Por ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI
Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück - Alemanha

Governo Lula começa bem

O Brasil tem, com Luiz Inácio Lula da Silva, pela primeira vez na história um presidente que não provem das elites e/ou dos círculos acadêmicos. Lula é originário das camadas populares e, por muito tempo, foi trabalhador e sindicalista combativo no setor automobilístico.  O governo Lula, como o próprio Lula corretamente afirma, não é apenas resultado de uma vitória eleitoral, mas resultante do desenvolvimento de um período histórico da política brasileira.

Em torno de 200 mil pessoas estiveram reunidas no dia 1.º de janeiro, na Praça dos Três Poderes em Brasília, para comemorar esse resultado e demonstrar claramente ao presidente que ele possui o apoio da maioria do povo brasileiro. Ao invés de um discurso moderado, que muitos esperavam, Lula afirmou claramente as mudanças políticas e sociais necessárias no Brasil, as quais, na sua opinião, a população espera da sua eleição. Assim, Lula apresentou como prioridades de seu governo o combate à fome, a reforma agrária e o desenvolvimento produtivo do país, com o objetivo de diminuir o enorme abismo que separa ricos e pobres no Brasil.

Conforme seu programa eleitoral, Lula aposta num amplo pacto social na sociedade brasileira, para que o país possa sair da dura crise econômica em que se encontra e desenvolver seu enorme potencial produtivo. A composição do novo governo representa uma tentativa de consenso, com o objetivo de aumentar a margem de ação do governo, já que este não conta com uma maioria parlamentar. Se a tentativa dará certo, isso fica em aberto. No governo não estão representadas apenas as diversas posições internas do PT, mas também os grupos que apoiaram Lula na campanha eleitoral, como, por exemplo, o PL, o PPS, o PSB, o PC do B e o PV, que também foram contemplados com ministros. A área da agricultura está dividida em dois ministérios: o Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, é um representante do grande complexo agroindustrial brasileiro, enquanto Miguel Rossetto, da esquerda do PT, é responsável pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (Reforma Agrária) e irá representar os interesses de pequenos agricultores e sem-terras. O Ministério da Fazenda é liderado por Antônio Palocci, um representante da ala moderada do partido. No comando do Banco Central, onde parte do “capital financeiro” exigia, inclusive, que ele ficasse independente do governo, o escolhido foi Henrique Meirelles, deputado do PSDB e ex-diretor do Banco de Boston nos Estados Unidos. Trata-se de um típico representante dos círculos burgueses. Apesar das substanciais contradições e dos notórios conflitos, a maioria dos brasileiros se demonstra, neste primeiro momento, satisfeita com a composição do novo governo.

Importante para a sua expressiva popularidade foi o fato de Lula, uma semana após sua posse, ter feito uma viagem com praticamente todos seus ministros pelas regiões mais pobres do nordeste brasileiro. Ali o novo presidente reafirmou seu compromisso com o povo pobre do Brasil: “Pode ter certeza que vai ser nas regiões mais pobres do país que nós vamos definir as nossas prioridades, porque quem precisa do governo é o povo pobre e não o povo rico, que muitas vezes se serve do governo". 

As esperanças no país são enormes e importantes mudanças estão sendo esperadas desse governo. O suposto caos de um governo Lula, anunciado pelos especuladores e por boa parte da mídia durante a  campanha eleitoral, até agora não pôde ser constatado. Há bastante tempo o real não esteve tão valorizado em comparação ao dólar americano e a inflação, por conseqüência tem sido decrescente. A esperança, de fato, superou o medo e, enquanto os grandes meios de comunicação e os especuladores procuram medir o governo através de indicadores econômicos, isto é, por seus critérios de lucro, este se apresenta ocupado com os problemas que mais afetam a população: a fome, a violência social e o desemprego. A presença do presidente e de seus ministros junto às camadas mais pobres da população e sua convicção de que o governo deve estar, em primeira linha, comprometido com elas é precisamente simbólico. O governo Lula tem, apesar de todas as dificuldades, assumido o desafio de implementar, de forma gradual, um programa de esquerda e de construir um Brasil socialmente mais justo para a maioria do povo brasileiro.

* Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück.

