Por ANTÔNIO INÁCIO ANDRIOLI

Bolsista do EED e doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück – Alemanha

 

Vinte anos de solidariedade entre sindicatos brasileiros e alemães

 

Reorganização social no Brasil e na Alemanha em tempos de globalização” foi o tema do encontro que nos dias 4, 5 e 6 de junho de 2004 reuniu, pela vigésima vez, brasileiros e alemães na academia social da Igreja Evangélica, em Friedewald, para discutir as perspectivas da solidariedade e da cooperação sindical entre os dois países. São homens e mulheres da indústria química e metalúrgica, sindicalistas, representantes de conselhos de fábrica, de organizações religiosas e de ONGs, sem-terras, estudantes e jovens, que fazem deste encontro anual – promovido pelo setor de formação da central sindical alemã DGB e pelas academias da Igreja Evangélica da Alemanha – um espaço de intercâmbio de experiências e de aprendizado mútuo.

Tudo começou no outono de 1984, quando sindicalistas brasileiros da Volkswagen, Mercedes e General Motors vieram conhecer as condições de vida e de trabalho das respectivas firmas na Alemanha e puderam entrar em contato com seus colegas sindicalistas alemães. De lá para cá muita coisa aconteceu: a luta conjunta contra as demissões através da pressão às empresas no seu país de origem; as primeiras comissões de fábrica no Brasil; as redes multilaterais dos trabalhadores na área metalúrgica, química e siderúrgica; o Fórum Carajás, que trouxe à opinião pública as conseqüências do minério de ferro e do comércio de matéria prima aos seres humanos e ao meio ambiente; o apoio à construção da Escola Sul da CUT; a organização do Observatório Social, que exige a manutenção internacional dos direitos trabalhistas; o envolvimento com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; o encontro com a experiência do Orçamento Participativo de Porto Alegre e a participação no Fórum Social Mundial.

Desta vez, estiveram presentes figuras históricas como Vicente Paulo da Silva (Vicentinho), ex-Presidente da Central Única dos Trabalhadores, mas, ao mesmo tempo, uma grande delegação do intercâmbio internacional de jovens sindicalistas. Se, por um lado, houve muito a comemorar, por outro, muitos expressaram suas preocupações com os rumos do governo Lula. A “globalização da insegurança” – como o professor Elmar Altvater caracterizou a crescente informalização do trabalho em sua fala – se intensificou no governo Lula em função da continuidade da política econômica conservadora. A tentativa de estimular o equilíbrio fiscal com vistas ao pagamento de juros da dívida e, ao mesmo tempo, querer implementar programas sociais, não teria dado certo, o que exigiria uma mudança de rumos do governo. Se a eleição de Lula despertou enormes esperanças de mudanças sociais e políticas no país e se teve o apoio de inúmeros movimentos sociais, é exatamente agora o momento decisivo de apoio à formação e à organização da sociedade civil. Um grande desafio é a cooperação com grupos socialmente excluídos, pois, neste caso, nem sempre há uma organização parceira disponível. Nesta perspectiva, a experiência de cooperação com o MST é um bom exemplo do qual as organizações alemãs têm muito a aprender. Nos tempos da globalização neoliberal, onde as ações das multinacionais acontecem em nível internacional, a cooperação sindical adquire um significado especial. Como o Brasil é um dos mais importantes territórios em termos de expansão internacional de empresas alemãs, uma efetiva resistência e pressão por parte dos trabalhadores pode ser fortalecida pela solidariedade entre trabalhadores dos dois países. Os vinte anos de experiência comprovaram isso. Portanto, vamos continuar neste caminho.

