Por EVA PAULINO BUENO
Depois de quatro anos trabalhando em universidades no Japão, Eva Paulino Bueno leciona Espanhol e Português na St. Mary’s University em San Antonio, Texas. Ela é autora de Mazzaropi, o artista do povo (EDUEM 2000), Resisting Boundaries (Garland, 1995), Imagination Beyond Nation (University of Pittsburgh Press, 1999), Naming the Father (Lexington Books, 2001), e I Wouldn’t Want Anybody to Know: Native English Teachi ng in Japan (JPGS, 2003).


VERSÃO WORD [WINZIP]

 

Por que falar da morte?

Dedicado a Salvador Piton, querido professor e amigo,

e a Regina Domiciano, amiga de tantos anos.

Ambos se foram cedo demais, sem tempo para despedidas.

 

A idéia para esta secção especial da REA surgiu de conversas informais com amigos, quando comentávamos como é difícil perder um amigo ou um parente, e como todos vivemos com o temor de um telefonema no meio da noite, ou de uma carta que vem de longe, dando a notícia que ninguém quer receber. Para todos nós que moramos longe das nossas famílias, e cujos pais estão velhinhos, o medo é uma constante. E como conversa puxa conversa, acabamos comentando, bastante informalmente, como  algumas culturas reagem de maneiras diferentes à morte, mas que, de maneira geral, a dor muito humana da perda de alguém é universal. Deste bate papo informal chegamos à conclusão que seria uma boa idéia colocar em termos de pequenos ensaios e artigos esta olhada multicultural a como, embora a dor seja a mesma, as manifestações externas diferem tanto, quando se trata da morte.

A partir do momento que concluímos que tal assunto seria interessante para esta secção especial, foi um passo começar a contactar amigos e conhecidos de vários países e áreas de estudo. Alguns aceitaram e se puseram a pesquisar e escrever. Mas outros simplesmente se recusaram a escrever sobre tal assunto, uns porque ainda estão passando por um luto muito doloroso, e outros porque acharam que não poderiam escrever coerentemente sobre a morte. Outros acharam que não teriam tempo de escrever. E, por fim, uns disseram que escrever sobre tal assunto seria de mau agouro.

Como tal resposta veio de pessoas do meio acadêmico, gostaria de pausar por um momento no assunto do mau agouro, e ver como ele pode ser impedimento a que alguém escreva sobre um determinado assunto. O mau agouro, o azar, é algo que parece estar associado em muitas culturas com a possibilidade da morte e da danação, ou, para os cristãos, para o sofrimento eterno, o inferno. O azar seria, então, ao mesmo tempo punição de algo, e ímã atraindo ainda pior sorte, especialmente a do tipo que dura para sempre. A decisão de não insistir com os colegas foi fácil: ninguém colocaria amigos em tal situação, por mais importante que a contribuição pudesse ter sido. A atração de alguma coisa negativa, de uma energia que só se extingue à custa de uma vida, ou de muita dor, é algo em que muitos acreditam (tanto em nível racional como em nível emocional), e acreditar é  meio caminho andado para que qualquer coisa se realize.

Já entre os outros que não tinham tempo para escrever, percebi duas atitudes diferentes: uns, acharam que não valia a pena escrever sobre a morte, porque "todos já sabem do que se trata," e outros, porque queriam entrevistar pessoas de alguns grupos, e o tempo realmente não era suficiente para esta edição. Talvez no futuro, possamos publicar artigos sobre  assuntos que estes colegas sugeriram, quando eles tiverem tempo de escrever.

Na verdade, apesar das diferentes razões que mesmo os que não se prontificaram a escrever deram, todos tinham, de alguma forma, um conhecimento específico do que a morte representa e, além dela, sabiam de alguma maneira de homenagear os mortos, ou apaziguar os espíritos dos que já se foram. Isto parece que é algo que todos reconhecemos, não importando cultura, classe social, nível de escolaridade. De acordo com antropólogos, os seres humanos já vêm fazendo estas homenagens, estes rituais funerários, há muito tempo. Me lembro de ter lido há muitos anos atrás, e ficado devidamente impressionada, que cientistas tinham encontrado um esqueleto humano petrificado, e junto ao esqueleto, também petrificados, se encontraram vestígios de flores que eles deduziram terem sido trazidas e colocadas ao lado do morto. Como concluíram que as flores haviam sido trazidas e não tinham simplesmente crescido ali?  Porque as flores não cresciam naquele lugar, e para elas estarem ali, deveriam ter sido cortadas e trazidas pelos que participaram de uma cerimônia funerária. Esta explicação faz algum tipo de sentido, mesmo que uns possam dizer que, na realidade, quando os cientistas dão estas explicações, estão na realidade contando uma história, um conto, que nos ajuda a compreender a nossa humanidade. E a nossa humanidade tem muito a ver como nos relacionamos com os mortos, como os respeitamos, como nos despedimos deles. Nós somos os animais que sabemos que vamos morrer, e a morte nos fascina. Esta fascinação é, de qualquer forma, uma das maneiras em que nos diferenciamos dos demais animais.

