Por JOÃO DOS SANTOS FILHO

Professor da Universidade Estadual de Maringá-UEM. Coordenador e professor do curso de turismo da Faculdade Nobel. Professor da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). Aluno especial do doutorado da Universidade de São Paulo (USP) na Escola de Comunicação e Artes (ECA)

 

Por que sabotam a regulamentação da profissão de Turismólogo?

"Quem tem medo desse profissional?"

 

Caros turismólogos será que somos descartáveis, insignificantes enquanto força de trabalho, não possuímos nenhuma representação política e qual a razão de professores fazerem campanha contra nossa representação sindical, afinal quem somos e a quem incomodamos dentro do trade turístico? Tenho a convicção que não nos enquadramos em nada disso, mas quem nos rejeita? O mercado, a incompetência profissional, os curiosos do turismo, a recessão econômica ou quem sabe a falta da disciplina "salvadora" de todos os cursos; o milagre do empreendedorismo que caminha em conjunto com as palestras de auto-ajuda lideradas pelo místico da literatura Paulo Coelho. Obviamente essas indagações não podem ser respondidas como definitivas, pois de tudo há um pouco, como em qualquer outra atividade profissional, pois o mercado está crivado desses ensinamentos decorrentes da lógica neoliberal.

Os nossos inimigos estão presentes no interior da própria lógica capitalista ditada pela atual vertente econômica do neoliberalismo, a qual não admite que qualquer força de trabalho atue de forma sindicalizada, implantando a lógica da desagregação ou da desregulamentação, não percebendo que a questão política está presente no cotidiano acadêmico e prático da ação do turismólogo. E que nossa presença no território nacional em termos quantitativo e teórico está aumentando e ganhando terreno no campo da produção cientifica.

Somos mais de 546 cursos de turismo no Brasil, lutando no mercado de trabalho para exercer uma profissão que segundo economistas e cientistas políticos e a atividade de trabalho mais promissora para os próximos 10 anos. Considerados os novos elementos dinamizadores para tirar os países capitalismo da linha de recessão e esgotamento da qual ele padece.

O turismo abre a perspectiva de ser o tônico que dará ao Capital seu saudoso desempenho de criação da riqueza, bem como, demonstra que o mesmo permanece com o entendimento que sempre o caracterizou, como produtor de divisas. Essa visão reducionista, simplista e linear de entender o mundo é própria dos arautos do capital, traduzindo-se no discurso dos ventrículos que mandam no turismo e continuam a desenvolver a política continuísta do turismo de décadas passadas.   

Será que nossos inimigos são produtos do imaginário, ou de perseguições reais? . Há um lobby que permanece premente nesse setor do culto às dinastias do comando turístico nacional. Entra governo, sai governo o turismo apresenta a mesma lógica, nada muda, existe uma adoração às políticas formulada por curiosos que permaneceram por décadas nas estruturas de poder.

Existe um poder paralelo que está articulado junto aos órgãos de poder do turismo que desenvolvem uma política elitista e de exclusão, apesar de estarmos num governo sindicalista e de participação popular que infelizmente não possui tradição e militantes nesse campo, bem como, entende o turismo como uma política secundária.

Contra quem devemos lutar? Entendemos que com ninguém que esteja ocupando os cargos máximos do turismo, pois independente de quem esteja como Ministro do turismo e de presidente da Embratur, todos querem acertar, mas não podemos nos esquivar de mostrar os erros e os equívocos da ação dos mesmos em algumas medidas.

A quem nos referimos

1. A toda estrutura administrativa e política que foi montada para organizar o turismo desde 1966 com a criação da Embratur, que a princípio surgiu em virtude da necessidade de vender e montar uma imagem de Brasil no exterior e não somente para organizar o turismo nacional. Na base dessa lógica está a necessidade de combater a idéia de ditadura militar instalada em 1964, pois “o regime militar e sua radicalização comprometeram a imagem do país no exterior, subtraindo credibilidade à sua ação" (Luiz Cervo, Amado. História da Política exterior do Brasil. 1992 pg.336). Assim nada mais vantajoso para o estado militar criar um órgão como a Embratur para cuidar da imagem do país no exterior que por sinal acabou divulgando a idéia de país erótico, exótico, carnavalesco e onde o prazer da companhia feminina que habita à hospitalidade brasileira vai além do bem receber.

A idéia inicial era de mostrar um país da paz, harmonia, católico, multiracial, onde se localizava o paraíso das liberdades democráticas garantidas pelo combate eficaz contra o perigo comunista.

Portanto, a Embratur nasceu de forma abortiva e sempre foi comandada por políticos de carreira, que erraram muito mais do que acertaram, apesar de ter desenvolvido um aparato de normativas e regulamentos que deram ao país certa funcionalidade organizacional ao turismo.

A Embratur sempre foi reticente ao nosso projeto de regulamentação profissional, entra presidente sai presidente o discurso permanece o mesmo, adquire adjetivos novos e tonalidades muitas vezes populistas, porém, sempre finaliza por não nos apoiar em nossa luta sindical.

