Por ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI
Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück - Alemanha

 

A quem interessa a soja transgênica?

Com a introdução da transgenia na agricultura, iniciou-se, ao mesmo tempo, uma polêmica discussão sobre a sua necessidade, seus riscos e suas vantagens. A melhoria na qualidade dos alimentos e o aumento da produtividade, como alternativa de combate à fome a que 800 milhões de pessoas no mundo estão submetidas, vêm sendo publicamente mencionados para fundamentar a necessidade de utilização dos transgênicos na agricultura. Porém, na realidade, apenas 2% das pesquisas com transgenia estão relacionadas à melhoria na qualidade dos alimentos. A maioria das pesquisas (72%) ocupam-se com a tolerância das plantas a herbicidas. E, entre essas plantas pesquisadas, a soja é a mais atingida: 59% das pesquisas até agora realizadas. A soja tolerante a herbicida contém um gen que a protege diante dos efeitos prejudiciais do herbicida Roundup (marca comercial da Monsanto para o princípio ativo Gliphosate), o qual funciona como herbicida total (secante que elimina todas as plantas). Com isso, é possível que, durante o período de desenvolvimento vegetativo da soja, se possa utilizar o Roundup, que elimina somente os assim chamados inços, preservando a soja. Mas quem, de fato, se beneficia com a soja resistente a herbicida? Os consumidores? Os agricultores? Os governos? As empresas multinacionais? O meio ambiente?

Os três principais argumentos que têm sido apresentados para justificar a introdução da transgenia na produção de soja são os seguintes: 1) a soja tolerante a herbicida teria um impacto na produtividade; 2) as quantidades de herbicida seriam diminuídas e essa redução poderia gerar economia na aplicação do herbicida, podendo diminuir os custos de produção; 3) A diminuição na quantidade de herbicida aplicado reduziria a contaminação ambiental e melhoraria a qualidade dos alimentos.

O efeito na produtividade só pode ser demonstrado através da diminuição de prejuízos ocasionados pelos “inços”. De qualquer forma, a situação continua igual à da soja convencional, onde os “inços” também são controlados. O que muda, é apenas o método de controle, o que não tem nada a ver com o aumento da produtividade da cultura da soja. A soja Roundup Ready (nome comercial da Monsanto para a soja geneticamente modificada) não é, de forma alguma, mais produtiva do que a convencional, pois, com exceção da tolerância a herbicida, ela não possui nenhuma outra qualidade que possa diferenciá-la da convencional.

O argumento da diminuição no volume de herbicida aplicado também não confere com a propaganda que os fabricantes vêm fazendo.  Um relatório do Centro de Política Ambiental e Científica do Noroeste Americano demonstra que a soja Roundup Ready carece até de mais herbicida do que a soja convencional. Os pesquisadores do referido centro de pesquisa estimam que, na próxima safra, serão utilizadas 9,08 toneladas a mais de herbicida em função da introdução da soja transgênica. A explicação para isso é a resistência que as plantas desenvolvem em relação aos herbicidas, de tal forma que os “inços” necessitam gradativamente mais herbicida para serem eliminados. O crescente aumento no consumo de herbicida também tem a ver com as decisões tomadas pelos agricultores com relação ao uso de herbicidas. Agricultores que se decidem pela soja transgênica seguramente compram herbicida, mesmo que até então não tenham feito uso, o que, logicamente, aumenta o número de consumidores de herbicidas. E, porque os agricultores acreditam que com a prometida economia com aplicação de herbicida possam compensar o custo da semente transgênica, muito mais cara que a convencional, os fornecedores faturam duas vezes: uma com a venda da semente e outra com a venda do herbicida, ambos produzidos pela mesma empresa. Quando se trata de custos de produção, um estudo da PUC do Paraná, realizado entre 1995 e 2001, mostra que os custos no caso da soja transgênica são, em média, 2,2% maiores que no caso da convencional. Se, no cálculo, ainda são considerados os melhores preços recebidos com a soja convencional, o estudo demonstra que os agricultores faturam 20% a mais com a soja convencional se comparada com a soja transgênica. 

Se a diminuição da quantidade de herbicida não confere, também deixa de ter validade o terceiro argumento, referente a uma menor contaminação ambiental e melhoria da qualidade dos alimentos. Conforme estudo da EMPRAPA de Recursos Genéticos e Biotecnologia, os resíduos de Gliphosate na produção de soja Roundup Ready são  maiores do que na produção convencional porque, no caso da soja convencional, o herbicida é utilizado na pré-emergência das plantas e, no caso da soja transgênica, é aplicado na pós-emergência, em cima das plantas, durante a sua fase vegetativa. Isso significa que, a princípio, nem consumidores, nem meio ambiente, nem a saúde da população e nem os governos são beneficiados com a soja transgênica.