A estranha fascinação com a morte também pode ser vista na existência de múmias em quase todas as partes do mundo. Estes restos mortais, preservados para durar e levar a alma da pessoa até outra dimensão, são encontrados tanto no Egito, como nas Américas, como na Europa, e até mesmo na Ásia. Em algum ponto da maioria das culturas, ao que tudo indica, as pessoas concluíram que há uma outra vida além desta, e que pelo menos alguns indivíduos merecem ser mantidos e preservados para a passagem de um lado a outro. Entre os egípcios, como sabemos, se preservavam não somente os corpos dos faraós e membros de suas famílias, mas os corpos de quem tivesse dinheiro suficiente para pagar pelo custoso processo. [1] Há também o caso de múmias “espontâneas”, aquelas que a composição do solo, ou outras características ambientais – neve, acidez da terra – produziram múmias em várias partes do mundo. Na América Latina, por exemplo, caso especial é o dos antigos habitantes do que hoje é o Peru, que sacrificavam crianças nas montanhas dos Andes, provavelmente para apaziguar os deuses. Ainda se podem encontrar estes corpos, ricamente vestidos e enfeitados, quase que completamente conservados, mumificados pela neve e o gelo. Também desta região do Peru, e em parte do Chile, vêm as múmias dos Chinchorros. Assim como as múmias dos Egito, estas também requeriam grande trabalho, sendo que o processo de mumificação exigia grande conhecimento científico. (Ver http://www.mummytombs.com/mummylocator/group/chinchorro.htm para mais detalhes). Na Irlanda, na região pantanosa que se chama "bog" já se encontraram vários corpos de pessoas que viveram ali há vários séculos, mumificados pelos componentes químicos do lugar. O mais famoso deste antigo habitante da Irlanda mereceu um poema de Seamus Heaney, poeta irlandês que ganhou o prêmio Nobel de literatura em 1995. Na Dinamarca, perto da vila de Grauballe, em 1952, foi encontrado um corpo mumificado na lama, e sua idade aproximada foi calculada em mais de mil anos. Na Rússia, foram encontradas múmias dos reis do povo chamado Scythian, que viveram naquela região do século VIII ao VI  A.C. Na Ásia Central, na região da bacia do rio Tarim, foram encontradas múmias também, conservadas por 4.000 anos pelo clima seco e pelo sal da terra. E por aí vai, pelo mundo afora.

No nosso Brasil tropical, pelo menos que eu saiba, não há múmias, embora esta palavra, "múmia", seja uma das maneiras que podemos usar para nos referir a alguém de forma pejorativa. Mas, mesmo não tendo múmias de verdade, temos histórias de tumbas que, por assim dizer, contam a história da pessoa enterrada nela. Cada cemitério tem uma destas. Quem não sabe de histórias de uma tumba "que chora", ou na qual flores estranhas crescem, ou da qual alguns dizem que ouvem sons em certos dias? Uma das mais interessantes que eu conheço, é a história de duas cunhadas que se odiavam em vida. Quando a primeira morreu, ela foi colocada no jazigo da família. A segunda, já velhinha, disse a todos que não a colocassem no mesmo jazigo, porque ela seguia odiando a finada. A família se esqueceu do pedido, e quando a segunda velhinha morreu, colocaram seu corpo junto com o da parente. Não deu outra: o túmulo rachou. A família então resolveu remover o corpo e colocá-lo em outra parte do cemitério, para evitar que a rusga das duas continuasse se manifestando de maneira tão escandalosa. Se é verdade esta história, eu não sei. Mas é uma história interessante.

Já em alguns lugares da África ocidental, por exemplo, os locais tinham muito medo do que as pessoas chamadas “griots” podiam  fazer depois de mortos, e por isso em algumas regiões do Senegal, “enterravam” seus corpos de uma maneira muito estranha. Os griots ainda hoje em dia funcionam como artistas, historiadores, contadores de histórias, artistas ambulantes, genealogistas, e jornalistas. Eles vão de um lugar ao outro levando e trazendo notícias, contando histórias, cantando músicas. No passado, quando um griot morria, a comunidade onde ocorria a morte abria o tronco de um baobá — como se sabe, uma árvore imensa - e ali dentro colocavam o corpo do griot. (Ver mais informação em Thomas Hale, Griots and Griottes, Indiana University Press, 1998.) Talvez a comunidade quisesse, assim, preservar o fato de que o griot tinha tanta importância que deveria continuar “vivendo” dentro do organismo vivo que é a árvore. Mas talvez, o que este costume revele é aquilo que cada um de nós sabe: a morte nos fascina, nos amedronta, e nos lembra, a cada momento, que ela existe e que faz parte da vida.

