Por ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI
Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück - Alemanha

Da esquerda para o "centro"?

Uma tendência continua impressionando no interior da política: a tendência do “centro”. Muitos partidos, que antes se denominavam como de esquerda, afirmam atualmente que estariam no “centro”. Já há mais tempo, o SPD (Partido Social-democrata Alemão) assumiu e tirou proveito do “espaço do centro”. Recentemente, o Partido Verde, que há quatro anos está coligado no governo alemão com o SPD, decidiu que já não se define mais como esquerda e tomou o caminho do “centro”. Também em outros países algo semelhante se tornou atual. Mas o que se pretende com isso e o que, na realidade, se pode entender pelo conceito “centro”?

Se existe um “centro”, isso também pressupõe que hajam outras posições, entre as quais seja possível ser de “centro”. Até então, era bem conhecido o contraste entre direita e esquerda, através do qual se podia dizer que, a priori, a direita é conservadora e a esquerda revolucionária. Originalmente esta diferença está relacionada à Revolução Francesa de 1789, onde, por ocasião da Assembléia Nacional, os grupos liberais, então revolucionários, sentaram à esquerda (do ponto de vista da mesa da coordenação dos trabalhos) e os conservadores à direita. Mais tarde, com o surgimento do marxismo, é acrescentada a idéia de que, no período capitalista, os socialistas, os novos revolucionários, são classificados como de esquerda, e os liberais, que querem manter o capitalismo, são conhecidos como de direita. Evidentemente, porque seu poder depende também da manipulação ideológica, ao contrário da esquerda, a direita nunca se mostrou satisfeita com seu “título” e sempre procurou afirmar, de variados modos, que não existia a diferença entre direita e esquerda.

Desde a queda do muro de Berlin e o desmoronamento das experiências socialistas no leste, o revisionismo do marxismo tem aumentado muito e influenciado mundialmente os partidos de esquerda. Muitos partidos não queriam mais ser conhecidos como socialistas e se tornou cada vez mais difícil diferenciar a esquerda da direita. A novidade neste contexto é que, atualmente, os até agora partidos de esquerda não querem mais ser de esquerda e, tão simplesmente, afirmam ser o “centro” ou a “centro-esquerda”. Mas onde poderia estar, então, o “centro”, se é que não há mais direita e esquerda?

Os partidos que se definem como “centro” respondem da mesma forma que Fukuyama em O fim da história e o último homem: que não existiriam mais ideologias e que o capitalismo seria a única possibilidade de futuro da humanidade. Outros vão mais adiante com esta idéia e acreditam que não haveria mais classes sociais e, por isso, não teria mais significado ser de esquerda e continuar valorizando o conceito de luta de classes. Assim, se deveria ser mais moderno e pragmático para ser mais amplamente aceito, o que seria importante nas disputas eleitorais. Portanto, as eleições não são mais concebidas como um meio de disputa da hegemonia, mas como o objetivo final de todo o fazer político. A noção de “eficácia” está mais relacionada à chegada ao poder político do que à melhoria das condições de vida da população. O que os cidadãos deveriam esperar destes partidos? Por que deveriam se interessar por eleições se já não sabem mais diferenciar os partidos? Na Alemanha, por exemplo, está sendo um grande problema diferenciar, substancialmente, os atuais candidatos a chanceler, Gerhard Schröder (SPD) e Edmund Stoiber (CDU/CSU - União Democrática Cristã/União Social Cristã). Pode ser que, também por isso, cada vez menos pessoas, particularmente jovens, se interessam pela política. O índice de abstenção tem crescido a cada eleição em vários países da Europa, o que, somado à falta de alternativas viáveis de mudança radical pela esquerda, vem favorecendo o ressurgimento de tendências de extrema-direita.

Um grande problema da esquerda é que muitos partidos socialistas, com o decorrer do tempo, perderam sua capacidade de fazer a crítica de fundo ao capitalismo e, conseqüentemente, se tornaram conservadores. Por isso, com a crise da União Soviética, que, em muitos dos casos, inclusive fôra aceita como modelo, e com o avanço do neoliberalismo nos últimos 20 anos, ficou, para muitos, difícil continuar a construção de seu conteúdo socialista.  Então, era mais simples abandonar a perspectiva socialista e se apresentar como “centro”. A direita não teve problema com isso, pois, em princípio, é conservadora e não precisa constantemente se renovar. O liberalismo está à sua disposição e fôra utilizado, sempre que possível, para legitimar a situação. Mas o que haveria restado aqueles partidos que, primeiramente, assumiram o socialismo, não o criticizaram e posteriormente o renegaram? Uma parte destes nem sequer mais possui um projeto de sociedade e os outros assumem progressivamente o liberalismo como referência. É o que, em conjunto, caracteriza o conteúdo do “centro”. Contudo, poder-se-ia ainda perguntar: os partidos, que até agora vêm da esquerda para o “centro”, irão para onde em seguida? A resposta está na história: eles vão ou já estão na direita.

* Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück – Alemanha

   

Von Links zur "Mitte"?