2. Há estudiosos do turismo que entendem o fenômeno turístico como descolado das questões políticas maiores, como se o turismólogo fosse uma simples força de trabalho submissa às leis do Capital. Não o enxergam como uma categoria politizada e preocupada com seus deveres profissionais.

3. Aos neoliberais de plantão que insistem em se travestir de guardiões do Estado, protegendo seu equilíbrio e cultuando o processo de despolitização por meio do processo de inculcação contra a regulamentação em nossos alunos.

4. Há aqueles que insistem em afirmar que a regulamentação irá restringir o campo de trabalho do bacharel em turismo, pois entende, o fenômeno turístico como algo acidental e impossível de ser delimitado.

5. Aos que temem nossa organização política em volta de um sindicato forte e não patronal.

6. Os que nos chamam de radicais e até de comunistas, quando observamos que deveria haver uma sindicância na Embratur para apurar quais estados foram mais beneficiados com as verbas desse órgão, nos governos anteriores.

7. Os voluntaristas e políticos que estão envolvidos com o PNMT que apoiaram esse programa sem saber o crime que estavam cometendo junto às populações folk.

8. A disputa política para preencher os cargos das representações dos escritórios da Embratur no exterior, vale tudo desde a existência de capachos profissionais até os velhos e persistentes coronéis da política nacional fazendo lobby.

9. Os que fazem uma leitura linear e funcional do fenômeno turístico enquadrando seu entendimento no campo do econômico.

10. Aos "chicagos boys" como certamente diria Darcy Ribeiro que invadiram setores da política nacional e tentam imprimir ao turismo a lógica de que devemos vender o Brasil para que aumente o fluxo do turismo estrangeiro, bem como, criar e aprimorar uma infra-estrutura ao gosto deles.

O que devemos fazer?

Em primeiro lugar, entender que o sistema capitalista se alimenta em decorrência do processo de movimentação das classes sociais, requerendo que a força de trabalho a qual nos referimos, bacharéis de turismo (turismólogo) possam ter poder de barganha no jogo político e que estejam integrados em volta de seu sindicato. Portanto urge a necessidade da regulamentação da profissão.

Em segundo lugar, entender que o processo político não esta descolado do mundo da educação na luta para a formação de um indivíduo crítico, defensor de seus direitos e consciente de sua existência social. O que nos obriga entender a educação como um processo que só é completo quando atua e participa com ações extra-classe, combinando o cotidiano à sua formação integral.

Em terceiro lugar, temos o direito de lutar pela organização política de nossa categoria e para isso a etapa inicial é exigir com todas nossas forças a regulamentação profissional. Fomos vítimas de categorias profissionais que nos quiseram paternalizar em razão do imposto sindical.

Em quarto lugar, entendemos que só por meio de uma organização política sindical forte poderemos ser respeitados e ouvidos perante o trade turístico, deixemos de lado as visões ingênuas de roupagem liberal, que o sistema acaba alimentando.

Em quinto lugar, devemos fazer uma corrente com nossos pares para que em todos os eventos de turismo que ocorrerem em nossas faculdades ou universidades o assunto regulamentação será abordado, convidando pessoas para um debate sobre esse assunto.

Em sexto lugar, exigir que o Ministro do Turismo e principalmente o presidente da Embratur se posicionem publicamente com referência a regulamentação da profissão.

Em sétimo lugar, pressionar para que o CBTUR faça lobby para que o assunto regulamentação da profissão seja um dos temas desse encontro, pois projetos no senado existem, o que necessitamos é vontade política do trade e dos órgãos públicos federais.

Em oitavo lugar, pressionar para que a Embratur se manifeste sobre nossa regulamentação, anos atrás, a mesma se posicionou contra. Esse parecer existe e deve ser colocado ao conhecimento público.

Em nono lugar, utilizar o site "estudos turísticos" para escrevermos sobre esse assunto como brilhantemente fez Valéria Mônaco com seu artigo "Por que a regulamentação de bacharel em turismo não sai...”. Ou como sempre o faz em seus preciosos escritos, o também amigo de site Marcelo Veloso.

Em décimo lugar, integrar as ABBTUR'S na luta pela regulamentação, formando grupos para pensar formas de pressionar os políticos de suas regiões (Os Conselhos Municipais de Turismo, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores e governadores) para que assumam como meta de seus compromissos com o povo a defesa de nossa regulamentação profissional.  

E, finalmente esclarecer aos turismólogos que esse governo tem uma história e tradição que se formou no campo da organização sindical devendo portanto, a nós bacharéis de turismo um apoio definitivo para que consigamos nossa tão sofrida regulamentação profissional.

A todas que lerem esse artigo, gostaria de receber sugestões para que juntos possamos ampliar nossa luta por nossos interesses profissionais. Por esse motivo deixo meu e-mail. Joaofilho@onda.com.br

 

 
 

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