 

Zwanzig Jahre Solidarität zwischen deutschen und brasilianischen Gewerkschaften

 

Antônio Inácio Andrioli*

„Gesellschaftlicher Umbau in Deutschland und Brasilien in Zeiten der Globalisierung“ lautete das Thema der Tagung, die vom 4. bis 6. Juni 2004 an der Evangelischen Sozialakademie Friedewald zum zwanzigsten Mal Brasilianer und Deutsche zusammenbrachte, um die Perspektiven der Solidaritäts- und Gewerkschaftszusammenarbeit zwischen beiden Ländern zu diskutieren. Es waren Frauen und Männer aus der Metall- und Chemieindustrie, von Gewerkschaften und Betriebsräten deutscher Konzerne, aus Kirchen und Nicht-Regierungsorganisationen, von Landlosen, Studenten und Jugendlichen, die aus der von DGB Bildungswerk und Evangelischen Akademien in Deutschland jährlich organisierten Tagung  einen Raum des Austausches von Erfahrungen und des gemeinsamen Lernens machen.

Im Herbst 1984 fing es an, als brasilianische Gewerkschaftler von Volkswagen, Mercedes und General Motors die Arbeits- und Lebensbedingungen in den Firmen in Deutschland kennen lernten und in Kontakt mit ihren deutschen Kollegen kamen. Danach kam vieles zu Stande: Der gemeinsame Kampf gegen Entlassungen durch den Druck auf Unternehmen im Hauptsitz; die ersten Fabrikkommissionen (in etwa Betriebsräte) in Brasilien; die multilateralen Netzwerke der Metall-, Chemie- und Stahlarbeiter; das Forum Carajás (Öffentlichkeitsarbeit über die Folgen des Eisenerzabbau und Rohstoffhandels für Mensch und Umwelt); die Unterstützung der Gewerkschaftsschule Escola Sul; die Einrichtung vom Observatório Social zur Förderung der weltweiten Einhaltung von Arbeitsrechten; der enge Kontakt zur Landlosenbewegung MST; die Begegnung mit der Erfahrung des Beteiligungshaushaltes von Porto Alegre und die Teilnahme am Weltsozialforum.

Diesmal waren viele „alten Hasen“ wie z.B. Vicente Paulo da Silva (Vicentinho), ehemaliger Vorsitzender des brasilianischen Gewerkschaftsbunds CUT, gleichzeitig aber auch eine große Delegation der internationalen Gewerkschaftsjugendarbeit dabei. Einerseits gab es viel zu feiern, anderseits äußerten viele auch ihr Besorgnis über den Kurs der Regierung Lula. Die „Globalisierung der Unsicherheit“, wie Prof. Elmar Altvater an der zunehmenden Informalisierung der Arbeit in seinem Beitrag deutlich machte, ist eine Realität, die unter der Regierung Lula aufgrund der Fortsetzung konservativer Wirtschaftspolitik verschärft wurde. Der Spagat zwischen dem Sparkurs zur Versorgung des Schuldendienstes und der Durchsetzung sozialer Programme sei nicht gelungen, was einen Kurswechsel der heutigen Politik erfordere. Weil der Wahlsieg enorme Hoffnungen auf politische und soziale Veränderungen im Land geweckt hat und vor allem von zahlreichen sozialen Bewegungen getragen wurde, ist es gerade jetzt entscheidend, bei der Bildung und Organisation der Zivilgesellschaft zu helfen. Eine große Herausforderung ist die Zusammenarbeit mit gesellschaftlich Ausgeschlossenen, denn in diesen Fällen sei meistens keine Partnerorganisation vorhanden. Die Erfahrung mit der Landlosenbewegung stellt in dieser Hinsicht ein gutes Beispiel dar, wovon deutsche Organisationen viel zu lernen hätten. Im Zeitalter der neoliberalen Globalisierung, in dem die Angriffe der Konzerne auf der internationalen Ebene stattfinden, gewinnt die gewerkschaftlichen Zusammenarbeit einen besonderen Stellenwert. Da Brasilien einer der wichtigsten Standorte deutscher Unternehmen im Ausland sei, können durch bilaterale Solidarität der Widerstand und der Druck von Seiten der Arbeitnehmer verstärkt werden. Die zwanzig Jahre Erfahrung haben dies gezeigt. „Also machen wir uns weiter auf den Weg“.

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* Doktorand der Sozialwissenschaften an der Universität Osnabrück.

 

 
 

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