Por ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI
Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück - Alemanha

 

Organizações alemãs exigem desenvolvimento sustentável

“Quando as corporações recebem licença para poluir e contaminar estão recebendo licença para matar” (Robert Bullar)

 

Organizações  alemãs de apoio ao desenvolvimento e à proteção ambiental acabam de  assumir uma campanha conjunta. Elas exigem do governo alemão e da sociedade internacional mais esforços no sentido de aplicar as resoluções acordadas por ocasião da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, ocorrida no Rio de Janeiro em 1992. Os participantes das respectivas organizações avaliam que houveram poucos avanços desde a ECO 92. Por isso, estão engajados em trazer os questionamentos ambientais para a pauta da atual discussão política, em especial por se tratar de um ano eleitoral e porque em setembro vindouro estará acontecendo a Conferência “Rio + 10” (nova Conferência da ONU, 10 anos após o evento no Rio de Janeiro), em Joanesburgo, na África do Sul.  

É claro que muito já foi conquistado desde a criação dos movimentos ecológicos e ambientalistas. A agricultura ecológica foi difundida como alternativa; as emissões de CFC – clorofluorcarboneto – foram minimamente limitadas; os alimentos transgênicos têm sido publicamente criticados e na Europa são pouco comercializados; programas de combate a condições de extrema pobreza foram construídos; contra a globalização orientada apenas por  interesses econômicos foi desenvolvida uma resistência internacional. Mas, embora se possa afirmar que a opinião pública se manifesta mais interessada pelo meio ambiente e que a “Agenda 21” se tornou mundialmente famosa, muito do que há dez anos foi assumido como compromisso pelos governos ainda não foi concretizado.

O desenvolvimento sustentável é tratado como mera utopia e/ou simpático conceito para discursos; a  crise social e ecológica tem-se aprofundado em esfera global com o super aquecimento do planeta, a destruição da biodiversidade, a desertificação, o desmatamento, a contaminação e a escassez de água potável, ínsitos ao crescimento do abismo que separa ricos e pobres no mundo. Muitos recursos biológicos são apropriados comercialmente e muitas espécies vêm sendo extintas ou exterminadas em função da sua utilização pela biotecnologia. Os programas de desenvolvimento situam-se num dos mais baixos patamares da história. Também o governo alemão, que conseguiu se adaptar às exigências ambientais e reduziu a emissão de dióxido de carbono e CFC, não cumpriu sua palavra no apoio aos programas de desenvolvimento. A prometida ajuda estimada em 0,7% do Produto Interno Bruto da Alemanha acabou reduzida para apenas 0,26%.

Entretanto, o livre mercado e a organização financeira são colocados como prioridade acima de tudo, exatamente como tem recomendado a Organização Mundial do Comércio, edificada como poder mundial desde 1994. Os Estados Unidos, o país mais poluidor do mundo, têm-se negado a assinar o Protocolo de Kyoto que, entre outras resoluções, exige a limitação de emissões de dióxido de carbono em 7%. Eles sozinhos foram apresentados em 1990 como responsáveis por 36% da emissão de dióxido de carbono e em 1998 foi constatado que, ao invés de serem reduzidas, as emissões nos EUA aumentaram em 3,7%. Apesar da negativa diante dos acordos internacionais e do aumento da poluição, o governo norte-americano não sofreu nenhuma advertência por parte da “comunidade internacional”. Esse é o maior problema: como obrigar um país tão poderoso a seguir condições gerais se ele não respeita nenhuma recomendação e a Organização das Nações Unidas, sediada nos Estados Unidos, não toma nenhuma posição em relação a isso?

A pergunta é, evidentemente: como inserir sustentabilidade e economia ecológica na atual globalização? Organizações ambientais alemãs se esforçam em divulgar esta situação e esperam que em Joanesburgo se consiga, pelo menos, constituir uma Comissão Mundial para para a temática sustentabilidade e globalização e que a discussão ambiental possa ser tornada cada vez mais pública. O estilo de vida desperdiçador, possibilitado pela economia capitalista, precisa ser modificado para que pessoas não sejam exterminadas e para que nenhuma lei possa servir como permissão para destruir a vida.

