Por CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO
Doutoranda em Filosofia (Universidade Paris X - Nanterre)


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Anti-tabagismo: a guerra está declarada!

 

Apesar das grandes letras em negrito estarem claramente advertindo que "Fumar mata" ou que "Fumar provoca uma morte lenta e dolorosa", inúmeras carteiras de cigarros são comercializadas na Europa, especialmente na França. Doze milhões de franceses resistem ao apelo do ministro da saúde Jean-François Mattei, organizador de uma campanha anti-tabagista, onde declara não querer mais um único fumante em solo napoleônico.

Apesar de ter havido uma baixa de 33% em 2002, quando o preço do tabaco subiu 9%, e de que no período de 1991 a 1997, com a lei Evin, esse preço dobrou, provocando uma queda de 11% entre os fumantes, os números continuam elevados: um a cada dois jovens na idade de 18 anos adere ao vicio (40% regulares e 10% ocasionais)., enquanto que, na mesma idade, em toda a Europa, a média é de 30%, sendo de menos de 10% nos EUA.

Tal diferença é, também, nítida entre os jovens brasileiros e franceses, basta adentrarmos as casas noturnas de ambos os países e nem precisamos de comprovação estatística para constatarmos o fato, é suficiente olharmos ao redor. Na terra de Sartre, desde a sua época, fumar é, progressivamente, a última moda. Mesmo durante o dia, nas ruas, recintos abertos ou bares e restaurantes temos a "chance" de produzir anticorpos que combatem as alergias tabagistas aos respirarmos, gratuitamente, as fumaças que tornam-se rotineiras. Uma gratuidade que nos custa muito caro!

A guerra esta entabulada. A elevação dos preços é a principal arma que, se não mata, ao menos protege, pois, de 1997 a 2001, não permitiu que o aumento do consumo ultrapassasse 5%, provocando, desta maneira, uma estagnação relevante para a população.

Se a campanha não surtir efeito, a previsão aproximada de mortos por ano, nos próximos quinze anos, será de 110.000. O que, na realidade, não assusta os intrépidos jovens, sendo somente vacilantes, diante do preço da carteira que, com vinte unidades, a partir de agosto último, passou a custar 3,90 euros na França, 5,86 euros na Irlanda e 7,15 euros na Inglaterra.

Com o projeto votado em julho passado e que vigorará a partir de 20 de outubro, com uma nova alta, 76% dos impostos recolhidos sobre a venda de tabaco serão empregados na Saúde Pública que, apesar do esforço, estima recolher, em 2004, 800 milhões de euros.

Desta forma, fumar custa, realmente, muito caro. Creiamos que isso possa imputar maior valor ao ser humano, estimulando uma conscientização geral de que, se purificarmos o "sopro" da vida, teremos mais fôlego pra fazermos o veleiro percorrer um caminho mais longo.

 

Fontes:
Jornais: La Croix, Le monde, Le figaro, 20 minutes e tele-jornais.

CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO

     

 



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