Comunismo hoje: ainda astro!

 

Por CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO
Doutoranda em Filosofia (Universidade Paris X - Nanterre)
.


Na França o comunismo tem, ainda, seu lado glorioso, apesar de considerado um astro morto que deixou de brilhar desde agosto de 1991, em Moscou. Porém, o dito astro emite, ainda, alguns raios, pois as organizações e os integrantes não desapareceram. O Partido Comunista Francês esta morrendo, mas o movimento comunista conserva um certo poder.

Tal movimento compreende comunistas ortodoxos, sobretudo grupos trotskistas. Diante da realidade, os ortodoxos procuram negar a característica totalitária do sistema comunista mundial – criado por Lénine – ao qual pertenciam. Ao negarem, então, a tragédia dos crimes cometidos, dizem que a responsabilidade pesa sobre Staline, e que o traidor do leninismo não era verdadeiramente comunista. Para manterem viva as chamas do comunismo, fazem referências a exemplos como a participação, ainda que tarde, da resistência ao nazismo após a ruptura da aliança germânico-soviética, em junho de 1941.

A movimentação de maio de 1968 reativou, pela última vez, a idéia revolucionaria e, assim, o Partido Comunista Francês, que ofereceu vários postos permanentes em organizações municipais, sindicais, etc., além de um auditório e editoras para os intelectuais e os universitários.

A partir de então, muitos membros passaram a negar que foram “revolucionários”, solidários aos poderes totalitários que os sustentavam ideologicamente e, às vezes,  financeiramente. Outros, efetivamente, ocupam, hoje, postos importantes na mídia, nas Universidades, na pesquisa ou na política.

Dentre eles, podemos citar o ex-primeiro ministro Lionel Jospin, que escondeu durante vinte anos, que fazia parte do Partido Socialista como “topeira” trotskista. Outros intelectuais tiveram relações oficiais com Pol Pot, autor do maior genocídio da História. Todas essas pessoas conservam a mentalidade de “comissários políticos”, dando, assim, lições de moral e pregam que a revolução é necessária.

Le Monde não é um jornal comunista, mas seu diretor de redação, Edwy Plenel, pertenceu ao trotskismo.

O movimento comunista penetrou largamente no Funcionalismo Público, com a enorme vantagem da segurança do emprego… segundo Stéphane Courtois – historiador especialista no estudo do Comunismo e diretor de pesquisas no CNRS – este é hoje, paradoxalmente, o setor mais conservador da sociedade.

Até mesmo algumas empresas privadas usam o martelo e a foice, a bandeira vermelha, ou a efígie de Lenine como suporte publicitário que surte um ótimo efeito.

Entre chamas e cinzas, vemos, claramente, os resquícios do astro que caiu sobre a terra deixando marcas, influenciando os fenômenos naturais, sociais. Enfim, morto ou desintegrado? Haverá ainda de reviver ou integrar-se?

 

CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO

     

 


http://www.espacoacademico.com.br/19celuy.htm - Copyright © 2001-2002 - Todos os direitos reservados