Por JOSÉ APÓSTOLO NETTO

Historiador e doutorando em História (UNESP - Campus de Assis, SP)

 


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Um Breve Comentário do Primeiro Ano Administrativo do PT no Governo do Brasil

 

“A chama não se apagou, nem se apagará. Ninguém vai esquecer Candeia...”

(Tributo de Luis Carlos da Vila ao sambista militante popular Candeia)

 

Um espectro ronda o PT: o passado... Tecer algum comentário, ainda que breve, do primeiro ano da gestão petista no governo federal não é tarefa das mais fáceis. Ainda mais quando ele é feito por um quase militante que, como qualquer pessoa que não tem nervos de aço, deixou, em alguns momentos, a razão de lado e se rendeu à pura emoção. Foram inúmeras as vezes em que amou e odiou, elogiou e vaiou, bendisse e maldisse as apostas e escolhas do partido no campo da política nacional.

Mas, agora, um pouco mais calejado, o comentarista tentará aqui se despir o máximo possível de qualquer emotividade e encetará um breve comentário do PT no poder central.

O PT, diferentemente de outros partidos que governaram o Brasil, encontra-se num entrecruzamento temporal, no qual passado/presente/futuro estão em constante diálogo e choque. Em outros termos, encontra-se num ponto de encontro, nem sempre harmonioso, com o que ele foi, está sendo e pode vir a ser.

Por conta disso, não pode simplesmente, ainda que pareça, vestir a máscara do cinismo e dizer aos brasileiros “esqueçam as antigas bandeiras. O país mudou e o partido evoluiu”. Não, não pode. A coisa não se resolve de maneira tão simples assim.

Felizmente, e se permitem a paródia, um espectro ronda o PT. Esse espectro é o espectro do passado. Por mais que o PT governo queira afastá-lo ou até exorcizá-lo, como o quis com a expulsão dos ditos radicais do partido, esse passado vai estar lá, pesando sobre a sua consciência.

Por isso, é preciso ter em conta o peso que tem, nas decisões do PT governo, o fato de ser o primeiro partido de esquerda no poder, após quinhentos anos de mandos e desmandos das elites endinheiradas; bem como o significado histórico do partido para a classe trabalhadora brasileira nessas duas últimas décadas.

Não podemos desconsiderar a força simbólica desses acontecimentos. Do contrário, logo chegaremos à temerosa conclusão de que o PT abandonou o projeto global de transformação social do país e abraçou de vez o receituário neoliberal de racionalização e flexibilização do mercado.

Acredito que, como alegoriza Leonardo Boff na parábola da águia e da galinha, o PT governo em breve potencializará a idéia de que não nasceu para ciscar o chão, como o faz no momento, mas para alçar vôos mais altos no trato dos negócios políticos nacionais e internacionais.

 

 

Bibliografia

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista. São Paulo, Cortez, 1998.

BOFF, Leonardo. A Águia e a Galinha. Uma Metáfora da Condição Humana. 27. ed. Rio de Janeiro, Vozes, 2002.


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