Por ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI
Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück - Alemanha

 

A social democracia "solidária" com o terrorismo imperialista

Antônio Inácio Andrioli*

"A social democracia alemã, além de calar-se, acaba de assumir uma nova função  histórica: ser escudeira do imperialismo.” (Rosa Luxemburgo)

Quando, em agosto de 1915, Rosa Luxemburgo reconheceu, inconformada, que o seu   partido havia mudado de rumo, a esquerda mundial ficou estarrecida. O revisionismo  marxista e a burocratização decorrente da ascensão ao poder culminaram com o ímpeto nacionalista de seus principais líderes, ocasionando a perseguição à sua parcela mais combativa e a repressão ao movimento revolucionário que fora, até ali, a sua base. Desde então, com o esvaziamento de sua proposta original, a social-democracia se apresenta como uma ilusória mediação entre o capitalismo e o socialismo em diversos países da Europa. O reformismo social-democrata, denunciado em 1915, gradativamente foi-se convertendo em alternativa de governabilidade aos capitalistas que, por sua vez, visualizaram na chamada “centro-esquerda” uma opção de governo em seu favor.

No atual momento, com o ingresso da Alemanha como aliada dos Estados Unidos na guerra contra o Afeganistão, os social-democratas alemães novamente reafirmam sua capacidade de adesão ao imperialismo internacional. Por uma estreita diferença de 10 votos, a autodenominada “centro-esquerda alemã”, composta pelo SPD e pelo Partido Verde, conseguiu a maioria necessária para atender ao apelo norte-americano e enviar 3.900 soldados ao Afeganistão.

A identificação da social-democracia com o imperialismo norte-americano foi claramente expressa à imprensa pelo primeiro ministro alemão Gerhard Schröder (SPD): “Die wollen und wir müssen” (“Eles querem e nós somos obrigados”). Mas, por que a Alemanha, uma das mais fortes economias do mundo capitalista, seria obrigada a aderir ao ufanismo norte-americano? Schröder se justifica dizendo que é uma questão de solidariedade com aqueles que ajudaram na reconstrução de seu país no pós-guerra de 1945 e, também, que é necessário defender a nação contra os terroristas.

Mas, se foi exatamente em função da tragédia de uma guerra que a Alemanha precisou de solidariedade, como pode um líder deste país defender a guerra como saída para o terrorismo? É possível ser solidário com quem é responsável pela tragédia de milhões de pessoas no mundo? Se a opção é pela solidariedade, será que, neste momento, não existem outras causas e outros povos precisando de mais solidariedade do que os norte-americanos? E, se é necessário proteger a nação do terrorismo, será que a adesão a uma guerra não provoca exatamente mais riscos de atentados no país?

Contudo, a decisão já foi tomada, apesar dos protestos populares e dos inflamados discursos da oposição. O Partido Verde, que até uma semana anterior era contrário ao ingresso da Alemanha na guerra, acabou, em sua maioria, aderindo fisiologicamente ao primeiro ministro para não comprometer a aliança governista, recentemente formada, após as eleições de outubro. No SPD, maior partido no parlamento, apenas uma parlamentar foi contrária à posição de seu governo.

A situação criada volta a registrar o que a história já demonstrou: a social-democracia, em momentos estratégicos, consegue ser a mais conveniente aliada do imperialismo, pois não hesita em tomar as decisões que a própria direita teria dificuldade de propor, por não possuir o invólucro de esquerda que a protege e serve de escudo diante da opinião pública.

 

 

Die Sozialdemokratie "solidarisch" mit dem imperialistischen Terrorismus

Antônio Inácio Andrioli*

"Nicht nur, daß die deutsche Sozialdemokratie schweigt, sie übernimmt auch soeben eine neue geschichtliche Funktion: Schildknappe des Imperialismus zu sein" (Rosa Luxemburg)