Outra coisa que sabemos é que a morte é, em todo mundo, é uma ocasião triste, mesmo quando a pessoa que morre já é velha, ou está doente. Depois dos primeiros momentos, em alguns casos, talvez a família respire aliviada por não estar mais testemunhando o sofrimento do doente, ou a demência do/a velhinho/a, mas logo vem a consciência que esta pessoa jamais vai ser vista outra vez. Sua voz  nunca mais vai ser ouvida. A pessoa morta não vai mais vir para jantar. Não vai mais telefonar. Não vai mais poder convidar para um cafezinho, ou dar uma bronca, ou contar uma piada, ou simplesmente ESTAR no mundo com a gente. A pessoa que morreu não vai mais mudar. Não vai mais envelhecer. A pessoa que morreu vai seguir por um caminho que nós não conhecemos.

E é aqui que começam as muitas homenagens aos mortos, as muitas cerimônias tentando apaziguá-los, consolá-los, ou mesmo entrar em contato com eles. Neste momento, surgem as diferentes manifestações culturais que se centram nestas tentativas de reencontrar a pessoa que se foi. Desde as sessões espíritas em que as pessoas mortas supostamente voltam e falam pela boca do médium, as cerimônias especiais em algumas culturas indígenas em que membros vivos entram em transe e se conectam com os espíritos dos ancestrais, e mesmo aos milagres que os cristãos atribuem aos santos (que são nada mais nada menos pessoas que viveram alguma experiência excepcional, e que em resultado adquiriram status especial), todas são formas de contacto com os que estão do outro lado.

Onde eu moro, perto do México, o dia dos mortos — “el día de los muertos” — é uma ocasião especial, porque tantas pessoas de San Antonio são ou mexicanas ou de origem mexicana. Em cada casa de família, para o dia 2 de novembro, se monta um altar, no qual são homenageados os mortos da família. Também em alguns lugares públicos tais altares são montados, homenagens são feitas, em uma maneira de manter viva a tradição. Além das fotos dos finados, estes altares contêm o “pan de muerto” — um tipo de rosca doce que pode ser feita em forma de caveira. No altar também há flores, velas, perfumes, coisas que os finados gostavam, e até cartas para eles, escritas por familiares e amigos. Para as crianças se distribuem caveirinhas de açúcar, e também há muitos bonequinhos com formas de esqueletos em posições divertidas. Este costume, que vem dos tempos pré-colombianos, indica que neste dia as almas dos parentes visitam a terra, especialmente a casa da família, e assim têm a ocasião de passar tempo com os parentes, matando as saudades, escutando as novidades. [2]

Mas muitas pessoas não acreditam que há um outro lado. A morte, para muitos, é um final definitivo, e não uma passagem. No entanto, mesmo para estes é possível usar esta ocasião para dizer algo; podemos citar como  exemplo as cerimônias funerárias em que a família do morto se esmera nas suas demonstrações de riqueza e poder. Tais cerimônias têm como intento alcançar mais status para a própria família do morto, e esta ocasião o espaço cultural da cerimônia pode ser considerado a sua última contribuição à família. No Brasil, como sabemos muito bem, muitos usam até o cemitério para fazer suas afirmações de riqueza e status: basta ir a qualquer um, e ali estão os túmulos feitos de materiais caros, extremamente enfeitados, e com o nome da família em destaque. É impossível não comparar tal costume com um que existe nos Estados Unidos, em que, em geral, os cemitérios são bastante simples, e as famílias fazem doações para várias causas em homenagem ao morto. [3] De fato, tanto pelos excessos de demonstração de poder, quanto pela simplicidade das tumbas, os cemitérios podem ser tomados como uma manifestação histórica, cultural, artística, religiosa, e até política. [4] Parece ser um fato mundial que, embora a morte possa significar a cessação da presença física da pessoa morta, não significa que a sua contribuição para a sua família, grupo social, partido político, ou país, cessem com a sua morte física.

