Por CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO
Doutoranda em Filosofia (Universidade Paris X - Nanterre)


 

Euro!!!

 

A moeda que veio para unificar a Europa tem causado divisões ortográficas entre os países. Tendo a Alemanha proposto a palavra “euro” designou-a masculina e invariável a menos que o plural “euri” seja tolerado. A Itália escolheu duas instituições para estudar a questão imposta por Frankfurt e afirma que o termo não é tão belo quanto “lira”. Os franceses limitam-se a adotar o “s” para o plural. Porém, a Grécia não se contenta com os caracteres e os quer tragicamente romanos, assim, o “euro” abaixará a cabeça sob os pórticos helênicos e será indeclinavelmente chamado “èvro”. A Finlândia, por sua vez, quer chamá-lo “euroa” ou “eurot”. Com relação aos centavos, Atenas utilizará “lepto”, Helsinki “senttia”, Madrid e Lisboa “centimos” e Paris “centimes”.

Ortografia à parte, o euro começa, pela insegurança, a cumprir seu papel unificador: basta perceber a inquietação geral com a chegada desse “mocinho-vilão” que está marcada para 01 de janeiro de 2002. Ouso, mesmo, afirmar que ultimamente esse “herói” (ou anti-herói) tem incomodado mais os europeus do que os  atentados que os rodeiam.

Na verdade, a maioria pensa que a criação da moeda foi uma boa idéia visto que a transação comercial por toda a Europa será simplificada. Por outro lado, apesar de haver muita divulgação, poucos são os que estão à vontade para utilizá-la, pois há, ainda, bastante insegurança quanto à conversão, onde a população não está certa se vai perder, ganhar ou nada mudará.

O fato é que o novo sempre causa um certo temor, principalmente quando se trata de dinheiro, mas quem está na chuva vai ter que se molhar. Então, por que não tentar diminuir a ansiedade tomando um capuccino, um chopp ou um vinho do Porto, num café de Paris, lendo Aristóteles ao som das valsas vienenses? O jeito é esperar pra ver!

CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMÁSIO

     


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