente estará o lazer e como forma contemporânea o turismo. Esses são pontos que apesar de não constar na literatura de Marx, foram de uma forma ou outra por ele sinalizado.

Uma das passagens mais brilhantes desse livro se localiza no momento quando ao abordar a sociedade comunista, comenta da necessária liberdade de escolha pelas atividades de trabalho e atividades de lazer.

Na sociedade comunista, porém, onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo por isso uma esfera de actividade exclusiva é a sociedade que regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar de manhã, pescar à tarde, pastorear a noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico. [20]

A sociedade capitalista possui uma tendência em universalizar seus pensamentos segundo o interesse da classe dominante, nesse sentido, Marx delimita de formar concreta o seguinte pensamento.

Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material dominante numa sociedade é também a potência dominante espiritual. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos meios de produção intelectual; de tal modo que o pensamento daqueles a quem é recusado os meios de produção intelectual está submetido igualmente à classe dominante. Os pensamentos dominantes são apenas a expressão ideal das relações materiais dominantes concebidas sob a forma de idéias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; dizendo de outro modo, são as idéias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; dizendo de outro modo, são as idéias do seu domínio. [21]

Esses argumentos auxiliam no estudo dos parques temáticos e sua ideologia, que de infantil não tem nada, mas sim, demonstra uma estrutura composta de suaves elementos doutrinadores que são expressos por meio do lúdico, o fantástico, o irreal, o ilusório e o pior de todos o idiotizante. A realidade é a marcada pela falsidade e trabalha no campo do fetiche.

Outro ponto deveras interessante é a noção de padronização, um desrespeito total às particularidades em que uma imensa força centrifuga nos coloca diante da globalização que o Lênin chamou de imperialismo. E Marx assim se refere;

Criou por todo lado as mesmas relações entre as classes da sociedade, destruindo por isso o caráter particular das diferentes nacionalidades. E finalmente, enquanto a burguesia de cada nação conserva ainda interesses nacionais particulares, a grande burguesia surge com uma classe cujos interesses são os mesmos em todas as nações e para qual a nacionalidade deixa de existir; esta classe desembaraça-se verdadeiramente do mundo antigo e entra simultaneamente em oposição com ele.[22]

Esse processo de homogeneização da cultura, em que o regional, local e o Folk sofrem uma pasteurização das relações sociais e dos costumes, afeta exclusivamente o turismo, pois a pressão que o estilo Fast-Food de viver faz surgir à idéia de aldeia global, onde o padrão de vida é ditado segundo os interesses da classe dominante e dos dirigentes que detêm o monopólio do "bem servir". Esse processo funciona dentro dos padrões de qualidade segundo os interesses do turista estrangeiro que busca satisfazer sua necessidade sexual, pois segundo agentes constróem a imagem de um país exótico e de mulher fácil.

O Brasil deve lutar por manter suas peculiaridades em todos os campos; na culinária, na hospitalidade, no padrão de atendimento e no respeito as suas crianças e adultos no que se refere aos direitos humanos. Nada deve, tirar do brasileiro sua brasilidade, mas sim, colocá-la a mostra, demonstrando orgulho pela população africana, européia e o nativo da terra.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

O presente texto se constitui em um dos poucos escritos existentes, sobre as questões relativas ao estudo epistemológico do fenômeno turístico dentro do materialismo histórico dialético, buscando resgatar nas obras de Karl Marx e Paul Lafargue as sinalizações sobre o turismo e lazer. E de forma contemporânea nos escritos dos filósofos marxianos George Lukács e István Mészáros, com isso, ousamos contribuir para enriquecer o arcabouço teórico-filosófico de uma epistemologia do turismo.

Por sua exclusividade de investigação e pelo compromisso que nós intelectuais devemos ter com a produção científica que deve ser de acesso irrestrito a todos que dela necessitem, colocamos a disposição da academia este trabalho que não está concluído, mas sem dúvida será polemico e contribuirá para a reflexão do turismo no Brasil.

Cabe ressaltar que em ciência não há posições “erradas”, mas sim, outras interpretações que enriquecem o conhecimento já adquirido e avançam a racionalidade humana.