Aí entramos em um aspecto muito interessante das cerimônias funerárias, e das atividades especiais durante o período de luto, que diferem não só de uma cultura à outra, como também de um tempo ao outro, e às vezes até de uma região à outra dentro de um mesmo país. Um fato interessante na Inglaterra, por exemplo, é que a rainha Vitória, quando seu marido Alberto morreu, em 1861, estabeleceu uma série de normas a serem seguidas durante o luto, desde a roupa negra, papéis de carta com uma faixa negra, até os elaborados funerais. O período de luto variava dependendo da relação que a pessoa tinha com o morto. Havia o seguinte quadro:

 

Morte de                                       Período de luto

Marido .....................................................dois ou três anos

Esposa......................................................três meses

Pai ou filho ...............................................um ano

Irmão ou irmã............................................seis meses

Avós..........................................................seis meses

Tias e tios..................................................três meses

Sobrinhos e sobrinhas...............................dois meses

Tios avós...................................................seis semanas

Primos ......................................................quatro a seis semanas [5]

 

Esta relação nos leva a concluir, por exemplo, que a perda de uma esposa era menos importante que a perda dos avós. Isso nos leva a outra consideração, a do valor da relação entre a pessoa morta e quem a perdeu. Há a relação aos parentes e amigos mais próximos, mas também temos outra categoria de pessoas cuja morte nos afeta embora talvez nunca tenhamos visto esta pessoa em “carne e osso”. Estes são os nossos ícones culturais, e podem vir da arena artística, política, e religiosa. Na nossa América Latina, por exemplo, podemos citar Evita Perón, e Che Guevara. No Brasil, podemos citar Carmem Miranda, Getúlio Vargas, Ayrton Senna, e mesmo Tancredo Neves, e muitos outros. (Cada um de nós tem seus favoritos.) Dos vizinhos de cima, nos lembramos de John Kennedy, Martin Luther King Jr., Malcom X, Marilyn Monroe, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Elvis Presley, Kurt Cobain, entre outros. No caso destes nomes citados, muitos choraram sua morte como se eles fossem da própria família. Em alguns casos, como Mao na China, ainda hoje multidões visitam seu mausoléu e choram sua perda.

Todos estes assuntos são fascinantes em si  mesmos. Mas, como espaço e tempo são de relevância, nossa secção deste mês na REA vai se restringir a artigos que certamente não cobrem todos estes aspectos, mas é uma tentativa inicial de discutir o assunto.  Aqui fica o convite aos leitores, que podem continuar a discussão entre si, ou mesmo entrar em contacto com a direção da revista com sugestões de artigos. Falar da morte, entender como ela é tratada no mundo inteiro, não deve necessariamente ser assunto depressivo, ou macabro. Entender como vemos a morte nos ajuda a entender outros mecanismos da sociedade humana, e, espera-se, nos ajuda a entender como fazer a vida melhor, mais significativa, mais respeitada.



[1] Como resultado, hoje sabemos, há múmias egípcias no mundo inteiro. O que não deixa de ser triste e surreal ao mesmo tempo: estes pobres corpos eram roubados pelos locais no Egito, e vendidos a especialmente europeus e americanos. No Westminster College, na Pennsylvania, por exemplo, o departamento de ciência tem uma múmia que foi comprada por um dos ex-alunos da escola e doada à instituição. Uma placa nos informa que é o corpo de uma mulher, e fornece outras informações sobre idade aproximada, ano da chegada aos Estados Unidos, etc. Mas não fornece o nome da mulher. Este nome se perdeu nas literais areias e nas do tempo. Mas o fato que estes são os restos mortais de uma mulher que viveu há tantos séculos se transformou em um ponto emocional, especialmente para as alunas da universidade. Muitas delas fazem questão de passar pelo esquife de vidro e dizer alô para a "garota" que faz parte da escola. Algumas a chamam de "bela adormecida." Talvez esta seja uma maneira melhor que estar dentro de um esquife em um museu?

[2] Uma busca rápida na internet, com a frase “el día de los muertos” fornecerá acesso a muitas páginas em inglês e espanhol nas quais encontram mais detalhes desta festa, assim como as divertidas figuras da morte em várias atividades sociais e culturais. Estas figurinhas, sempre engraçadas, são um dos símbolos do México.

[3] A maioria das universidades americanas funciona com o que se chama de "endowments", e  grande partes destes são doações feitas por famílias, para homenagear um morto querido. Há também fundações como a Guggenheim Foundation, que têm suas origens nesta mesma vontade de homenagear a uma pessoa querida que morreu. Nas cidades também muitas das instituições de assistência ao público—hospitais, bibliotecas, clubes de assistência a vários grupos--vêm de doações feitas nas mesmas circunstâncias. A sociedade toda se beneficia com esta atitude, o nome da pessoa que morreu segue como parte da história, embora o lugar onde se encontram os restos mortais da pessoa muitas vezes não tenha nada de especial.

[4] A Popular Culture Association, uma associação que se reúne em uma conferência nacional anualmente, tem uma sessão permanente que trata exclusivamente do estudo de tumbas e cemitérios. Nestas sessões, que jamais são macabras ou fúnebres, as discussões se centram exatamente nestes aspectos históricos, estéticos, políticos, das tumbas e cemitérios no mundo inteiro.

[5] Ver o livro de Ben Schott, Shott’s Original Miscellany, New York: Bloomsbury, 2002, para esta e outras interessantes informações culturais.

EVA PAULINO BUENO 

 

 



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