Por JOÃO DOS SANTOS FILHO

Professor da Universidade Estadual de Maringá-UEM. Coordenador e professor do curso de turismo da Faculdade Nobel. Professor da Universidade Norte do Paraná (UNOPAR). Aluno especial do doutorado da Universidade de São Paulo (USP) na Escola de Comunicação e Artes (ECA)

 

O parque temático dos horrores: a lógica neoliberal do império na busca de maior acumulação de capital

 

O fenômeno do turismo há muitos anos desenvolveu uma atividade relacionada ao lazer, recreação e o próprio turismo, conhecida como parque temático, de origem norte-americana, esta mania espalhou-se em volta do mundo conquistando todas as faixas etárias do planeta terra. Países chegaram a disputar a instalação dessa infra-estrutura, bem como, os responsáveis pelo turismo nacional comentaram da possibilidade de criarmos filiais dos parques temáticos existentes nos Estados Unidos.

Mas estas estruturas já começaram a apresentar declínios de bilheterias e como toda moda no mundo da fantasia tende a se reciclar para que volte a alcançar melhores piques de mercado. Pesquisas estão sendo feitos, estudos antropológicos estão ancorando o planejamento desses empreendimentos, a idéia é simular sensações impossíveis, só capazes de ocorrer com o auxílio de tecnologia de ponta.

A realização de uma ação impossível pode vir a ocorrer no dia a dia, quando usamos da imaginação atrelada aos princípios de sofisticação tecnológica. Nesse momento, o lúdico e o irreal ganham campos de existência concretos, o mundo da fantasia se mistura  ao cotidiano. Esse misturador possui uma rotatividade que   torna às realidades capazes de convencer os cognitivos das pessoas e principalmente das crianças, apossando-se de sua inocência bio-pisico-social alienando-as e idiotizando-as por algum tempo.

O característico dos parques temáticos é que todos expressam a seus visitantes a ideologia de homens superiores e invencíveis que lutam pela liberdade e democracia do mundo segundo o prisma dos Estado Unido da América: Homem Aranha; Super homem; Capitão América; O xerife; O fantasma; A família Disney etc. A preocupação por princípios humanitários faz parte da luta entre o "bem e o mal", para combater o mal se usa da violência o assassinato, pois os fins justificam os meios. Por isso, ao mesmo tempo em que eu lanço bombas e mísseis inteligentes sobre os homens, lanço também ajuda humanitária; como comida, remédios e o amor expresso na vitória sobre os derrotados.

Com isso, quero discutir um outro ponto de vista relacionado com o turismo, o parque temático em momento virtual e verdadeiro em que você tem a possibilidade de participar seja como espectador , escudo humano ou soldado. Esse é o novo tipo de turismo que começa a ser sinalizado e logo apresentará uma demanda razoável, pois a universalização do Capital exige ciclos constantes de acumulação, ou seja, um número cada vez mais constante de guerras.

O sistema capitalista comandado pelo império dos Estados Unidos, permitiu que a guerra entre as grandes nações tornasse-se um grande espetáculo produzido junto aos meios de comunicação. Bombas lançadas de forma precisa, seu percurso e sua destruição imediata acompanhadas de forma instantânea , as vitimas e o lamento de quem foi ferido, tudo em momento real.

Para criar esses parques temáticos o governo norte-americano utilizou da hegemonia econômica, política e tecnológica que possuiu no mundo, convocando aliados, pressionando seus pares, perdoando a divida externa de países estratégicos para implementar o "parque temático dos horrores", que nada mais é do que a lógica de sua “democracia”.

Comunica ao mundo seu interesse bélico, desmoralizando os princípios humanitários, pois ao realizar ações de guerra desrespeita quaisquer acordos e convenções ratificadas nos foros internacionais. Monta com exclusividade a infra-estrutura dos meios de comunicação e inicia o show  em que não participam mais com a magia, mas sim, com a vida real, onde a crueldade e o irracionalismo tomam conta das cenas.

A guerra contra o Iraque é uma covardia, condenada pelo mundo, mas apreciada pelas fabricantes da mesma que conseguem relembrar o soldado Rambo contra os Russos sanguinários e fazer o planeta se curvar diante da superioridade e inteligência dos filhos de pato cruzados com águia. Que editam  um estilo de vida em que a química incorpora a ração alimentar, as que estão em decomposição se recompõem como imitando a multiplicação dos pães.

Nada é difícil para quem domina o mundo, a eles nos referimos como imperialistas no passado, hoje como processo necessário e importante de  globalização. Será que Lênin não tinha razão, quando escreveu seu livro "Imperialismo fase superior do capitalismo? Ou a história parou de fato como assim afirma o sociólogo Japonês Fukuyama em seu livro” o fim da História “e portanto o processo de dominação será eterno e realizado pelo grande pai os Estados Unidos”.  

Será que continuaremos a ganhar quando crianças Fortes Apaches em que a bandeira norte americana tremula, criando a lenda do cabo Rust e rin-tin-tin, continuaremos a usar as ridículas orelhas do Mickey, apreciar as proezas sortudas de Gastão, o sovina do tio Patinhas e sermos lembrados como o malandro Zé carioca. Continuaremos a mandar nossos filhos para Disneyworld ou nos intercâmbios estudantis para o USA?

Uma coisa sabemos, hoje o Estados Unidos acabaram de inventar o parque temático dos horrores, em que milhões participam e torcem pela liberdade, democracia e direitos humanos dos norte-americanos no jogo entre o bem e o mal. Nada mais moderno e ideológico do que mostrar a guerra entre democracia e ditadura tudo isso purifica a sabedoria política da humanidade e permite o avanço do tipo padrão de vida USA, por isso terminamos este texto com a famosa frase: Ianques go Home.

 

 

JOÃO DOS SANTOS FILHO

     

 

 

 


http://www.espacoacademico.com.br - Copyright © 2001-2003 - Todos os direitos reservados