Por ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI
Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück - Alemanha

 

O retorno da xenofobia

 

Quando o passado deixa de clarear o futuro, o espírito tateia no escuro. (Tocqueville)

 

O fenômeno da xenofobia está de volta. Ou ele nem sequer foi superado? Normalmente só se discute sobre isso quando um perigo emergente já se torna tão perceptível que a situação possa vir a piorar. Até então, costuma-se acreditar que esse problema seja coisa passada e que a discriminação nos últimos anos tenha diminuído. Mas a realidade, que novamente confirma o caráter contraditório da existência humana, demonstra que a história não necessariamente ruma numa direção positiva, como se quer acreditar, mas que avanços contrastam com recuos. Idéias que se tinha como fora de moda, absurdas e retrógradas, podem novamente vir a ser atuais e modernas. Isso significa que as idéais não morrem pelo simples decurso do tempo e que, em conformidade com o espírito de uma época, podem retornar.

Na Europa, muitas pessoas estão chocadas com o avanço do neofascismo. A maioria não queria acreditar que partidos de extrema direita pudessem ter sucesso nos “democráticos” países industrializados europeus. Na Alemanha, onde especialmente o anti-semitismo marcou a história, impera o silêncio diante do avanço da extrema-direita nos países vizinhos. O NPD (Partido Democrático Nacional da Alemanha) que, segundo o atual governo, deveria ser proibido, comemora o sucesso da extrema-direita na Europa, especialmente na França e na Holanda. Apesar dos partidos de extrema-direita na Alemanha estarem fragmentados e até agora não terem conseguido o mínimo de 5% de votos necessários para ocupar uma vaga no Congresso, eles vislumbram, agora, boas perspectivas para a frente. A organização da extrema-direita também cresceu com a utilização da Internet. Mais de 800 sites na Internet oferecem textos, músicas e informações sobre demonstrações neonazistas, o que o governo não pode proibir, pois muito do que é oferecido provém do exterior. É notável, também, que o fenômeno do neonazismo tem aumentado nas escolas.

Aproximadamente 10% da população alemã é composta por estrangeiros, dos quais 28% são turcos, os mais atingidos pela discriminação. A discriminação é especialmente visível em demonstrações da extrema-direita e músicas, sendo que estas últimas já criaram um novo mercado: o mercado do rock de direita. Felizmente, ocorrem, paralelo a muitas demonstrações nazistas – que já há bastante tempo vêm acontecendo, com ódio a imigrantes e resistência contra o governo alemão –, manifestações contrárias de combate a um possível crescimento da xenofobia. Mas, também, entre o leste e o oeste da Alemanha, o “muro na cabeça” dos alemães ainda não caiu. Os salários mais baixos e o maior desemprego no leste demonstram que, após 12 anos, a unificação alemã ainda não foi alcançada. A divisa continua sendo publicamente refor­çada através das constantes comparações e da rotulagem do leste como “os novos Estados” o que, de fato, confirma a existência de uma Alemanha no leste e outra no oeste.

Evidentemente, o avanço da extrema-direita não ocorre por acaso. A crise da economia e do Estado de bem-estar social, associada às rápidas transformações tecnológicas, ocasionou um crescente desemprego e colocou a competitividade a qualquer custo como única alternativa de sobrevivência. Esta conjuntura gera insegurança, ressentimento e violência. Com o gradativo desmonte do Estado de bem-estar social por parte dos governos social-democratas, os quais até agora se apresentaram como alternativa contra os partidos de direita, a população ficou desorientada, especialmente os desempregados, trabalhadores e jovens. Se, nestas circunstâncias, as alianças de “centro-esquerda” ainda estão sem perspectiva e não oferecem uma clara linha e alternativas políticas, abre-se o espaço aos velhos charlatões políticos. A extrema direita procura enfocar os problemas dos países que afetam diretamente a maioria da população e propõe soluções simples e discriminadoras, mas que exercem um forte poder de atração. É, por exemplo, mais fácil responsabilizar os estrangeiros pelo desemprego, pela criminalidade e pela insegurança, do que entender as complexas razões dos problemas. As soluções apresentadas são, então, também bem simples e conduzem à xenofobia, quando os estrangeiros são tratados como concorrência indesejada.