Als Rosa Luxemburg im August 1915 feststellte, dass ihre Partei die Richtung geändert hatte, erstarrte die Linke weltweit. Der marxistische Revisionismus und die mit dem Aufstieg zur Macht verbundene Bürokratisierung der Partei gipfelten in nationalistischen Wallungen ihrer wichtigsten Parteikader. Dies löst die Verfolgung der kämpferischsten Teile der Partei aus und die Unterdrückung der revolutionären Bewegung, die bis dato politisches Fundamentder Partei war. Von dann an präsentiert die Sozialdemokratie sich - unter Aushöhlung ihrer ursprünglichen politischen Grundlagen -als illusionsbestimmte Vermittlungsinstanz zwischen Kapitalismus und Sozialismus in verschiedenen Ländern Europas. Der schon 1915 kritisierte sozialdemokratische Reformismus wandelte sich allmählich zu einer regierungsfähigen Alternative für die Kapitalisten, die ihrerseits in der sogenannten "linken Mitte" eine ihnen gewogene Option sahen.

In diesen Tagen, wo Deutschland sich als Allierter an die Seite der USA im Krieg gegen Afghanistan gestellt hat, bestätigen die deutschen Sozialdemokraten wieder einmal ihre bereitwillige Zugehörigkeit zum
internationalen Imperialismus. Mit knappen 10 Stimmen hat die aus SPD und Grünen zusammengesetzte, selbsternannte deutsche "Mitte-Links"-Koalition die erforderliche Mehrheit zusammenbekommen, um der
nordamerikanischen Anforderung nachzukommen und 3.900 Soldaten nach Afghanistan zu schicken.

Die Identifizierung der Sozialdemokratie mit dem nordamerikanischen Imperialismus wurde vom deutschen Bundeskanzler in aller Deutlichkeit vor den Medien klargestellt: "Die wollen und wir müssen".
Aber, warum sollte Deutschland, eine der stärksten Ökonomien der kapitalistischen Welt, sich gezwungen sehen sich nordamerikanischer Anmaßung anzuschließen? Schröder rechtfertigt sich damit, dass es eine Frage der Solidarität mit denen sei, die Deutschland beim Wiederaufbau des Landes nach dem Zweiten Weltkrieg geholfen haben und auch damit, dass es nötig sei, die Nation gegen die Terroristen zu schützen.

Wenn es aber gerade die Tragödie eines Weltkriegs war, derentwegen Deutschland der Solidarität bedurfte, wie kann der politsch Hauptverantwortliche dieses Landes Krieg als gangbaren Weg im Kampf gegen den Terrorismus verteidigen?
Ist Solidärität möglich mit dem, der verantwortlich ist für die Tragödie von Millionen Menschen in der ganzen Welt?
Wenn Solidarität das vorrangige Thema und die einzunehmende Haltung sein soll, lassen sich dann in dieser Zeit keine anderen Probleme oder auch Völker ausmachen, die mehr Solidarität brauchen als die Nordamerikaner? Und wenn es nötig ist die Nation zu schützen, bewirkt dann nicht der Eintritt in einen Krieg genau das Gegenteil, nämlich ein deutlich höheres Risiko durch Anschläge?

Aber die Entscheidung ist schon getroffen - trotz Protesten aus der Bevölkerung und flammender Oppositionsreden.
Die Grünen, die bis vor einer Woche gegen eine Kriegsbeteiligung Deutschlands waren, haben sich letztlich eindeutig hinter den Kanzler gestellt, um nicht das Regierungsbündnis zu gefährden, das erst nach der Wahl im Oktober 1998 zustande gekommen war. In der SPD, der stärksten Partei im Parlament, stellt sich eine nur einzige Abgeordnete gegen ihren Bundeskanzler.

Die in den letzten Wochen geschaffene Situation macht wieder einmal deutlich, was die Geschichte schon gezeigt hat: in strategischen Momenten schafft die die Sozialdemokratie es, sich als die passendere Verbündete des Imperialismus zu präsentieren, denn sie zögert nicht die Entscheidungen zu treffen, die die politische Rechte nur unter größeren Schwierigkeiten vorschlagen könnte. Die Rechte besitzt nicht das linke Mäntelchen, das den Sozialdemokraten als Schutz und Schild gegenüber der öffentlichen Meinung dient.

 

ANTONIO INÁCIO ANDRIOLI

     

 


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