Se os agricultores não produzem mais, nem melhor e nem mais barato com a soja Roundup Ready, porque há os que a utilizam? Em grandes extensões de terra, em que os proprietários necessitam pagar empregados para controlar os inços, pode ser que, a curto prazo e, em determinadas situações, seja mais viável produzir com a soja transgênica, para reduzir custos de produção. Mas, a longo prazo, pode ser constatado que a contaminação do solo e a destruição da diversidade comprometa a fertilidade e a conseqüente produtividade, ocasionando perdas, anteriormente não tão perceptíveis. 

Na agricultura familiar, em pequenas propriedades, a soja transgênica seguramente não é viável, se há força de trabalho disponível e a capacidade de investimento é limitada. Em pequenas propriedades a receita também é reduzida e o ganho é exclusivo à remuneração do trabalho dos agricultores. Se, nesta situação, os custos com semente e herbicida ainda aumentam os custos de produção, isso significa que esse valor é descontado da parcela destinada à remuneração do trabalho dos agricultores, o que difere da situação dos grandes proprietários que possuem maiores receitas e, com isso, podem empregar outras pessoas para trabalhar para eles. Para os grandes proprietários, o trabalho é somente uma parte integrante dos custos de produção que pode ser constantemente substituída, enquanto que, para os pequenos agricultores, a remuneração de seu próprio trabalho corresponde ao total do ganho na atividade. Com relação a isso, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) também se pronunciou, alertando que a utilização de transgênicos, baseados em patenteamento das sementes, pode levar à monopolização do mercado agrícola e agravar a já crescente exclusão de pequenos agricultores. Contudo, é óbvio que muitos pequenos agricultores se consideram grandes proprietários e estão sob a influência dos fornecedores de sementes e herbicidas que, de fato, ganham com isso e apresentam seus produtos tão simplesmente como “alternativa aos problemas da agricultura”.

 

* Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück – Alemanha

 

Wen interessiert die Gentechnik in der Sojaproduktion?

Mit der Einführung der Gentechnik in der Landwirtschaft, begann gleichzeitig eine polemische Diskussion über ihre Notwendigkeit, ihre Risiken und ihre Vorteile. Die Verbesserung der Qualität der Nahrungsmittel und die Steigerung der Produktivität, als Alternative zur Bekämpfung des weltweiten Hungers, unter dem 800 Millionen Menschen leiden, werden öffentlich angesprochen, um die Notwendigkeit der Nutzung von Gentechnik in der Landwirtschaft zu begründen. Aber tatsächlich beziehen sich nur 2% der Gentechnikforschungen auf die Verbesserung der Qualität der Nahrungsmittelproduktion. Die meisten Forschungen (72%), beschäftigen sich mit der Herbizidtoleranz der Pflanzen.  Und unter diesen untersuchten Pflanzen, ist die Soja am meisten betroffen: 59% aller bisherigen Forschungen. Die herbizidtolerante Soja, enthält Gene, die sie vor den schädlichen Wirkungen des Herbizides Roundup (Monsantos kommerzielle Mark des Stoffes Gliphosate) schützt, das als Totalherbizid (das alle normalen Pflanzen vernichtet) wirkt. Damit wird es möglich, während der Wachstumsphase der Soja, mit Roundup zu arbeiten, da lediglich die sogenannten Unkräuter, jedoch nicht die Sojen absterben. Aber wem nützen eigentlich die Herbizidresistenten Sojen? Den Verbrauchern? Den Bauern? Den Regierungen? Den multinationalen Konzernen?  Der Umwelt?

Drei Argumente wurden am meisten als Gründe für die Einführung von Gentechnik in der Sojaproduktion veröffentlicht: 1) Herbizidtolerante Sojen sollen Auswirkungen auf die Produktivität haben; 2) die Herbizidmengen würden reduziert und diese Verringerung könne zu Einsparungen beim Herbizideinsatz führen, was die Betriebskosten vermindern könnte; 3) die Verringerung von Herbizidmengen reduziere die Umweltverschmutzung und verbessere die Qualität des Lebensmittels. 

Die Auswirkung auf die Produktivität kann nur durch die Reduzierung der Schäden von den sogenannten Unkräutern bewiesen werden. Die Situation bleibt aber dennoch gleich mit der konventionellen Sojaproduktion, in der die sogenannten Unkräuter auch bekämpft werden. Was sich ändert ist eigentlich nur die Methode dieser Bekämpfung, was mit der Steigerung der Produktivität nichts zu tun hat. Die „Roundup Ready“ Soja (kommerzielle Marke der gentechnisch veränderten Soja von Monsanto) ist auf keinem Fall produktiver als die konventionelle, denn sie hat, abgesehen von der Herbizidtoleranz, keine anderen Eigenschaften, die sie von den konventionellen Sojen unterscheiden.

