Delinqüência preocupa franceses

 

Por CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMASIO
Doutoranda em Filosofia (Universidade Paris X - Nanterre)


No último dia 06 de setembro, prefeitos, procuradores gerais e procuradores da República Francesa, pela iniciativa dos ministros do interior e da justiça (Daniel Vaillant e Marylise Lebranchu), estiveram reunidos na Universidade de Sorbonne (Paris) discutindo sobre a luta contra a delinqüência. Os temas principais foram: “Lutar contra todas as formas de violência” e “Combater os tráficos locais”. Há quem diga que foi uma reunião meramente publicitária. Publicidade ou não, o fato é que a insegurança tem preocupado os franceses nos últimos tempos.

Depois de três anos em baixa (1995, 1996 e 1997) e dois anos de estabilidade (1998 e 1999) o número global da delinqüência teve uma alta de 5,72% em 2000. As estatísticas do ministério do interior mostram um aumento de 9.58% no primeiro semestre de 2001.

Segundo o pesquisador Laurent Mucchielli (autor do livro “Violences et insecurité, fantasmes et réalités dans le débat français”* ed. La Découverte) as violências mais graves não mostram grande aumento na sociedade.

As taxas de homicídio e tentativas de homicídio baixaram nos últimos anos de 4,5 casos para 100.000 habitantes em 1990 para 3,6 em 2000. Os estupros e agressões sexuais aumentaram no final dos anos 70 e principalmente no final dos anos 80, acredita-se, entretanto, que essa tendência corresponde, sobretudo, ao número de denúncias das vítimas. No entanto, os golpes e machucados voluntários aumentaram consideravelmente, passando de 6,42 casos por 10.000 habitantes em 1987 a 9,89 em 1993 e a 16,27 em 1999, com um progresso de 9,46% no primeiro semestre de 2001. As chamadas “pesquisas de vitimação” indicam que esse aumento é devido à multiplicação das brigas entre jovens nas periferias.

Enfim, os roubos e arrombamentos estão em alta, praticamente contínua, nos últimos 40 anos. O roubo de telefones celulares explica dois terços do aumento de 9,58% da delinqüência geral registrada no primeiro semestre de 2001 e, por serem de abordagem corpo a corpo, 50% dos roubos com violência. Em 2000, os roubos de cartões bancários aumentaram 49,39%.

Há casos que escapam à pesquisa, como por exemplo os entregues a comissariados; por tal motivo o primeiro ministro Lionel Jospin pediu a elaboração de “um novo instrumento estatístico de medida de insegurança” que deve estar pronto até o início de 2002. Ainda que a intenção seja política, a idéia é válida e esse projeto não oferecerá um resultado confiável e completo, sobre a delinqüência, antes do início das campanhas eleitorais. O que a população espera, na verdade, é que medidas sejam tomadas para que os índices voltem a baixar.

 

* “Violências e insegurança, fantasmas e realidades no debate francês” – tradução minha.

CELUY ROBERTA HUNDZINSKI DAMASIO

     


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