Por JOÃO DOS SANTOS FILHO

Bacharel em Ciências Sociais e em Turismo – Professor da Universidade Estadual de Maringá – UEM. Professor do Centro Educacional Filadélfia de Londrina. Mestre em Filosofia e História da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Aluno especial do doutorado em ciência do turismo na ECA/USP. Fundador da Associação Brasileira de Bacharéis de Turismo de São Paulo - ABBTUR/SP e do Instituto de Análises sobre o desenvolvimento Econômico Social - IADES.

 

O quê deve mudar no Ensino do Turismo?

 

Os alunos; os professores; o projeto pedagógico do curso; os donos das instituições de ensino ou a política educacional brasileira.

 

Caro leitor, todos são responsáveis pela situação difícil em que se encontra o ensino universitário do turismo no Brasil.

Alunos querendo aprender e alunos obstruindo o aprendizado, alunos interessados e alunos desligados, alunos comprometidos com o saber e alunos descomprometidos, uma verdadeira mescla de interesses que ultrapassam o estudante e se explicitam por meio das questões sociais, políticas e econômicas. Todas as explicações passam pela dimensão da sociedade, como ela entende ideologicamente a educação formal e defende a escola pública e enxerga o ensino privado.

Professores, mal remunerados que se constituem em força de trabalho barata para os donos dos meios de produção, professores titulados são preteridos por professores não titulados, professores com péssima formação refletem a situação da educação no Brasil. Todos passaram ou irão passar por processos de humilhação: demissão de professores, segundo os interesses pessoais para indicar parentes, amigos, patrulhamento ideológico e redução salarial.

O projeto pedagógico do curso não é muitas vezes respeitado, a instituição aplica-o como instrumento para demonstrar a qualidade do curso naqueles momentos em que a comissão do Inep surge para autorizar ou reconhecer o mesmo. É neste período que as instituições de ensino particulares contratam mestres e doutores, criam e maquiam os laboratórios, liberam verbas para ajuda de custo para projetos de extensão, participação em eventos científicos e tantas outras atitudes que possam caracterizar uma preocupação com o ensino, pesquisa e extensão. Mas na verdade é uma farsa muito bem planejada, em que os donos destas unidades educacionais estão preocupados com a acumulação de Capital, pois após a saída dos consultores do Inep, desmontam-se as bibliotecas que eram emprestadas de outras unidades, demitem-se os doutores e mestres para contratarem graduados. Impõe a lei do “pegar ou largar”, na qual se instala a redução salarial durante o ano letivo e o professor nesse período esta impossibilitado de conseguir aulas em outro lugar.

Senhores leitores, existem casos em que o projeto pedagógico é completamente modificado segundo interesses pessoais de “coordenadores” deixado se levar pelo tecnicismo vulgar. Percebam senhores, que em seus cursos muitas vezes os laboratórios criados não correspondem às ênfases oferecidas pelo curso. Professores com senso critico contratados pelo curso tem vida curta, porque são dispensados e substituídos por outros com menor titulação.

Os donos das instituições de ensino, não admitem serem questionados quanto à qualidade do curso, muitos exigem que o professor e alunos cultivem os ensinamentos do empreendedorismo como a formula mágica para driblar a crise da sociedade neoliberal. Obrigam-nos a desenvolver uma leitura do real via a “economia política” de Adam Smith e Ricardo, aconselhando os alunos que o mercado se auto-acomoda e atende a todos.  

Com relação à política implementada sobre a educação brasileira é lastimável constatar que a lógica do Capital privilegia o ensino privado e sucateia o ensino público. O golpe se constata nas amplias medidas do governo em dar isenção fiscal às faculdades privadas em troca da compra de vagas, o chamado “Universidade para Todos”, que se resume na transferência de verbas públicas para universidades pagas.

A reforma universitária proposta pelo governo sinaliza a privatização do ensino público e prepara-o para seguir a lógica da política economia mundial que enxerga a atividade pública e privada coexistindo em harmonia e dependência, ou seja, uma reedição nova do Estado do Bem Estar Social as avessas, agora sob o controle de um Estado determinado pelas classes dominantes em que o estatal deve ser organizado e administrado pela iniciativa privada. 

Na verdade pouco sobra para o aluno e professor, pois a lógica Neoliberal é extremamente humilhante para ambos, os mesmos sofrem abusos de toda espécie: são impedidos de organizar-se politicamente dentro da escola e ameaçados de expulsão ou demissão.

Caro leitor cabe a nós estudantes de turismo (turismólogos) e professores que trabalham no ensino do fenômeno turístico, nos opor a esse processo de tecnificação do curso e à política para educação proposta pelo governo Federal, alertando que educação não deve ser entendida como mercadoria e sim como investimento para a cidadania. Lutar pelo ensino do turismo no Brasil é exigir um país mais democrático, mais igualitário e capaz de entender que o turismo deve ser o centro das políticas públicas.

 

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