Por JOÃO DOS SANTOS FILHO*

Bacharel em Ciências Sociais e em Turismo – Professor da Universidade Estadual de Maringá – UEM. Professor do Centro Educacional Filadélfia de Londrina. Mestre em Filosofia e História da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Aluno especial do doutorado em ciência do turismo na ECA/USP. Fundador da Associação Brasileira de Bacharéis de Turismo de São Paulo - ABBTUR/SP e do Instituto de Análises sobre o desenvolvimento Econômico Social - IADES.

 

Uma análise do fenômeno turístico tratado com seriedade científica

S6XTO - Congresso Internacional de Turismo da rede Mercocidades 

 

A história da humanidade não volta atrás e quando isso ocorre é de forma artificial e puramente idealista, portanto, segundo Karl Marx ressurge como comédia ou tragédia. Para aqueles que perderam seu poder secular de dominação material e simbólico sobre a sociedade, o entendimento do mundo, é visto como uma enorme desgraça para sua existência. Para os que surgiram ou ascenderam política e socialmente em decorrência desse processo histórico, a sociedade deveria permanecer congelada e imutável na perspectiva de preservar seu status quo.

Tanto um como o outro são produtos da luta de classes que movimenta a história em busca do reino da liberdade por meio do entendimento de que a categoria explicativa do homem – o trabalho e o lazer vão se aprimorando tecnologicamente na resolução de seus problemas, porque a mesma não surge separada do lazer. Por isso, “um outro turismo é possível” e se transforma em um instrumento de “integração pela paz”.

Nada pode desviar o processo da civilização do lazer ou do ócio como queria Paul Lafargue em seu panfleto revolucionário “O Direito à preguiça”, escrito 1880 e publicado pelo movimento socialista francês.

Assim, acontecimentos como o IV e VI Congresso Internacional de Turismo da rede Mercocidades realizados respectivamente em 2002 e 2004 na cidade de Porto Alegre permitiram que o campo do turismo no Brasil sedimentasse bases para os estudiosos desse objeto.

Portanto, alunos e professores hoje sabem distinguir entre os inúmeros congressos e vários tipos de encontros na área.

O Mercocidades de Porto Alegre trouxe a idéia e desenvolveu na prática a verdadeira práxis pedagógica para pensar o saber turístico. Devemos entendê-lo como uma ciência e na riqueza de sua interdisciplinaridade mediantes aos componentes que resguardam estes princípios.

Os guardiões desta persistência tiveram de lutar contra os dragões do mal, enfrentar o preconceito de uma “academia” acostumada com o senso comum e a leitura linear economicista e empírica do fenômeno turístico. Estes nos combateram pela frente e por trás, sem perdão, perdemos muitos espaços, mas cristalizamos outras unidades totalizantes do pensar, conquistamos amigos fiéis, mudamos a leitura do fenômeno turístico dentro das universidades, unimo-nos aos diversos quadrantes do mundo e temos tentáculos em vários cantos do planeta pensando o turismo.

Fomos preteridos de pensar uma política nacional para o turismo, subvertemos os grandes interesses, somos críticos, pois somos seres que pensam no coletivo, na justiça, na democracia com o fervor latino. Esses são brasileiros que acreditam na felicidade no amor e numa forma de fazer política voltada para a realidade latino-americana que lute contra o turismo apartheid, a miséria a fome e o medo de ser feliz.

Pessoas com proposta crítica semelhante, têm hoje onde pedir abrigo para seus pensamentos. Conseguimos agregar identidades de princípios no vasto campo do saber turístico junto a uma estrutura física exemplar o chamado Porto Alegre Turismo – Escritório Municipal.  É obvio que a questão não se resume a nenhuma estrutura pública para resolver o problema do turismo nacional, mas sim, na linha política pedagógica dada por quem a ocupa. Neste caso estamos nos referindo à professora, educadora, amiga e intelectual Marutschka Martini Moesch e sua equipe.

Vejamos alguns nomes que hoje conseguimos agregar entorno do estudo do fenômeno turístico no Brasil Jafar Jafari, John Swarbrooke, Sergio Molina, Jost Krippendorf, Michel Maffesoli e Hugo Romero. Com muitos aprendemos e assimilamos seus ensinamentos, mas uma coisa hoje se tem certeza, nada ficamos a dever a eles, nos associamos e complementamos saberes, por esse motivo somos referencia mundial na produção literária do turismo.

Aos estudiosos do turismo brasileiro devemos uma homenagem nos referimos a todos que de forma persistente se debruçaram no estudo epistemológico do turismo. Assim, a verdadeira base para que pudéssemos demonstrar uma intelectualidade crítica autóctone e desvinculada das diferentes historiografias dominantes, foi dada por esses pesquisadores com diferentes formações cientificas.

Terminamos com uma fala do saudoso Darcy Ribeiro que sabiamente ao perceber um tom deboche em uma de suas muitas falas sobre sua busca incansável em prol da integração dos latinos – americanos, nos conta que:

Certa vez, respondendo a uma inglesa malcriada, que duvidava que existisse uma América Latina, argumentei largamente para demonstrar que, graças a Deus, existimos. Veementemente. Existimos como uma gente que até pode fazer o bem, porque não quer nem precisa tirar nada de ninguém, porque foi feita de homens e mulheres vindos de todas as latitudes e de todas as raças[1].

Retomamos para afirmar que há muito tempo bons ventos vindos do Rio Grande do Sul refrescam nossas mentes e alimentam a “produção do saber turístico no Brasil” para o mundo.

 

 
[1] RIBEIRO, Darcy. O Brasil como Problema. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995. P.135 

clique e acesse todos os artigos publicados...

http://www.espacoacademico.com.br - Copyright © 2001-2004 - Todos os direitos reservados