Immer noch beeindruckt eine Tendenz innerhalb der Politik: Die Tendenz der "Mitte". Viele Parteien, die sich früher als links bezeichnet haben, behaupten heutzutage, sie seien in der "Mitte". Schon längere Zeit hat die SPD in Deutschland den "Raum der Mitte" übernommen und davon profitiert. Zuletzt haben die Grünen, die seit vier Jahren in der Regierung mit der SPD verbunden sind, sich entschieden, nicht mehr als links definiert zu sein und die Richtung der "Mitte" zu ergreifen. Auch in anderen Ländern wurde ähnliches aktuell. Worum geht es eigentlich und was könnte man unter dem Begriff "Mitte" verstehen?

Wenn es eine "Mitte" gibt, bedeutet das auch, dass es andere Positionen gibt, zwischen denen es möglich wäre, die "Mitte" zu sein. Bis dahin wurde den Konflikt zwischen Rechts und Links sehr bekannt, womit man sagen konnte, dass a priori die Rechten konservativ und die linken revolutionär sind. Ursprünglich bezieht sich diese Unterscheidung auf die Französische Revolution 1789, wo die liberalen revolutionären Gruppen in der  Nationalversammlung links (vom Vorsitzenden aus gesehen) und die Konservativen an der rechten Seite saßen. Später mit dem Erscheinen des Marxismus kommt die Idee dazu, dass die Sozialisten, die neuen Revolutionären, als Linke behandelt wurden und die Liberalen, die dem Kapitalismus aufrechterhalten wollen, als Rechte bezeichnet wurden. Selbstverständlich, weil die Macht der Rechten auch von der ideologischen Manipulation abhängt, waren sie im Gegenteil zur Linken nicht mit ihrem "Titel" zufrieden und versuchten auf verschiedenen Weisen zu sagen, es existiere überhaupt keine Rechte und Linke.

Seit dem Mauerfall in Berlin und dem Zusammenbruch der sozialistischen Erfahrungen im Osten, hat der marxistische Revisionismus sehr zugenommen und die linken Parteien weltweit beeinflusst. Viele Parteien wollten sich nicht mehr als sozialistisch bezeichnen lassen und es wurde immer schwerer, die linken von den rechten zu unterscheiden.  Das Neue in diesem Kontext ist, dass jetzt die bisher Linken nicht mehr links sein wollen und so einfach behaupten, sie seien die "Mitte" oder die "linke Mitte". Wo sollte dann die Mitte" eigentlich sein, wenn es doch keine Linke oder Rechte mehr gäbe?

Die Parteien, die sich als die "Mitte" definieren, antworten gleicherweise wie Fukuyama, in The End of History: es existiere keine Ideologien und der Kapitalismus sei die einzige Zukunftsmöglichkeit der Menschheit.  Andere gehen noch weiter mit dieser Idee und glauben, dass es keine sozialen Klassen mehr gäbe und  es deswegen bedeutungslos sei noch links zu sein und das Klassenkämpfen als Begriff zu bewerten. Man sollte moderner und pragmatischer werden, um breiter akzeptiert zu sein, was eine wichtige Rolle im Wahlkampf spielen könnte. Also die Wahlen werden nicht mehr als eine Mittel des Kampfes um die Hegemonie behandelt, sondern als das ganze Ziel der Politik. Die Effizienz hat mehr mit dem Aufstieg zur Macht zu tun als mit der Verbesserung der Lebensbedingungen der Bevölkerung. Was sollten die Bürger dann von solchen Parteien noch erwarten? Warum sollten sie sich noch um Wahlen kümmern, wenn sie doch nicht mehr zwischen den Parteien unterscheiden können? In Deutschland, zum Beispiel, ist es ein großes Problem, den substanziellen Unterschied zwischen den Bundeskanzlerkandidaten Gerhard Schröder (SPD) und  Edmund Stoiber (CDU/CSU) zu erklären. Es könnte sein, dass sich auch deswegen immer weniger Menschen, besonders Jugendliche,  für Politik interessieren. Die Enthaltungen wachsen jede Wahl in viele europäischen Ländern, was zusammengezählt mit dem Fehlen von durchführbaren radikalen Änderungsalternativen der Linken, die Tendenz zum Rechtsextremismus fördert.

Ein großes Problem der Linken ist, dass viele sozialistische Parteien im Laufe der Zeit ihre Kritikfähigkeit zum Kapitalismus verloren haben und folglich konservativ wurden. Deshalb ist es mit der Krise der Sowjetunion, die in viele Fälle sogar als Modell angenommen wurde, und dem Ansturm des Neoliberalismus in den letzten 20 Jahren, für viele Linken Parteien schwer geworden, ihren sozialistischen Inhalt weiter aufzubauen. Dann wurde es einfacher, die sozialistische Perspektive wegzulassen und sich als "Mitte" vorzustellen. Die Rechten hatten damit  kein Problem, weil sie im Prinzip konservativ sind und sich nicht ständig erneuern müssen. Der Liberalismus steht ihnen zur Verfügung und wurde immer so gut wie möglich gebraucht, um die Situation zu legitimeren. Aber was wäre denjenigen Parteien, die den Sozialismus zuerst übernahmen, nicht kritisierten und danach ablehnten, übrig geblieben? Ein Teil davon hat überhaupt kein gesellschaftliches Projekt mehr und der andere Teil nimmt den Liberalismus als Referenz. Das zusammen charakterisiert den Inhalt der "Mitte". Man könnte jetzt noch fragen: Die Parteien, die bisher von links zur "Mitte"  kommen, wohin gehen sie als Nächstes? Die Antwort findet man in der Geschichte: sie gehen oder gehören schon zur Rechten.

 

ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI

     

 


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