Nosso esforço foi demonstrar que o materialismo histórico e dialético é dotado de um instrumental de leitura do concreto, extremamente revelador das causas que compõem o fenômeno turístico abrindo a possibilidade para outros entendimentos. Essa qualidade torna-o importante no mundo acadêmico e cientifico qualificando-o como capaz de fazer uma leitura ontológica do fenômeno turístico.

O pressuposto que sustenta nossa leitura entende que não existe uma interpretação ideológica do fenômeno, mas sim, todo e qualquer discurso é ideológico, com isso, queremos dizer que não há ideologia inocente. Não adianta contrapor o nosso discurso como ideológico, pois aquele que assim nós qualifica também o é.

Com esse entendimento, nossa contribuição para o estudo do turismo, exige um repensar de conceitos e categorias tidas como consagradas no campo da ciência do turismo, incorporando novos elementos teóricos e empíricos que exigem uma releitura para uma nova acomodação episteme.

Nossa intenção foi agrupar uma serie de conteúdos, buscando dar uma lógica histórica e permitir que novos pesquisadores avancem no estudo cientifico do turismo, contribuindo assim para que o mesmo incorpore de vez a qualidade de ciência.


* O mundo é constituído por um sistema de relações entre meios e fins, em que o conhecimento ou a explicação dos atos humanos foi planejado anteriormente pelo próprio homem.

[1] MARX, K e ENGELS, A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão na dosseus.

Diferentes profetas. Portugal: Editoral Presença, p.36, 1976.

** Momento em que o trabalho deixa de ser determinado por necessidade e por utilidade exteriormente imposta.

[2] Lukács, Georg. As bases ontológicas da atividade humana. In Revista Temas de Ciências Sociais. N.4. São Paulo: Livraria Editora Ciências Humanas, p.15. 1978.

[3] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas. Portugal: Editorial Presença, 1976, p.33.

[4] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas. Portugal: Editorial Presença, 1976, p.18.

[5] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas. Portugal: Editorial Presença, 1976, p.44.

[6] FERNANDES, Florestan. Nós e o marxismo. In Cadernos Ensaio: Série Grande Formato. Marx Hoje. São Paulo: Editor Ensaio, 1987, p.152 e153.

[7] NADER, Gizlene. Marx e a História. In Por que Marx? Leandro Konder e outros. Rio de Janeiro: Graal, 1983, p.123 e 124.

[8] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas. Portugal: Editorial Presença, 1976, p.35.

[9] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas. Portugal: Editorial Presença, 1976, p.19.

[10] Marx, Karl. Formas que preceden a la producción capitalista. Argentina: Cuadernos de Pasado y Presente. 1971, p.52.

[11] Marx, Karl e Engels, Friedrich. Sobre a religião. Lisboa: edições setenta. 1976, p. 45.

* Constituiu-se na visão ontológica Lukaciana que busca compreender o ser social como produto historicamente determinado, em que a categoria central é o trabalho que transforma o homem e a própria natureza. Ao contrário da visão clássica (de cunho empirista, como Marx ressalta no texto "O método da Economia Política") que tem por base a metafísica e a especulação sem qualquer compromisso com a realização da história, isto é, sua ligação com a materialidade é inexistente.

[12] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas. Portugal: Editorial Presença, 1976, p.21.

[13] KUCZINSKI, Jurgen. Breve Historia de la Economia. In Historia de las Formaciones Precapitalistas II - Selección de lecturas. TomoI. Havana: editorial Pueblo y Educación. 1979,  p. 124.

[14] Lukács, Georg. As bases ontológicas da atividade humana. In. Revista Temas de Ciências Humanas. São Paulo: Ciências Humanas. 1978,p.12 e13.

[15] Idem, p. 3.

[16]MARX, Karl e Engels, Friedrich. A sagrada família ou crítica da crítica contra Bruno Bauer e Consortes. Lisboa: Editorial Presença, s/d.

[17] Moesch, Marutschka Martini. A produção do saber turístico. São Paulo: Contexto, 2000. P.37

[18] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Sagrada Família. Portugal: Presença e Martins Fontes, s/d. P.18.

[19] MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã I: Crítica da filosofia Alemã mais recente na pessoa. Dos seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão na dos seus. Diferentes profetas. Portugal: Editorial Presença, 1976, p.33.

[20] Idem, p.41.

[21] Idem, p. 55 e 56.

[22] Idem, p. 75.

 

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BIBLIOGRAFIA

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