Lulas Regierung fängt gut an

Brasilien hat mit Luiz Inácio Lula da Silva zum ersten mal eine Persönlichkeit als Präsident, die nicht aus den Eliten stammt und akademische Grade hält, sondern aus sehr einfachen Verhältnissen kommt und lange Zeit als Arbeiter und als kämpferischer Gewerkschaftler in der Autoindustrie beschäftigt war. Die Regierung Lula ist, wie er selbst zu recht sagt, nicht nur das Ergebnis eines Wahlsiegs, sondern Resultat einer epochalen Entwicklung. Ungefähr zweihunderttausend Menschen versammelten sich am 1. Januar an der Praça dos Três Poderes in der Hauptstadt Brasília, um dies Ereignis zu feiern und dem Präsidenten klar zu zeigen, dass er von der Mehrheit des brasilianischen Volkes unterstützt wird. Statt des von manchen erwarteten moderaten Diskurses sprach Lula sich klar für notwendige politische und soziale Veränderungen aus, für deren Durchsetzung er aus seiner Sicht gewählt wurde. Er stellte die Bekämpfung des Hungers, die Agrarreform und die produktive Entwicklung des Landes als Prioritäten heraus, die die gewaltige Kluft zwischen Arm und Reich vermindern sollen.

Entsprechend seines Wahlprogramms hofft Lula auf einen breiten Sozialpakt in der brasilianischen Gesellschaft, um das Land aus der scharfen wirtschaftlichen und gesellschaftlichen Krise zu führen und seine enormen Potentiale zu entwickeln. Die Zusammensetzung der neuen Regierung stellt einen Einigungsversuch dar, mit dem Ziel, die Spielräume  der Regierung zu vergrößern, weil sie über keine parlamentarischen Mehrheiten verfügt. Ob der Versuch gelingt, ist offen. Nicht nur die verschiedenen Positionen innerhalb der PT sind in der Regierung vertreten, sondern auch Vertreter des „produktiven Kapitals“ und der Gruppen, die Lula im Wahlkampf unterstützten (so z. B. die kleine liberale Partei PL, die PPS, die PSB, die ehemals maoistische PCdoB und die Grünen mit je einem Minister). Die Landwirtschaftspolitik ist in zwei Ministerien aufgeteilt: ein Vertreter des agroindustriellen Komplexes ist genauso vorhanden, wie der für die Agrarreform verantwortliche Miguel Rossetto vom linken PT-Flügel, der die Positionen der kleinen Bauern und Landlosen vertreten wird. Das Finanzministerium wurde einem Vertreter des gemäßigten Parteiflügels überantwortet. An der Spitze der Zentralbank, hier hatten Teile des Finanzkapitals sogar die Unabhängigkeit von der Regierung gefordert, steht mit Henrique Meirelles, Abgeordneter der PSDB (Partei des letzten Präsidenten Cardoso) und Ex-Direktor der nordamerikanischen Boston-Bank ein ausgesprochener Vertreter bourgeoiser Kreise. Trotz erheblicher Widersprüche und öffentlicher Auseinandersetzungen sind die meisten BrasilianerInnen aber mit der Zusammensetzung der Regierung  zunächst offenbar zufrieden.

Wichtig für seine ausserordentliche Popularität war auch, dass Lula schon eine Woche nach seinem Amtsantritt mit fast allen Ministern durch den armen Nordosten reiste und dort seine Verpflichtungen gegenüber den Armen Brasiliens wieder verdeutlichte: „Ihr könnt sicher sein, dass wir unsere Prioritäten zugunsten der ärmsten Gebiete des Landes gestalten werden, denn die Armen brauchen die Regierung am meisten und nicht die Reichen, die sich vielmals nur von der Regierung bedienen lassen“. 

Die Hoffnungen im ganzen Land sind enorm und von dieser Regierung werden wichtige Veränderungen erwartet. Das im Wahlkampf von den Spekulanten an die Wand gemalte  Chaos unter einer Regierung Lula ist bisher nicht eingetreten. Schon lange war der Wert des Real (die brasilianische Währung) nicht mehr so hoch im Vergleich zum US-Dollar und die Inflation ist auch dadurch rückläufig. Die Hoffnung hat tatsächlich die Angst besiegt und während die hochkonzentrierte Medienwelt und die Spekulanten die Regierung nur an der „wirtschaftlichen Entwicklung“ (d.h. an Profitkriterien) messen, verspricht diese, sich vor allen mit den größten Problemen zu beschäftigten, die das Volk betreffen: den Hunger, die gesellschaftliche Gewalt und die Arbeitslosigkeit. Die Anwesenheit des Präsidenten und seiner Minister bei den ärmsten Schichten der Bevölkerung und seine Überzeugung, dass die Regierung sich in erster Linie für diese einsetzen muß, ist geradezu symbolisch. Die Regierung Lula hat sich vorgenommen, trotz aller Schwierigkeiten, ein linkes Programm Schritt für Schritt durchzusetzen und ein sozial gerechteres Brasilien für die Mehrheit des Volkes zu schaffen.

* Antônio Inácio Andrioli ist Mitglied der PT in Rio Grande do Sul und arbeitet zur Zeit an seiner sozialwissenschaftlichen Dissertation an der Universität Osnabrück.

 

ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI

     

 


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