Mas, a xenofobia expõe os países europeus a uma séria contradição econômica. Por causa do baixo índice de natalidade e da crescente expectativa de vida da população, existe a tendência de que a Europa venha a ser a sociedade mais idosa do mundo. Nesta perspectiva, conforme um estudo da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em 2000, 1,5 milhão de estrangeiros teriam de imigrar para a Europa por ano, somente para sustentar o atual número de pessoas em idade de trabalho até 2050. Para manter constante a proporção entre trabalhadores e pensionistas, seriam necessários 13,5 milhões de imigrantes por ano.

As evidências demonstram o absurdo e a contradição da xenofobia na Europa, quando a extrema-direita, com seu discurso nacionalista, se coloca contra os próprios interesses de seus países. Pode ser também que, em função da sua superficilidade, a ideologia do racismo seja tão difícil de ser combatida. Quando os interesses particulares das pessoas são manipulados de tal forma, que o passado não tenha mais sentido e que as perspectivas racionais de futuro sejam concebidas como inalcansáveis, operam idéias que nem sequer mais eram levadas a sério.

 

* Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück – Alemanha.

Das Wiederauftreten der Fremdenfeindlichkeit

 

Wenn die Vergangenheit aufhört, die Zukunft zu erhellen, tappt der Geist im Dunkeln (Tocqueville)

 

Das Phänomen der Fremdenfeindlichkeit ist wieder da. Oder wurde es überhaupt nicht überwunden? Normalerweise wird nur darüber diskutiert, wenn eine auftauchende Gefahr schon so bemerkbar ist, dass die Situation verschlimmert werden kann. Vorher glaubt man, dies Problem sei eine Sache der Vergangenheit und die Diskriminierung habe in den letzten Jahre sehr abgenommen. Aber die Realität, die den widersprüchlichen Charakter des Daseins der Menschheit wieder bestätigt, zeigt, dass die Geschichte nicht unbedingt in eine positive Richtung führt, wie man glauben möchte, sondern dass Fortschritte mit Rückstößen kontrastieren. Ideen, die man für altmodisch, absurd und rückschrittlich hält, können wieder aktuell und modern werden. Das bedeutet, Ideen sterben nicht aus und können in Übereinstimmung mit dem Zeitgeist wieder erscheinen.

In Europa erschrecken viele Menschen vor dem Vorwärtskommen des Neofaschismus. Die meisten wollten nicht glauben, dass rechtsextreme Parteien in den „demokratischen“ europäischen Industrieländern erfolgreich sein könnten. In Deutschland, wo besonders der Antisemitismus die Geschichte geprägt hat, herrscht Schweigen über den Fortschritt der Rechtsextremisten in den Nachbarländern. Die NPD, die nach Meinung der gegenwärtigen Regierung verboten werden sollte, feiert den Erfolg des Rechtsextremismus in Europa, besonders in Frankreich und in den Niederlanden. Obwohl die rechtsextremen Parteien in Deutschland zersplittert sind und bisher nicht das Minimum von 5% der Stimmen für den Eintritt ins Parlament erreichten, stellen sie sich nun positive Perspektiven vor. Die Organisation der Rechtsextremisten ist auch sehr gestiegen mit der Nutzung des Internets. Mehr als 800 Web-Seiten im Internet bieten Texte, Musik und Informationen über neonazistische Demonstrationen an, die die Regierung nicht verbieten kann, weil vieles vom Ausland angeboten wird. Merkwürdig ist auch, dass in den Schulen das Phänomen der Neonazis zugenommen hat.