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* Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück - Alemanha

 

 

Deutsche Organisationen fordern nachhaltige Entwicklung

 

"Wenn die Konzerne eine Erlaubnis zum Verschmutzen und Kontaminieren bekommen,  bekommen sie eine Erlaubnis zum Töten"(Robert Bullar)

 

Deutsche Entwicklungs- und Umweltorganisationen haben eine gemeinsame Kampagne vorgestellt. Sie verlangen von der deutschen Regierung und von der internationalen Gemeinschaft mehr Umweltschutzanstrengungen und die Umsetzung der Verpflichtungen, denen 1992 im Umweltgipfel in Rio de Janeiro zugestimmt worden ist. Die Mitglieder der Organisationen sind der Meinung, dass es wenige Fortschritte gegeben hat seit 1992. Sie setzen sich dafür ein, die zentrale Umweltfrage auf die innenpolitische Tagesordnung zu bringen, besonders weil Wahljahr ist und weil in diesem Jahr ein neuer Umweltgipfel, der im September in Johannesburg stattfindet, durchgeführt wird.

Es ist klar, dass vieles schon erreicht wurde, seit die Umweltbewegungen gegründet wurden. Die Ökologisierung der Landwirtschaft ist als umweltfreundliche Alternative eingeführt worden; die Treibhausgas-Emissionen wurden zu mindestens begrenzt; Gen-Nahrungsmittel werden öffentlich kritisiert und  in Europa wenig gekauft; Aktionsprogramme zur Bekämpfung der extremen Armut wurden aufgebaut; der Widerstand gegen die an den wirtschaftlichen Interessen orientierte Globalisierung hat sich weltweit entwickelt. Aber obwohl man sagen kann, dass die öffentliche Meinung sich mehr um die Umwelt kümmert und die Agenda 21 sehr bekannt geworden ist, ist vieles, was seit zehn Jahren von den Regierungschefs als Kompromisse angenommen wurde, noch nicht realisiert worden. 

Die nachhaltige Entwicklung wurde nur als Utopie und „nettes Sprichwort“ behandelt; die globalen sozialen und ökologischen Krisen nehmen zu mit der Erderwärmung, der Zerstörung der Artenvielfalt, der Wüstenausdehnung, der Abholzung der Wälder, der Kontamination, der Verknappung des Wassers und der wachsenden Kluft zwischen Armen und Reichen in der Welt. Viele biologische Ressourcen werden kommerzieller ausgebeutet, und viele Arten sterben aus oder werden vernichtet durch den biotechnologischen Gebrauch. Die Entwicklungshilfe ist auf einem historischen Tiefstand angekommen. Auch die deutsche Regierung, die die Kohlendioxid- und Treibhausgas-Emission reduzierte, hat ihr Versprechen, die Entwicklungshilfe aufzustocken, nicht gehalten. Die zugesagte Hilfe von 0,7% des Bruttoinlandsprodukts  wurde auf 0,26% gesenkt..

Demgegenüber wurden der Freihandel und die Finanzordnung als Priorität über alles gesetzt genauso wie es die Welthandelsorganisation, die seit 1994 zur Weltmacht gekommen ist, empfohlen hat. Die USA, größter Verschmutzer der Welt, haben das Kyoto-Protokoll abgelehnt und nichts  passierte. Sie allein waren 1990  für 36% der Kohlendioxid Emission verantwortlich. 1998 haben die Emissionen um 3,7% zugenommen, obwohl sie um 7% hätten limitiert werden sollen. Das ist das größte Problem: wie kann man so ein mächtiges Land zu den Rahmenbedingungen zwingen, wenn es keine Empfehlungen respektiert, und die Organisation der Vereinten Nationen, die ihren Sitz in der USA hat, nichts dagegen tut?

 Die Frage ist natürlich, kann man die aktuelle Globalisierung mit Nachhaltigkeit und Ökologisierung der Weltwirtschaft verknüpfen? Deutsche Umweltorganisationen bemühen sich darum, diese Situation bekannt zu machen und hoffen, dass  in Johannesburg mindestens erreicht wird, eine Weltkommission für Nachhaltigkeit und Globalisierung einzurichten und diese Umweltdiskussion immer öffentlicher zu machen. Der verschwenderische Lebenstil, der mit der kapitalistische Wirtschaft möglich wurde, müsste geändert werden, so dass   Menschen nicht vernichtet werden und kein Gesetz die Zerstörung des Lebens erlaubt.

 

ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI

     

 


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