Por WALTER LÚCIO DE ALENCAR PRAXEDES

Doutor em Educação pela USP e professor de sociologia na Universidade Estadual de Maringá e Faculdades Nobel. É co-autor dos livros O Mercosul e a sociedade global (12ª Ed. 2002) e Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia (1997)

 

Menina de 17 Anos

Para Ana Luísa

Sempre que uma menina
Completa dezessete anos
É como se nenhuma outra antes
Tivesse chegado a essa idade singular,
Muito anterior aos dezesseis
Que insistem em não chegar,
E muito além dos dezoito
Que há muito já se foram.

Os bilhões de anos
De todas as meninas juntas
Não explicam um só ano
Dos dezessete que então se completam.

Não é um mistério:
É uma revelação.
No instante seguinte
Àquele em que se deu conta
Da chegada do dia do seu aniversário
A menina já se sente
Com dezessete décadas de vida.
Chora, então, como se estivesse revivendo
Os primeiros dezessete segundos
Após o seu nascimento.
Mas é um choro de alegria
Porque ela sabe que tem pela frente
Dezessete séculos de alforria.

 

 

WALTER LÚCIO DE ALENCAR PRAXEDES

     

 


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