Rund 10% der deutschen Wohnbevölkerung besteht aus Ausländern, davon 28% Türken, die am stärksten von der Diskriminierung betroffen sind. Die Diskriminierung ist besonders sichtbar bei rechtsextremen Demonstrationen und Musik, die schon einen eigenen Markt begründet hat: den rechten Rockmarkt. Glücklicherweise passieren gleichzeitig bei vielen Demonstrationen der Neonazis, die schon seit längerem mit Haß gegen Ausländer und Widerstand gegenüber der deutschen Regierung auftreten, Gegendemonstrationen zur Bekämpfung einer wahrscheinlichen Zunahme der Fremdenfeindlichkeit. Aber auch zwischen West- und Ostdeutschland ist die „Mauer in den Köpfen“ noch nicht gefallen. Die niedrigeren Löhne und höhere Arbeitslosigkeit im Osten zeigen, dass nach 12 Jahren die Einheit Deutschlands noch nicht erreicht wurde. Öffentlich wird die Grenze durch das ständige Vergleichen und das Etikketieren des Ostens als „neue Bundesländer“ weiter verstärkt, was bestätigt, dass es eigentlich noch ein Westdeutschland und ein Ostdeutschland gibt.

Selbstverständlich ist der Fortschritt des Rechtsextremismus nicht zufällig. Die Krise der Wirtschaft und des Wohlfahrtsstaats im Zusammenhang mit den raschen technologischen Umwälzungen verursachte eine zunehmende Arbeitslosigkeit und stellte die Wettbewerbsfähigkeit um jeden Preis als einzige Alternative zum Überleben. Diese Konjunktur führt zu Unsicherheit, Ressentiments und Gewalt.  Mit der schrittweisen Demontage des Wohlfahrtsstaats durch die sozialdemokratischen Regierungen, die sich bisher als Alternative zu den rechten Parteien darstellten, wurde die Bevölkerung orientierungslos, besonders die Arbeitslosen, die Arbeiter und die Jugendlichen.  Wenn in diesem Zustand die „Linke-Mitte“ Koalitionen dann noch perspektivlos sind und keine klaren politischen Richtungen und Alternativen anbieten, tauchen die alten politischen Quacksalber auf. Die Rechtsextremisten versuchen, die direkt die Mehrheit der Bevölkerung betreffenden Probleme der Länder anzusprechen, und schlagen einfache und  diskriminierende Lösungen vor, die aber eine große Anziehungskraft haben. Es ist, zum Beispiel einfacher, die Ausländer für die Arbeitslosigkeit, Kriminalität und Unsicherheit verantwortlich zu machen als die komplexen Gründe der Probleme zu verstehen. Die vorgeschlagenen Lösungen sind dann auch ganz einfach und führen zur Fremdenfeindlichkeit, wenn die Ausländer als unerwünschte Konkurrenz behandelt werden.

Die Fremdenfeindlichkeit enthält aber einen wirtschaftlichen Widerspruch für die europäischen Länder. Wegen sinkender Geburtenraten und wachsender Lebenserwartung, besteht die Tendenz, dass Europa die älteste Gesellschaft der Welt wird. In dieser Hinsicht müssten nach einer Studie der Vereinten Nationen, die 2000 publiziert wurde, 1,5 Millionen Ausländer pro Jahr in die Ländern der Europäischen Union einwandern, nur um die Zahl der Arbeiter bis 2050 zu bewahren. Um das Verhältnis zwischen Arbeitern und Rentnern konstant zu halten, seien 13,5 Millionen mehr Ausländer pro Jahr nötig.

Die Tatsachen beweisen, wie absurd und widersprüchlich die Fremdenfeindlichkeit in Europa ist, wenn die Rechtsextremisten sich mit ihrem Nationalismus tatsächlich gegen die eigenen Interesse ihrer Länder stellen. Es kann auch sein, dass die Ideologie des Rassismus wegen ihrer Oberflächlichkeit so schwer zu bekämpfen ist. Wenn die besonderen Interessen der Menschen so manipuliert werden, dass die Vergangenheit bedeutungslos wird und die rationellen zukünftigen Perspektiven als unerreichbar angenommen werden, wirken Ideen, die überhaupt nicht mehr ernst genommen wurden.

ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI

     

 


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