Por CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO
Doutoranda em Filosofia (Universidade Paris X - Nanterre)


 

Droga no trânsito

 

Dez toxicólogos franceses estão empenhados na luta para que seja implantada uma lei que proíba usuários de drogas conduzirem. Um dossier foi endereçado aos deputados, que estão dispostos a discutir sobre o assunto.

Para o professor Claude Got, especialista em acidentologia, essa medida é inutil, pois, custaria caro em vista da comprovação de um baixo índice de acidentes causados por consumidores de drogas. Porém, o toxicólogo Patrick Mura realizou um estudo entre 2000 e 2001, mostrando que 20% dos condutores implicados em acidentes continham THC no sangue (um dos dois princípios ativos da maconha – droga comumente usada); segundo ele: "Dizer que o laço entre acidentes de trânsito e o consumo da maconha não é claramente estabelecido é uma contra-verdade…"* e alega que é preciso fazer algo agora, sem esperar que esse índice aumente e torne-se incontrolável.

Tal droga, tão difundida entre os europeus, não deixa de ser motivo de inquietação. O aumento do consumo tem sido progressivo causando danos, não somente aos usuários, mas à toda sociedade; sobretudo aos jovens e adolescentes, influenciados pela "moda", que, depois de viciados, percebem os desgastes físicos e morais, tentando, com dificuldade, livrar-se dela. Muitos, obviamente, evoluem  de uma droga a outra, estragando completamente suas vidas.

O que essa equipe propõe é que sejam feitas duas etapas de procedimento que funcionam bem nos Estados Unidos, Alemanha, e em alguns outros países da Europa: diante de um comportamento estranho do condutor, que seja verificado através do teste de teor alcoólico (ethylotest) se a causa é o álcool, não sendo, que efetue-se o exame de sangue para detectar a presença de substâncias psico-ativas. Reinvindicam também que, se apreendida a carteira do motorista por tal motivo, esta só lhe seja restituída após o exame dos cabelos, que detecta se a pessoa realmente deixou o vício.

Não são poucos os que estão de acordo que esses procedimentos não seriam tão difíceis e custosos, como afirmam os que são contra a implantação da lei; pois, havendo uma maneira de "cortar o mal pela raiz", diminuindo, assim, o índice de acidentes e mortes, que seja aplicada, mesmo que isso pareça insignificante. Se toda vez que uma lei fosse aprovada (como o uso da maconha), outras, evitando as más consequências da primeira, fossem imediatamente postas em prática, o mundo não teria tantos absurdos causados pelo ser humano.

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* Tradução minha.

CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO

     


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