Das Argument der Verringerung der Herbizidmengen stimmt auch nicht, so wie die Werbung der Hersteller behauptet. Ein Bericht des Zentrums für Umwelt- und Wissenschaftspolitik des Nordwestens der USA zeigt, dass die „Roundup Ready“ Soja sogar mehr Herbizide brauchte als die konventionellen Sojen. Forscher des Zentrums vermuten, dass in der nächsten Ernte 9,08 Tonnen mehr Herbizide gebraucht werden, wegen der Einführung von herbizidresistenten Sojen. Die Erklärung dafür ist die Resistenz, die die Pflanzen gegenüber den Herbiziden entwickeln, so dass die sogenannten Unkräuter allmählich mehr Herbizide brauchen, um vernichtet zu werden. Der zunehmende Gebrauch von Herbiziden hat auch mit den Entscheidungen der Bauern im Zusammenhang mit der Nutzung von Herbiziden zu tun. Bauern, die sich für die herbizidresistente Soja entscheiden, kaufen sicherlich Herbizide dazu, auch wenn sie es zuvor nicht benutzt hatten, was die Zahlen von Herbizidverbrauchern logischerweise erhöht. Und weil die Bauern glauben, dass sie mit den versprochenen Einsparungen beim Herbizideinsatz die Kosten des teuren Saatgutes, das viel teurer ist als das konventionelle, kompensieren können, profitieren die Anbieterunternehmen doppelt: einmal mit dem Saatgut und anderes Mal mit dem Herbizid. Wenn es sich um die Betriebskosten handelt, zeigt eine Studie der PUC aus Paraná/Brasilien, die 1995 bis 2001 durchgeführt wurde, dass die Kosten der gentechnisch veränderten Sojen im Durchschnitt 2,2%  höher sind als die konventionellen. Wenn man noch die besseren Preise der konventionellen Sojen dazu rechnet, zeigt diese Studie, dass die Bauern mit den konventionellen Sojen 20% mehr verdienen.

Wenn die Verringerung der Herbizidmengen nicht stimmt, stimmt auch nicht das dritte Argument, das sich auf die reduzierte Verschmutzung der Umwelt und die Verbesserung der Qualität des Lebensmittels bezieht.  Nach Studien der EMBRAPA  (brasilianischen Agrarforschunsgesellschaft), die sich mit der Gentechnik und den genetischen Ressourcen beschäftigt, sind bei der „Roundup Ready“ Sojaproduktion die Rückstände des Gliphosates größer als in der konventionellen Produktion, weil bei den konventionellen Sojen das Herbizid vor der Pflanzung benutzt wird und bei den herbizidtoleranten Sojen das Herbizid sogar auf die Pflanzen gespritzt wird während der Wachstumsphase. Das bedeutet, dass im Prinzip, weder Verbraucher noch Umwelt, noch die Gesundheit der Bevölkerung, noch die Regierungen von der Gentechnik bei der Sojaproduktion profitieren.  

Wenn die Bauern mit der „Roundup Ready“ Soja nicht mehr, nicht besser und nicht billiger produzieren als mit der konventionellen, warum gibt es die, die sie gebrauchen? In großen Flächen, in denen die Landbesitzer Angestellte zahlen müssen, um die sogenannten Unkräuter zu vernichten, kann es sein, dass es sich in bestimmten Situationen kurzfristig lohnt, mit herbizidtoleranter Soja zu produzieren, um Produktionskosten zu sparen. Aber langfristig  kann es sich doch herausstellen, dass die Verschmutzung des Bodens und die Zerstörung der Vielfalt die Fruchtbarkeit und die zukünftige Produktivität betrifft und zu Verlusten führen, die bevor nicht so bemerkbar sind.

In der Familienlandwirtschaft, in kleineren Flächen, lohnt sich die herbizidresistente Sojaproduktion sicherlich nicht, wenn genügend Arbeitskräfte zur Verfügung stehen und die Investitionsfähigkeit beschränkt ist. In kleineren Flächen ist das Einkommen gering und der Gewinn geht ausschließlich in die Entlohnung der Arbeit der Bauern. Wenn in dieser Situation die Kosten des Saatguts und des Herbizides die gesamten Betriebskosten noch steigern, bedeutet es, dass die Summe von der Vergütung der Arbeit abgezogen wird, was anders ist als bei den Großgrundbesitzern, die größere Mengen verdienen und damit anderen für die Arbeit anstellen. Für die Großgrundbesitzer bedeutet die Arbeit lediglich einen Teil der Produktionskosten, der jederzeit geändert werden kann, während für kleine Bauern die Entlohnung ihrer Arbeit der gesamte Verdienst ist. In Bezug auf diese Problematik, hat auch die Internationale Organisation für Arbeit sich dafür ausgesprochen, dass die Nutzung von gentechnisch veränderten Pflanzen, die durch Patentierung des Saatgutes hergestellt werden, zu einer Monopolisierung des Agrarmarktes und einem zunehmenden Ausschluss kleiner Bauern führen kann.  Aber es ist klar, dass viele kleine Bauern sich als Großgrundbesitzer bezeichnen und auch unter den Einfluss der Anbieterunternehmen stehen, die tatsächlich davon profitieren und ihre Produkte den Bauern so einfach als „Lösung der Probleme der Landwirtschaft“ anbieten.

ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI

     

 


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